Fiocruz realiza 3ª Jornada Nacional de Iniciação Científica da Rede Provoc

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Com cerca de 200 estudantes de diferentes estados e do Distrito Federal, a 3ª Jornada Nacional de Iniciação Científica da Rede Provoc reuniu, nos dias 28 e 29 de maio, jovens, pesquisadores e professores na Fiocruz. Entre apresentações de trabalhos, oficinas, atividades culturais e troca de experiências sobre juventude, ciência e políticas públicas, o evento celebrou os 40 anos do Programa de Vocação Científica (Provoc) e reafirmou o compromisso da Fundação com a formação de jovens pesquisadores e com a valorização da ciência como instrumento de cidadania e transformação social.

O presidente da Fiocruz, Mario Moreira (de casaco branco), e dirigentes da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (Foto: Divulgação)

O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, destacou a trajetória histórica da instituição e o compromisso da Fundação com a redução das desigualdades sociais no país. Ao lembrar o ciclo dos 125 anos da Fiocruz, que foi encerrado em maio de 2026, afirmou que a permanência da instituição ao longo do tempo é resultado de uma construção coletiva marcada pela defesa da democracia e do bem-estar social. “Celebrar todos esses anos de constituição dessa Fundação pressupõe que ela está garantida no tempo e no espaço. É uma história de muita luta dos que antecederam a gente e de um compromisso político grande, forte e firme com a convicção de que esse país só será uma nação justa se tiver menos desigualdade social”, afirmou.

Moreira destacou que os 40 anos do Provoc fazem parte das comemorações iniciadas pela Fiocruz em seu novo ciclo institucional de 126 anos. O presidente da instituição ressaltou ainda que o acesso à iniciação científica deve ser entendido como um direito dos jovens e não como concessão do Estado. “Os 3 mil alunos que passaram pelo Provoc ao longo dos anos não estão aqui por favor do Estado. Estão aqui por direito. É direito de todos vocês terem uma formação adequada, digna e que possam ser protagonistas na construção desse projeto de país”, disse.

Por fim, dirigindo-se aos estudantes, Mario reforçou a importância da participação da juventude na construção do futuro do Brasil e defendeu a formação ampla como elemento essencial para o desenvolvimento nacional. “Vocês não podem ser projetados para o futuro. Vocês são o futuro a partir de agora. E por isso têm que ter uma boa formação, seja científica ou não, porque o desenvolvimento desse país tem que partir do esforço coletivo, não só do governo, mas de toda a sociedade”, concluiu. A programação da Jornada teve início no dia 28 de maio, com uma mesa de abertura no auditório da Escola. O momento contou com a exibição do vídeo em celebração aos 40 anos do Provoc e com a participação de representantes da Fiocruz, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Ministério da Educação (MEC) e da Secretaria Nacional da Juventude, além de pesquisadores, coordenadores regionais do Provoc e diretores de unidades regionais da instituição.

Em sua fala, o coordenador do Laboratório de Iniciação Científica na Educação Básica da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), Jefferson Almeida, destacou o papel histórico do Provoc na inclusão social de jovens por meio da ciência. Segundo ele, o principal desafio é pensar o futuro sem perder de vista as transformações do presente. “A tarefa principal que nos mobiliza é pensar nos próximos 40 anos, nesse futuro que se realiza no presente, mas que se projeta no amanhã com a possibilidade da inclusão de novos jovens no Provoc”, afirmou. Jefferson ressaltou ainda que, há quatro décadas, o programa faz da ciência um instrumento de inclusão social, ocupando um espaço ainda pouco explorado no país. “Conhecemos um conjunto de iniciativas que fazem do esporte e da arte instrumentos de inclusão, mas a ciência, em particular, ainda não tem esse espaço de centralidade na inclusão social de jovens. E o Provoc há 40 anos cumpre esse papel”, completou.

A coordenadora da Rede Provoc, Cristiane Nogueira, destacou a importância da iniciação científica como instrumento de democratização do acesso ao conhecimento e de transformação social. Para ela, a ciência precisa ser produzida, compreendida e direcionada para toda a sociedade e a pesquisa na educação básica deve ser consolidada como política de Estado e alcançar escolas de todo o país. “Estamos celebrando encontros e pontes que sustentam a história. Estamos falando de democratização do acesso ao conhecimento”, afirmou.

