Workshop internacional debate práticas comunitárias no controle das arboviroses

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Um espaço para a troca de experiências e reflexões sobre práticas comunitárias no controle das arboviroses. Esse foi o mote do Workshop Internacional de Ciências Sociais em Arboviroses realizado pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento da França (IRD, na sigla em francês) em parceria com a Fiocruz e finalizado na última terça-feira (23/ 9). Como resultado do encontro, que reuniu 60 pessoas de diferentes países no Rio de Janeiro, dois documentos serão produzidos. Um deles reúne as discussões no workshop e ajudará a estruturar uma proposta para a criação da Rede Internacional Colaborativa de Pesquisa em Ciências Sociais e Controle de Arboviroses, envolvendo países do Sul global e do hemisfério Norte.

Evento reuniu 60 pessoas de diferentes países no Rio de Janeiro (foto: Ravi Moreno Assis Cesse)

 

“O evento foi muito bem-sucedido, com uma participação ativa, indo além das apresentações formais. Abrimos uma roda de conversa que gerou uma troca e reflexões sobre os vários tipos de participação comunitária”, comentou uma das coordenadoras do Workshop, Marcia Lenzi, da Assessoria de Relações Institucionais da Fiocruz. “Saímos confiantes na formação dessa Rede, uma ferramenta fundamental para discutir não só arboviroses mas as especificidades das mudanças climáticas que cada país enfrenta”.

Além de um relatório com registro de tudo que foi debatido no encontro, será produzido um documento especificamente sobre essa roda de conversa, contendo o olhar de cada participante sobre engajamento e mobilização social e como entendem e aplicam isso em seus territórios no controle de arboviroses.

Com participação de pessoas da América do Sul, África, Europa e Estados Unidos, o encontro teve ainda uma programação ampliada, nesta quarta e quinta-feira (25 e 26/ 9). Membros do projeto Inovec, que também organizou o encontro, participou de atividades de fechamento, como uma visita ao complexo de favelas da Maré, no Rio de Janeiro, recepcionada pela parceira da Fundação Redes da Maré. Eles conheceram diversas tecnologias sociais e equipamentos públicos presentes no território, como uma escola e um posto de atenção primária. Um guia bilíngue e um professor de história da Redes da Maré acompanharam os participantes.

“Os povos de periferias não são vulneráveis, eles vivem em situações vulneráveis. São povos que se reinventam. Sem os territórios periféricos, nada faz sentido, precisamos dos conhecimentos que produzem e de suas experiências”, comenta Lenzi. 

O encontro foi coordenado pelo IRD e Consórcio Inovec, financiado pela União Européia, em parceria com a Fiocruz.  Os coordenadores pelo IRD foram Vincent Corbel, Florence Fournet e Anne Poinsignon. Pela Fundação, Marcia Lenzi e Gabriela de Azevedo Aguiar, da Assessoria de Relações Institucionais.

Mesa de abertura

A mesa de abertura, na segunda-feira (22/9), contou com a presença de representantes da Fiocruz e do IRD. “Que esse encontro seja um ambiente rico em ideias e promissor para novas colaborações”, disse o representante do IRD, Vincent Corbel, na ocasião. Também compuseram a mesa o representante da Embaixada Francesa, Vincent Brignol, que é o adido científico do Consulado da França no Rio de Janeiro, e a representante da Agência Francesa de Pesquisa sobre Aids e Hepatites Virais que também pesquisa Doenças Infecciosas Emergentes (ANRS MIE, na sigla em francês), Erica Telford.

Mesa de abertura contou com a presença de representantes da Fiocruz, da Embaixada Francesa, do IRD e da Agência Francesa de Pesquisa sobre Aids e Hepatites Virais (foto: Peter Ilicciev)

 

Representante da vice-presidência de Saúde Global e Relações Internacionais (VPSGRIs/Fiocruz), Fabiane Gaspar fez uma apresentação contextual do papel da Fundação na saúde pública do país e global, destacou o fator social por trás de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. “Arboviroses são, antes de tudo, doenças socialmente determinadas”, salientou. “É nas periferias, em territórios predominantemente habitados por populações negras e de baixa renda, onde o saneamento inadequado e a urbanização precária criam os criadouros perfeitos para o mosquito”.

Também representando a VPSGRI/Fiocruz, a assessora internacional para Cooperação com a Europa, Ilka Vilardo, destacou seu papel na cooperação com os países do continente. “Nunca foi tão evidente a necessidade da cooperação internacional para resolver os problemas, principalmente, de saúde do mundo”, ressaltou. Ela também chamou atenção para os esforços da Fundação em defesa do multilateralismo e da colaboração com parceiros internacionais por equidade no acesso e na promoção da saúde. 



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