Fiocruz inaugura exposição sobre a saúde na visão dos povos originários

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A Fiocruz inaugura em 2 de julho a exposição Sopro da floresta: cura que vem da terra, com curadoria indígena e protagonismo de lideranças espirituais dos povos originários. A mostra reúne saberes e experiências de pajés, majés e kujãs dos povos kaingang, de São Paulo, e pitaguary, do Ceará, propondo ao público novas reflexões sobre saúde, cuidado e bem viver. A cerimônia de abertura será realizada na Tenda da Ciência Virgínia Schall, no campus de Manguinhos, às 9h.

Iniciativa promove o encontro entre diferentes formas de compreender a saúde e a vida (Foto: Marília Cury/Acervo Museu Worikg)

Instalada nas salas 307 e 308 do Castelo da Fiocruz, a exposição é inspirada nas cosmologias indígenas e apresenta o conceito do Bem Viver, que compreende a saúde como resultado do equilíbrio entre corpo, espiritualidade, comunidade e natureza. Gratuita e acessível, a iniciativa propõe uma experiência imersiva que aproxima os visitantes de diferentes formas de compreender e promover a vida. A iniciativa foi desenvolvida pelo Museu da Vida Fiocruz, em parceria com os museus indígenas Worikg Sol Nascente e Pitaguary e o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP).

Módulos abordam floresta, ancestralidade e desafios contemporâneos

A exposição é composta por oito módulos que abordam saberes ancestrais, espiritualidade, práticas de cuidado e desafios contemporâneos enfrentados pelos povos originários. Entre os temas apresentados estão os conhecimentos que vêm da floresta, a atuação dos pajés, o uso de instrumentos musicais e elementos de proteção, além da cozinha como espaço sagrado de produção de saúde. A mostra reúne ainda depoimentos em vídeo de lideranças indígenas, desenhos produzidos por crianças da Escola Indígena Pitaguary Ita-Ara, no Ceará, cantos tradicionais dos povos pitaguary e kaingang e outros recursos que ampliam a experiência dos visitantes.

Ao compartilhar formas ancestrais de cuidado, a exposição também lança um alerta sobre as ameaças enfrentadas pelos mais de 300 povos originários do Brasil. A mensagem, porém, ultrapassa os territórios indígenas: o desequilíbrio ambiental compromete a rede de vida que sustenta todos os seres vivos.

“Nossos antepassados falam que temos que ouvir a voz da floresta e ter esperança, assim nos fortalecemos: acreditando em um novo amanhã. Escute a voz que vem nos ventos trazendo o sopro da cura, que vem no tempo”, afirma a majé Nádia Pitaguary, uma das curadoras da exposição.

Para o antropólogo Alex Hermes, que participou da produção da mostra, Sopro da floresta: cura que vem da terra é mais do que uma exposição.

“Por meio de cantos tradicionais, artefatos rituais e narrativas indígenas, os visitantes conhecerão formas ancestrais de cuidado e as advertências desses povos sobre os perigos contemporâneos — como o agronegócio e a poluição das águas — que ameaçam a rede de vida que sustenta a todos nós”, destaca.

A coordenadora da exposição, Paula Bonatto, ressalta que a iniciativa promove o encontro entre diferentes formas de compreender a saúde e a vida. “São os povos originários que abrem as portas do Castelo da Fiocruz para nos conduzir por histórias e sonoridades que integram todos os seres vivos à Mãe Terra, celebrando a vida que resiste e se cura por meio do sopro de suas florestas”, afirma.

A exposição é uma realização do Museu da Vida, da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) e da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), em parceria com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde.

Programação

Inauguração da exposição Sopro da floresta: cura que vem da terra
9h: café de acolhimento
9h30 às 10h15: mesa de abertura institucional (Eloy Terena, ministro dos Povos Indígenas), Patrícia Canto (Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz), Weibe Tapeba (ex-secretário Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde), Idjarrury Sompré (diretor do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena – Sesai/MS), Marcos José Pinheiro (diretor da Casa de Oswaldo Cruz – COC/Fiocruz) e Luís Amorim (chefe do Museu da Vida Fiocruz). Mestre de cerimônia: Jannah Guató (Museu da Vida Fiocruz)

10h15 às 11h: mesa com os parceiros da exposição (Ceiça Pitaguary, Ministério dos Povos Indígenas), Kujã Dirce Jorge Kaingang ,Museu Worigk, majé Nádia Pitaguary (Museu Indígena Pitaguary), Marília Xavier Cury (Museu de Arqueologia e Etnologia da USP) e Maria Paula Bonatto (Museu da Vida Fiocruz). Mediação: Denise Studart (Nepam/Museu da Vida Fiocruz)

11h às 11h30: caminhada liderada por pajés e kujãs indígenas até o Castelo da Fiocruz

11h30 às 13h: visita guiada à exposição (salas 307 e 308 do Castelo da Fiocruz)

13h: brunch na Tenda da Ciência Virgínia Schall

14h30 às 16h30: roda de conversa com as curadoras e representantes de etnias. Tema: Cultura e saúde indígena: avanços e desafios. O que podemos construir juntos?

Serviço
Inauguração da exposição Sopro da floresta: cura que vem da terra
Quando: 2 de julho (quinta-feira), às 9h
Onde: Tenda da Ciência Virgínia Schall – Museu da Vida Fiocruz
Campus Fiocruz Manguinhos – RJ (Avenida Brasil 4.365, Manguinhos, Rio de Janeiro



Fonte

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