O 3º Seminário de Diálogos para a Eliminação das Hepatites Virais, promovido em Brasília pelo Ministério da Saúde (MS), reuniu durante dois dias (24 e 25/6) pesquisadores, profissionais da saúde, gestores e instituições de referência, de todo o país, para discussões de estratégias voltadas ao fortalecimento da vigilância, prevenção, diagnóstico e cuidado das hepatites virais no Brasil. Das 40 propostas inscritas por instituições de todo o país, três iniciativas da Fiocruz ficaram entre as dez vencedoras. Reconhecidas como Experiências Exitosas, as ações contribuem para o avanço das políticas públicas de enfrentamento e eliminação das hepatites virais, destacando-se como projetos inovadores e de impacto para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Ações contribuem para o avanço das políticas públicas de enfrentamento e eliminação das hepatites virais, destacando-se como projetos inovadores e de impacto para o Sistema Único de Saúde (Foto: Ascom/SES-MT)
A Fiocruz Rondônia conquistou o 2º lugar no prêmio com a experiência intitulada Implantação e rastreamento do exame piloto de carga viral do vírus da hepatite D ou Delta (CV-HDV) no Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto descreve os resultados das ações de rastreamento epidemiológico, diagnóstico molecular e acompanhamento clínico de pacientes desenvolvidas entre os anos de 2023 e 2026 em áreas de alta endemicidade para o vírus da hepatite D (HDV) em diferentes localidades da Amazônia.
“Este reconhecimento do MS consolida uma trajetória de pioneirismo científico, vigilância e busca pelo fortalecimento do diagnóstico molecular das hepatites virais no Brasil, especialmente no contexto amazônico, onde estão localizadas áreas de elevada incidência para as hepatites virais”, descreve a chefe do Laboratório de Virologia Molecular da Fiocruz Rondônia, Deusilene Vieira Dall’Acqua.
Já a iniciativa Ampliação de um sistema de vigilância baseado em águas residuais para monitoramento ambiental e alerta precoce de surtos de hepatites A e E, desenvolvida pela Rede Fiocruz de Alerta Precoce Baseado em Águas Residuais (FioAlerta), garantiu a 8ª colocação na premiação. Com metodologia empregada em programas internacionais de vigilância da poliomielite e reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o monitoramento global do Sars-CoV-2 (Covid-19), a proposta consiste em detectar a circulação dos vírus eliminados pela população no esgoto e em corpos d’água, o que permite a identificação da circulação da infecção antes da confirmação de casos pelos sistemas tradicionais de vigilância epidemiológica.
“O objetivo da Rede FioAlerta é fortalecer as estratégias de prevenção, preparação e resposta a epidemias e pandemias, contribuindo para a identificação precoce de diferentes patógenos. Um sistema de alerta precoce nos ajuda a intervir antes que os casos clínicos comecem a impactar a população e o SUS”, afirma a vice-presidente de Saúde Global e Relações Internacionais da Fiocruz e coordenadora da Rede FioAlerta, Maria de Lourdes Aguiar Oliveira.
A terceira iniciativa premiada da Fundação levou o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) ao 9º lugar com o projeto Ações personalizadas para aumento do acesso ao diagnóstico e tratamento das hepatites virais em populações vulneráveis através de equipe itinerante especializada. A iniciativa foca em populações com acesso limitado ao diagnóstico, especificamente pacientes de hemodiálise e usuários de serviços de saúde mental (CAPS).
Entre 2024 e 2025, uma equipe itinerante do ambulatório percorreu 11 locais, sendo 4 unidades de hemodiálise e 7 CAPS, e alcançou mais de 600 pessoas. O projeto ofereceu diagnóstico e tratamento in loco, ou seja, nos próprios serviços onde os pacientes estão vinculados, facilitando a adesão e o cuidado integral.


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