Evento destacou a relevância histórica dos 40 anos do Provoc e o papel estratégico do programa na aproximação da juventude com a ciência, a tecnologia e a inovação (Foto: Divulgação)

Cristiane também ressaltou o caráter humano da produção científica e o papel do Provoc na formação de jovens ao longo de seus 40 anos. Para ela, a ciência vai além de dados, publicações e descobertas, estando ligada à curiosidade, ao cuidado com o outro e à construção do futuro. “Nesses 40 anos, o Provoc provou que fazer ciência é fundamentalmente humanizar o amanhã. Que continuemos acendendo centelhas de dúvida e paixão no coração de cada jovem”, concluiu.

Representando os diretores das unidades da Fiocruz participantes da Rede Provoc, a diretora da Fiocruz Ceará, Carla Celedônio, destacou os esforços para ampliar o Provoc no estado por meio de articulações com instituições de ensino superior, ciência e tecnologia e com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará. “Nossa perspectiva é ampliar o acesso de outros estudantes ao programa. Além disso, a EPSJV tem sido uma parceira fundamental para fortalecermos a educação básica e a formação técnica no estado do Ceará, principalmente na instalação do Distrito de Inovação e Saúde do Ceará”, ressaltou.

Carla também destacou a relevância histórica dos 40 anos do Provoc e o papel estratégico do programa na aproximação da juventude com a ciência, a tecnologia e a inovação. Para ela, a iniciativa contribui para a formação crítica dos estudantes e para a transformação de vidas por meio do incentivo à curiosidade científica e ao protagonismo da juventude. “Celebrar os 40 anos do programa é reconhecer o compromisso institucional com a formação científica, com a educação pública e de qualidade, tendo a educação como processo emancipatório”, destacou.

A diretora da EPSJV, Anamaria Corbo, ressaltou a potência da metodologia do Provoc e o papel da Escola na coordenação da Rede Provoc, articulada com diferentes unidades e escritórios da Fiocruz e com as vice-presidências de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) e de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC). Segundo ela, um dos principais desafios é ampliar a rede, envolvendo também institutos federais, escolas técnicas vinculadas às universidades, escolas de saúde pública e escolas do Sistema Único de Saúde (SUS) na orientação de estudantes do ensino médio, especialmente da rede estadual.

Anamaria também ressaltou a importância da iniciação científica no ensino médio para a formação crítica dos jovens e para o fortalecimento da ciência comprometida com a transformação social. Ela lembrou que a experiência do Provoc tem sido ampliada e discutida internacionalmente por meio da Rede Ibero-Americana de Educação de Técnicos em Saúde (RIETS) e destacou que a produção científica da Fiocruz está diretamente ligada à formulação de políticas públicas. “Temos que produzir ciência interessada, que leia a realidade, entenda como ela se move, para compreendermos o processo, porque estamos interessados na transformação dessa realidade”, disse.

Em seguida, Guilherme Naves, diretor de Articulação e Fomento de Programas e Projetos de Juventude da Secretaria Nacional de Juventude, vinculada à Secretaria-Geral da Presidência da República, destacou a iniciação científica na educação básica como um elemento fundamental para garantia de melhores condições de vida à juventude brasileira. Na visão dele, a produção científica e o acesso ao conhecimento são essenciais para a construção de políticas públicas voltadas às necessidades reais dos jovens. “A iniciação científica na educação básica faz parte da garantia de um presente e de um futuro mais digno e com melhores condições de vida para a juventude brasileira”, apontou.

Guilherme também ressaltou a importância da participação da juventude nos processos de construção científica e mencionou o papel do Observatório Nacional das Juventudes na formulação de políticas baseadas em dados e pesquisas. Para ele, incorporar as diferentes perspectivas das novas gerações é fundamental para que as ações do Estado dialoguem com a realidade dos jovens brasileiros. “Produzir ciência é dialogar diretamente com a realidade do mundo. Por isso, produzir ciência é conhecer o mundo, e isso é garantir autonomia e emancipação da juventude brasileira”, concluiu.

