A WeWork decidiu concentrar sua estratégia no Brasil na otimização das operações já existentes, deixando a abertura de novas unidades em segundo plano até 2028. A companhia administra mais de 84 mil metros quadrados de escritórios no país e pretende priorizar o fortalecimento dos espaços atuais.
“Nosso foco agora é fortalecer os escritórios em funcionamento. Novas unidades serão abertas apenas em caso de negócios especiais”, afirma Claudio Hidalgo, vice-presidente da empresa para a América Latina.
Entre as principais apostas da companhia está o modelo de locação sob medida para uma única empresa. Segundo Hidalgo, o formato já está em desenvolvimento com um cliente confidencial. “Há uma companhia, que está sob confidencialidade, com a qual estamos trabalhando nesse molde”, diz o executivo. Nesse modelo, os espaços são adaptados conforme as necessidades específicas da operação ocupante.
A decisão reforça a relevância do mercado brasileiro para a empresa. Atualmente, o Brasil representa 80% dos negócios da WeWork na América Latina. O país também concentra o maior número de unidades da companhia, além da maior taxa de ocupação por metragem e maior frequência de uso em comparação aos mercados vizinhos.
Recuperação após crise global
A estratégia marca uma nova fase da empresa após a crise enfrentada em 2023, quando a WeWork entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos. Em 2024, a companhia reestruturou contratos e renegociou bilhões em dívidas.
O modelo agressivo de expansão adotado até 2019, baseado em locações de imóveis premium em diferentes cidades do mundo, acabou pressionando a operação durante o período pós-pandemia. A queda dos preços de aluguel e a redução da ocupação deixaram a empresa com altos custos e endividamento crescente.
No processo de recuperação, a WeWork encerrou operações em diversas unidades globais e renegociou contratos com proprietários. No Brasil, a companhia chegou a atrasar pagamentos de aluguel e enfrentou ações judiciais movidas por fundos imobiliários proprietários dos ativos.
Apesar disso, indicadores recentes mostram sinais de estabilização. Em entrevista ao New York Post, Peter Greenspan, diretor global de imóveis da empresa, afirmou que a receita da companhia passou de US$ 2,2 bilhões em 2024 para US$ 2,3 bilhões em 2025.
Impactos para o mercado imobiliário
A mudança de estratégia da WeWork sinaliza um momento de maior cautela no segmento de escritórios flexíveis, com foco em eficiência operacional e personalização dos espaços corporativos. Para incorporadores e investidores, o movimento reforça a importância de contratos mais sustentáveis e de imóveis preparados para atender demandas específicas de ocupação.
Já para corretores e operadores do mercado corporativo, o avanço dos escritórios customizados pode abrir novas oportunidades em negociações de longo prazo e soluções tailor-made para empresas.
Mesmo após a crise, a WeWork segue como principal operadora de coworking do Brasil. Levantamento da SiiLA aponta que a empresa ocupa atualmente uma área três vezes maior do que a segunda colocada, a Regus.
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Informações retiradas de Matheus Almeida á Istoé Dinheiro


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