Sintomas de infarto cardíaco e sintomas da Crise de Pânico

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Dra. Neusa Rodrigues Sérgio

“Eu sinto uma pressão no peito, meu coração dispara, surgem suores e acho que vou morrer…”

Esse é um relato de pessoas com episódios agudos de ansiedade, os quais estão presentes, muitas vezes, no Transtorno de Ansiedade ou na Síndrome de Pânico. Entretanto, e aqui revela-se um perigo concreto, podem também ser sintomas de problemas cardíacos.

A similaridade entre sintomas cardíacos no episodio de Infarto Agudo do Miocárdio e nos sintomas somáticos na Crise de Pânico, embora sejam manifestações corporais de entidades clinicas diferentes, faz com que, muitas vezes, se confundam. Em ambas existe a sensação de morte imediata, ou seja, existe forte percepção individual de morte iminente.

Em caso de Crise de Pânico, os episódios são apavorantes, segundo relato dos pacientes, e resultam em forte sofrimento psíquico, com angústia e insegurança intensas; já durante um episódio de Infarto Agudo do Miocárdico o paciente está em risco real de falecimento, em risco de morte.

Por ocorrer de maneira súbita e inesperada, pelo potencial risco de morte real e pelo sofrimento mental que causam às pessoas, ambas as situações médicas são caracterizadas como emergências e requerem assistência médica imediata, tanto para diagnóstico correto, quanto para tratamento medicamentoso e/ou de intervenção médica.

A recomendação é que, ao se iniciarem de súbito os sintomas de: palpitações, dor torácica, dispneia (falta de ar), fatiga (cansaço), sudorese, indisposição, dores e/ou dormências em braços, mãos, mandíbula, e sensação ou percepção de morte, que o paciente procure atendimento médico de urgência e emergência, em Pronto Atendimento ou Pronto Socorro.

Se estiver com instabilidade ou mal-estar intenso, deve convocar serviços de atendimento médico com ambulância, como SAMU e outros, ou se em condições físicas que permitam transporte próprio e de imediato, buscar serviços de urgências e emergências.

Somente o atendimento médico especializado poderá diferenciar as síndromes cardíacas ou de pânico e, ao diagnosticar, possibilitar início de tratamento, tanto para os sintomas cardíacos agudos quanto para a Síndrome do Pânico.

Os tratamentos são distintos, ou seja, abordagens completamente diferentes em uma situação ou outra; e, neste ponto, há de se louvar a moderna tecnologia médica para tratamento de Infarto Agudo do Miocárdio e outras grandes síndromes vasculares, com equipamentos médicos ditos de ponta e procedimentos médicos cada vez mais precisos e eficazes.

Nesta mesma análise, observamos a contrapartida da eficácia e eficiência na condução e intervenção médicas no diagnóstico e manuseio da Síndrome do Pânico, aonde notadamente afloram-se sintomas corporais sem alterações orgânicas.

Dadas essas características da doença do Pânico, muitas vezes o paciente inicia uma via sacra de visitas a vários especialistas, sem definir-se diagnóstico e sem iniciar tratamento específico e contundente à sua disfunção, persistindo com vários episódios de intenso sofrimento psíquico. Além disso, assim como outros custos e prejuízos, também não são contabilizados na vida individual do paciente sua angústia, inoperância e impotência perante os sintomas psíquicos corporais, associados à incompreensão e desconhecimento da doença, o que muitas vezes estigmatiza o indivíduo, por vezes de maneira caricaturada.

Se, por um lado, quem é acometido de doença cardíaca é prontamente atendido com ampla resolução da doença e restabelecimento da sua saúde, o paciente acometido de Pânico arrasta-se através dos meses com instabilidade controlada e mal-estar indefinido e, por vezes, não recebe tratamento adequado ou devida abordagem de seu desequilíbrio neuroquímico.

Espera-se que, com a democratização do conhecimento e domínio do reconhecimento das manifestações psíquicas e corporais, seja possível acolher, abordar, diagnosticar com mais rapidez e tratar convenientemente os sintomas da Síndrome do Pânico, que também são danosos ao indivíduo, mesmo quando minimizados indevidamente. Do mesmo modo, objetiva-se não incorrer no erro de não se detectar casos reais e camuflados de Infarto, ao se desprezar a subjetividade dos sintomas coronários.

A própria intercomunicação entre sintomas cardíacos e crises de Pânico nos remete à complexidade celular, psíquica e neuroquímica do individuo, assim como à sua subjetividade, o que nos leva, inexoravelmente, à contemplação do ser humano como sistema complexo interligado a múltiplas variáveis e à necessidade de olhar ampliado sobre sua saúde, com os devidos momentos de foco pontual.

Recomenda-se, portanto, em vigência desses sintomas híbridos corporais, ampla e imediata investigação, com diagnóstico preciso e abordagem eficaz, seja qual for sua patologia, coronária ou psíquica.

Dra. Neusa Sergiohttp://www.atendehc.com.br
Médica cardiologista, emergencista, psiquiatra, perita, médica nuclear. CRM SP 143462/CRM SC 22161/CRM MG 26661
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