Mais resiliente, economia da Guiné-Bissau enfrenta pressões estruturais crescentes

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A economia da Guiné-Bissau demonstrou uma resiliência notável em 2025, registando um crescimento do Produto Interno Bruto, PIB, de 5,8%. Este resultado foi anunciado na mais recente Atualização Económica da Guiné-Bissau do Grupo Banco Mundial, divulgada na quarta-feira.

O país da África Ocidental enfrenta crescentes pressões estruturais, alicerçadas no elevado nível de dívida pública, num setor financeiro frágil e num setor privado que cresce em emprego, mas diminui em produtividade, sublinha o relatório.

Setor agrícola impulsiona crescimento

A forte colheita de caju, o reforço dos rendimentos rurais e o aumento do consumo privado foram determinantes para o crescimento do PIB da Guiné-Bissau no ano passado. 

No entanto, uma resiliência assente numa única cultura, agravada pela queda da produtividade laboral, não assegura a prosperidade duradoura, sublinha a representante do Grupo Banco Mundial no país, Rosa Brito.

Segundo a mesma, a transformação do investimento em melhores empregos e rendimentos para as famílias “exigirá um sistema fiscal mais justo, maior acesso ao financiamento e instituições em que as empresas possam confiar”.

Unicef/Roger LeMoyne
Crianças na região de Quinara, na Guiné-Bissau

Queda da inflação alivia famílias

A inflação na Guiné-Bissau caiu acentuadamente, de 3,8% em 2024 para 0,9% em 2025. Esta redução proporcionou um alívio temporário às famílias, num contexto de incerteza política contínua.

Por sua vez, o défice orçamental reduziu-se para 6,5% do PIB, embora esta consolidação tenha dependido sobretudo da contenção da despesa e não de um aumento das receitas, nota o relatório.

A dívida pública situou-se em 75,6% do PIB, acima dos limites delineados pela União Económica e Monetária da África Ocidental, Uemoa. Já o crédito em incumprimento ultrapassou os 22%, restringindo o acesso ao crédito por parte do setor privado.

Investimento contido e incerteza limitam crescimento

De acordo com Rosa Brito, “o principal desafio do setor privado na Guiné-Bissau não é a falta de empreendedorismo, mas a ausência de condições que permitam às empresas crescer, formalizar-se e tornar-se mais produtivas”.

O Banco Mundial projeta que o crescimento do PIB abrande para 4,8% em 2026, refletindo um nível de investimento contido e a persistente incerteza política após a transição política de novembro de 2025.

Os efeitos indiretos do conflito no Médio Oriente também deverão afetar a economia. O aumento dos preços das importações de combustíveis e de alimentos deverá abrandar a diminuição da pobreza extrema para cerca de 38% até 2028.

Neste sentido, o Banco Mundial recomenda melhorar o acesso ao financiamento, promover o apoio direcionado às empresas, nomeadamente aquelas lideradas por mulheres, bem como garantir o acesso a fontes de energia fiável e garantir a boa governação dos serviços públicos.



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