A coordenadora-geral de Popularização da Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luana Bonone, destacou que a juventude precisa ser reconhecida como protagonista na construção do presente e não apenas como promessa para o futuro. “A juventude, muitas vezes na história, foi tratada como um problema ou como uma solução para o futuro. Mas a juventude é sujeito de direitos para a construção do Brasil hoje e faz parte das conquistas e da cidadania”, afirmou.

Luana destacou ainda a importância do Provoc na formação crítica dos estudantes e na construção de uma ciência comprometida com a inclusão social. De acordo com ela, a iniciativa fortalece a cidadania por meio do conhecimento científico e expressa características próprias da atuação da Fiocruz. “O Provoc é fantástico, porque estimula o pensamento crítico e propõe a construção da cidadania por meio da ciência e a construção da ciência com cidadania e inclusão. Isso é algo que só poderia vir de uma instituição como a Fiocruz, que tem uma atuação no território, mas também uma perspectiva nacional o tempo inteiro, que dialoga com a América Latina”, ressaltou.

A coordenadora também destacou o papel da articulação institucional e da atuação dos pesquisadores na consolidação de políticas públicas. “É o nível de articulação institucional e a ousadia de seus pesquisadores que fazem as políticas públicas andarem”, disse. Ao final de sua fala, colocou-se à disposição para o fortalecimento de novas parcerias por meio dos programas ministeriais e dirigiu uma mensagem aos estudantes presentes: “Não só para seguir a carreira científica, mas para onde quer que vocês atuem, que haja o compromisso com a ciência, com o conhecimento, que essa vivência da iniciação científica abra horizontes e novas perspectivas de vida”.

A coordenadora-geral de Ensino Médio da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação, Valdirene Oliveira, destacou a importância da ciência como elemento inseparável de uma formação integral dos estudantes. Para ela, não é possível pensar em autonomia e cidadania plena sem garantir o acesso ao conhecimento científico. “Para nós, ciência não tem como ficar de fora de uma formação integrada. A formação para autonomia, para plena cidadania, não funciona sem ciência”, afirmou.

Em sua fala, Valdirene também ressaltou a necessidade de ampliar o alcance das iniciativas de iniciação científica no país, mesmo que esse processo aconteça de forma gradual. “Precisamos pensar num desenho que seja possível escalonar. Pode não dar para chegar de uma vez só na rede estadual das 27 unidades federativas do Brasil, mas em quantas chegamos por agora? E quantas conseguiremos daqui a um tempo?”, questionou.

A coordenadora chamou atenção ainda para o contexto atual de desafios à democracia e defendeu o Ensino Médio como estratégico para a formação cidadã da juventude brasileira. Segundo ela, cabe ao Estado garantir esse direito aos estudantes. “Se enfrentamos tempos difíceis de ataques à democracia e o Ensino Médio é estratégico, o Estado brasileiro precisa cumprir o seu papel de formação para o exercício pleno da cidadania desses jovens”, disse. Ao concluir, reforçou que a iniciação científica deve ser entendida como um direito de todos os estudantes do país. “A iniciação científica é direito de todos os sete milhões e meio de jovens que estão no Ensino Médio no Brasil”, completou. Também estiveram na mesa de abertura a vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas, Alda Cruz, e a pesquisadora do Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz Pernambuco) Islândia Sousa, representando os orientadores do Provoc.

Programação

Ainda pela manhã, foram realizadas homenagens ao presidente e ex-presidentes da Fiocruz, aos diretores de unidades e escritórios regionais da Fiocruz que integram a Rede Provoc, aos diretores e coordenadores de escolas de educação básica parceiras do programa e à coordenação atual e aos ex-coordenadores do Provoc. No período da tarde, os estudantes do programa apresentaram seus trabalhos em formato de pôster. O encerramento do primeiro dia contou com confraternização entre os participantes e um momento cultural com apresentação da DJ Bieta.

No segundo dia da Jornada, os estudantes visitaram espaços do Museu da Vida da Fiocruz, como o Castelo Mourisco, a Cavalariça e o Pombal. Encerrando a programação, os estudantes participaram de oficinas voltadas para juventude e ciência, incluindo atividades de batucada e rodas de conversa. Paralelamente, os coordenadores da Rede Provoc participaram de uma reunião para discutir o processo seletivo e a avaliação do programa.



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