O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, chamou a interferência dos Estados Unidos no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de imprópria e sem “o menor sentido”.
Gilmar Mendes citou os Epstein Files e defendeu a soberania do Brasil
Gilmar foi questionado por jornalistas no Fórum Empresarial LIDE sobre as sanções políticas e econômicas impostas pelos Estados Unidos. “É de todo impróprio, é evidente que negociações comerciais se fazem a toda hora. Agora, tentar envolver nessa cesta o papel institucional do país, a independência do Judiciário, ou seja lá o que for, como seria impróprio, por exemplo, se a gente exigisse nas negociações que fossem reveladas as pessoas que estão no chamado Epstein Files nos Estados Unidos”, disse o decano do STF, conforme publicado pela CNN.
“Não faz sentido algum, não temos nada a ver, ou se quiséssemos mudar jurisprudência sobre aborto nos Estados Unidos, não faz o menor sentido, assim como não faz sentido tentar alterar a jurisprudência da corte brasileira”, afirmou.
Na conversa com os jornalistas, Gilmar disse ainda apoiar o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal do golpe, “de maneira inquestionável”. “O Brasil deve muito ao ministro Alexandre de Moraes, sou plenamente solidário com o ministro Alexandre de Moraes. Se nós estamos aqui hoje num ambiente democrático, devemos muito ao ministro e eu sei que a história vai lhe fazer justiça.”
Trump e Epstein
Gilmar citou um dos pontos que atormentam a gestão de Trump. O governo do republicano tem sido pressionado para divulgar a íntegra dos chamados Epstein files — documentos da investigação contra o financista e abusador de menores Jeffrey Epstein. Trump e Epstein foram amigos durante os anos 1990. Epstein respondeu por crimes contra menores desde 2008. Em 2019, foi acusado formalmente de operar uma rede de tráfico de menores para exploração sexual.
Na campanha do ano passado, Trump chegou a defender a divulgação de todos os documentos da investigação. Neste ano, todavia, mudou de ideia, e os detalhes da apuração, incluindo as pessoas públicas que usufruíam dos “serviços” de Epstein, permanecem em segredo. O financista cometeu suicídio na prisão em 2019.


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