Após a desaceleração provocada pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, o mercado imobiliário de Porto Alegre iniciou 2026 em ritmo de recuperação. Entre janeiro e abril, foram lançadas 749 unidades residenciais na Capital, praticamente o dobro das 379 registradas no mesmo período de 2025, segundo dados do Sinduscon-RS.
“O mercado voltou a lançar e a recuperação após a enchente aparece nos números”, registra o presidente da entidade, Rafael Garcia.
Os números mostram a retomada gradual da atividade:
- 2024: 2.848 novos lançamentos
- 2025: 3.340 lançamentos (+17%)
- 2026: 749 unidades até abril
Compactos seguem liderando os lançamentos
Studios e apartamentos de um dormitório representaram 46% das unidades lançadas nos primeiros quatro meses do ano. Cidade Baixa e Menino Deus concentram 64% desses empreendimentos.
O segmento enquadrado no programa Minha Casa, Minha Vida também voltou a ganhar espaço. A participação desses imóveis praticamente dobrou em comparação aos dois anos anteriores, com projetos localizados principalmente nas áreas periféricas da cidade.
Para incorporadoras, o movimento indica demanda consistente tanto no segmento econômico quanto nos empreendimentos compactos voltados a investidores e compradores em busca de renda ou praticidade.
Estoque cresce, mas mantém liquidez
O aumento dos lançamentos elevou a oferta de imóveis novos em Porto Alegre. Em abril, o estoque chegou a 5.531 unidades, crescimento de 25% em relação ao mesmo período de 2025.
Os compactos lideram a expansão da oferta. A participação de studios e apartamentos de um dormitório no estoque passou de 30% para 39%, com maior concentração nos bairros Menino Deus e Petrópolis.
“O estoque cresceu porque Porto Alegre voltou lançar e não deixou de vender. É um estoque controlado porque tem uma liquidez muito boa”, observa Rafael Garcia.
Para corretores e investidores, o cenário sinaliza maior disponibilidade de produtos sem indícios de excesso de oferta, mantendo a velocidade de comercialização em níveis considerados saudáveis.
Imóveis maiores concentram o valor das vendas
Embora os lançamentos sejam dominados pelos imóveis compactos, os apartamentos de três e quatro dormitórios continuam liderando o faturamento do setor. Entre janeiro e abril, eles responderam por 62% do Valor Geral de Vendas (VGV).
Segundo o Sinduscon-RS, mesmo com redução no volume de unidades comercializadas nos últimos anos, o valor financeiro das vendas permanece elevado devido à valorização dos imóveis. O preço do metro quadrado aumentou 11% entre 2024 e 2025.
Nos últimos quatro anos, o mercado movimentou entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões anuais. No primeiro quadrimestre de 2026, o VGV atingiu R$ 1,49 bilhão, patamar semelhante ao observado nos anos anteriores.
“Tudo indica que vai seguir na sua média. No segundo semestre sempre acelera mais”, diz o presidente da entidade.
Para investidores, os dados reforçam a continuidade da valorização dos ativos imobiliários na Capital, especialmente em segmentos de maior padrão.
Setor projeta novos empreendimentos para 2026
Levantamento realizado com incorporadoras que atuam em Porto Alegre aponta a previsão de 59 novos empreendimentos para lançamento ainda em 2026.
“Muitos desses lançamentos não saem do papel, mas em comparação com a sondagem anterior, de 2025, o mercado projeta mais empreendimentos, porém com menos apartamentos por projetos. Isso identifica uma mudança estratégica nas empresas”, observa Garcia.
A estratégia reflete o aumento dos custos da construção, a manutenção dos juros em patamares elevados e os impactos da guerra no Oriente Médio sobre insumos derivados do petróleo, como o PVC.
Mesmo diante desses desafios, a maioria das incorporadoras consultadas acredita em estabilidade do mercado, com perspectiva de crescimento nos próximos meses.
Quer continuar atualizado sobre o mercado imobiliário? Então inscreva-se na nossa Newsletter. Todas as terças e sextas, às 7:15, nós enviamos no seu e-mail as principais notícias do mercado imobiliário. Vejo você lá!
Informações retiradas de Zero Hora


Ad

