A Fiocruz recebeu, nesta quinta-feira (7/8), a visita do cacique Francisco da Silva Piyãko, coordenador da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (Opirj), no Acre. Ele esteve na Fundação para discutir uma parceria estratégica e uma cooperação técnica que visa criar o Centro de Referência dos Povos Originários do Alto Juruá, que terá como objetivo a preservação, valorização e promoção da rica diversidade cultural presente na região. O Alto Juruá, no coração do Acre, abriga uma multiplicidade de povos originários (expressa em 12 etnias) com histórias e tradições únicas, representando um patrimônio cultural que demanda ações específicas para a sua proteção. O cacique foi recebido pelo presidente da Fiocruz, Mario Moreira.
A criação do Centro de Referência dos Povos Originários do Alto Juruá também terá como norte as mudanças climáticas e seus impactos. O projeto tem um compromisso com a justiça social, o respeito à pluralidade cultural e o fortalecimento das comunidades originárias, o que poderá consolidar o Acre como um exemplo de preservação e valorização da ancestralidade dos povos originários da região. O Centro de Referência será um espaço dedicado ao registro, documentação e resgate da herança histórica e cultural, favorecendo a transmissão dos saberes e práticas tradicionais desses povos.
O Centro também será um polo educativo, com encontros e atividades interativas desenvolvidas pelos povos originários, incentivando o diálogo intercultural e o respeito à diversidade. Terá como foco o desenvolvimento sustentável, ao promover práticas como a valorização de produtos artesanais e conhecimentos ancestrais, contribuindo para a autonomia econômica das comunidades e promovendo a bioeconomia. A preservação das línguas indígenas é um dos pilares do projeto, para garantir que esses idiomas não se percam.
“A presença do cacique Francisco Piyãko na Fiocruz representa um marco na construção de uma parceria inédita que visa a criação do Centro de Referência dos Povos Originários do Alto Juruá. Essa região é estratégica pela sua extraordinária diversidade cultural e ambiental, e a escuta ativa das lideranças e a valorização dos saberes tradicionais e ancestrais são fundamentais para que possamos construir ações conjuntas. Esse diálogo fortalece o território não apenas do ponto de vista cultural, mas também nas dimensões econômicas e bioeconômicas, promovendo caminhos sustentáveis que integram ciência, tradição e o protagonismo dos povos originários”, destaca o coordenador da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030, Paulo Gadelha.
O cacique Francisco é uma liderança do povo ashaninka e membro da aldeia Apiwtxa, no Acre. Ele foi assessor da Presidência da Funai e secretário dos Povos Indígenas no Acre. Filho mais velho da principal liderança ashaninka, herdou do pai a responsabilidade de liderar seu povo.


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