Os 40 anos do Laboratório de Pesquisas sobre o Timo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) foram celebrados no II Simpósio sobre timo e biologia de células T na saúde e doença, realizado no Rio de Janeiro. O evento apresentou estudos de ponta realizados pelo grupo, que atua em diversas vertentes de pesquisa na área da imunologia celular.
A atividade reuniu integrantes e colaboradores nacionais e internacionais do Laboratório, incluindo pesquisadores do IOC, da Fiocruz e de diversas instituições científicas, especialmente do campo da imunologia. Dentre os destaques, foram discutidos trabalhos que contribuem para compreender aspectos ligados ao sistema imune em processos de neurodesenvolvimento, envelhecimento, infecções e doenças neurológicas. A trajetória do grupo de pesquisa também foi abordada no Simpósio, que contou com homenagem ao imunologista Wilson Savino, fundador do Laboratório e atualmente assessor especial da Presidência da Fiocruz para Cooperação com Instituições Francesas de Ciência e Tecnologia.
A atual chefe do Laboratório, Adriana Bonomo, salientou a integração da equipe, a formação de estudantes e a grande interação científica como marcos na atuação do grupo. “Esses momentos de celebração são também de revisão, de olhar para a história e pensar no continuar. Entre pesquisadores, técnicos, funcionários administrativos e estudantes somos atualmente 62 pessoas, em oito grupos com linhas de pesquisa independentes, que trabalham com muito compartilhamento e diversas colaborações. Fazemos ciência básica, com o principal objetivo de gerar conhecimento novo. Hoje, alguns projetos têm desdobramentos translacionais, na aplicação desse conhecimento. Precisamos permanecer unidos e produtivos, atuando com critérios de excelência para que o LPT [Laboratório de Pesquisas sobre o Timo] continue sendo o nosso laboratório dos sonhos”, declarou Adriana.
Discussões científicas, memórias e afetos
O primeiro dia do evento teve mesa de abertura com participação da vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas da Fiocruz, Alda Cruz; da diretora de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do IOC, Luciana Garzoni; e do professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcelo Barcinski, além da da chefe do Laboratório de Pesquisas sobre o Timo.
A primeira palestra foi proferida por Savino, que abordou a história do Laboratório. Em seguida, houve seção de depoimentos de integrantes da equipe e colaboradores. Ao longo dos dois dias de programação, o Simpósio contou com três sessões científicas com foco no timo e na biologia das células T (o timo é o órgão responsável pela maturação das células T, que atuam no sistema de defesa do organismo).
A primeira mesa destacou colaborações nacionais e internacionais. O chefe do Laboratório de Imunogenética Molecular da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP/USP), Geraldo Passos, falou sobre a expressão gênica no timo. A diretora do Instituto de Imunologia Clínica e Experimental de Rosario (Idicer), na Argentina, Ana Rosa Perez, discutiu o papel do timo e das células T na doença de Chagas. A chefe substituta do Laboratório de Pesquisa em Leishmanioses do IOC, Patrícia Cuervo Escobar, debateu efeitos da leishmaniose visceral e da desnutrição sobre o timo.
Duas sessões científicas apresentaram estudos em andamento realizados por doutorandos e pós-doutorandos do Programa Pós-graduação em Biologia Celular e Molecular do IOC que atuam no Laboratório de Pesquisas sobre o Timo, além de jovens cientistas que aturam no LPT em sua formação. As pós-doutorandas Liliane Tenório, Poliana Capucho e Rafaella Reis discutiram, respectivamente, estudos sobre regulação da diferenciação celular no timo, papel das células T no neurodesenvolvimento e processos ligados à regeneração muscular. Os doutorandos Barbara Simonson e Felipe Xavier falaram, respectivamente, sobre pesquisas de mecanismos do sistema imune ligados aos neutrófilos e impacto da coinfecção por Covid-19 e doença de Chagas na imunidade.
Duas doutoras formadas no Laboratório de Pesquisas sobre o Timo que atualmente desenvolvem pesquisas na França apresentaram seus projetos. Julia Lemos, doutora pela Biologia Celular e Molecular, mostrou estudos sobre esclerose lateral amiotrófica realizados no Centro de Pesquisa em Miologia, da Universidade de Sorbonne. Beatriz Chaves, doutora pelo Programa de Pós-graduação em Biologia Computacional e Sistemas do IOC, abordou pesquisas em esclerose múltipla conduzidas no Instituto Toulousiano de Doenças Infecciosas e Inflamatórias. O evento contou ainda com sessão de pôsteres, na qual foram exibidos 14 trabalhos desenvolvidos por mestrandos e doutorandos que atuam no LPT.
A homenagem a Savino foi realizada por Adriana e pela chefe substituta do Laboratório de Pesquisas sobre o Timo, Daniela Mendes da Cruz, que destacaram a capacidade do fundador do LPT de unir e formar pesquisadores e de estabelecer colaborações científicas. Houve exibição de vídeo com depoimentos de integrantes da equipe, entrega de placa de homenagem e apresentação de cordel produzido por Edla Herculano, pós-doutoranda do Programa de Biologia Celular e Molecular do IOC.


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