Selic cai para 14,5% ao ano, mas BC mantém cautela diante de incertezas globais

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central voltou a reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (29), levando a Selic a 14,5% ao ano. A decisão foi unânime e já era esperada pelo mercado, mesmo em meio à deterioração do cenário externo desde o início do conflito no Oriente Médio, há cerca de dois meses.

No comunicado, o Copom reforçou que “o ambiente externo permanece incerto”, citando preocupações com a “indefinição a respeito da duração, extensão, e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais”. O colegiado também destacou que “tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”.

Apesar disso, o comitê afirmou que “julgou apropriado dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária”, indicando continuidade no ajuste gradual dos juros. Segundo o BC, o “período prolongado” de taxas elevadas já vem impactando a atividade econômica, criando espaço para ajustes futuros. Nesse contexto, ressaltou que o cenário permite calibrar tanto o ritmo quanto a extensão dos cortes para garantir a convergência da inflação à meta.

Inflação segue pressionada e acima da meta

O Banco Central revisou para cima suas projeções de inflação. A estimativa para 2026 passou para 4,6%, acima do teto da meta, ante 3,9% anteriormente. Já no horizonte relevante, a projeção subiu de 3,3% para 3,5% no quarto trimestre de 2027.

O Copom reiterou que, “no cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária”, destacando que os próximos passos dependerão da evolução do conflito no Oriente Médio e de seus impactos sobre os preços.

Mercado vê espaço para cortes, mas com piora nas expectativas

De acordo com o boletim Focus, o mercado ainda projeta novas quedas na Selic ao longo do ano. No entanto, as expectativas para juros e inflação vêm se deteriorando, com agentes econômicos prevendo níveis mais elevados do que o esperado anteriormente.

Na reunião anterior, em 18 de março, o BC já havia sinalizado aumento das incertezas externas e afirmou que monitoraria especialmente os efeitos do conflito sobre cadeias globais e preços de commodities.

Impactos para o mercado imobiliário

Para o setor imobiliário, a nova queda da Selic reforça uma tendência de melhora gradual nas condições de crédito, mas ainda sem efeitos imediatos relevantes. Incorporadores e corretores devem observar uma recuperação lenta da demanda, enquanto investidores seguem atentos ao custo de capital e à inflação persistente.

A manutenção de juros em patamar elevado por período prolongado ainda limita o acesso ao financiamento, especialmente fora de programas habitacionais. Já compradores devem manter postura cautelosa, avaliando o momento de entrada diante da possível continuidade de cortes, mas também do risco de valorização dos imóveis no médio prazo.

Copom opera com composição reduzida

A reunião desta quarta-feira contou com seis votos, devido à ausência de três integrantes. O comitê está com duas vagas em aberto após as saídas de Diogo Guillen e Renato Gomes. Além disso, o diretor Rodrigo Alves Teixeira não participou por motivo de falecimento de um familiar. As funções vêm sendo acumuladas por outros diretores até a recomposição do colegiado.

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Informações retiradas de Larissa Maia a Valor Investe



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