A valorização acelerada dos imóveis no litoral norte de Santa Catarina tem ampliado a atuação do mercado de luxo para cidades vizinhas de Balneário Camboriú, como Balneário Piçarras e Penha. O movimento ocorre em um cenário de escassez de terrenos e aumento dos preços nas principais cidades da região.
Segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica, Balneário Camboriú, Itapema e Porto Belo concentram o segundo maior estoque de imóveis novos do país, atrás apenas da cidade de São Paulo, apesar de somarem população de 246,7 mil habitantes.
De acordo com o índice FipeZap, Balneário Camboriú registrou, em abril, o metro quadrado residencial mais caro do Brasil, com média de R$ 15.185. Itapema aparece em segundo lugar, com R$ 15.179 por metro quadrado, enquanto Itajaí ocupa a quinta posição, com R$ 13.166. Em São Paulo, a média foi de R$ 12.019.
“A população em BC aumenta entre 5 e 6 vezes durante a altíssima temporada”, afirma Fábio Araújo, CEO da Brain.
A expansão do mercado tem atraído novos grupos investidores. Um deles é a incorporadora Boutig, criada pelas famílias Sigel e Pozzobon, que prevê projetos em Itapema e Balneário Piçarras. Os empreendimentos devem somar Valor Geral de Vendas (VGV) entre R$ 1,1 bilhão e R$ 1,3 bilhão.
O primeiro projeto será lançado em Itapema, em uma torre de 51 andares. O segundo, em Balneário Piçarras, prevê três torres. O lançamento está previsto para o próximo ano.
Segundo Araújo, Piçarras e Penha representam a nova frente de expansão do mercado imobiliário regional, após a consolidação de Balneário Camboriú, Itajaí, Itapema e Porto Belo.
O estudo da Brain mostra ainda que 53% das unidades novas disponíveis em Balneário Camboriú custam mais de R$ 4 milhões. Em Itapema, há 999 imóveis acima desse valor, o equivalente a 11% do estoque.
Araújo afirma que não vê sinais de bolha imobiliária na região.
“Ouço falar de bolha em BC e Itapema há 15 anos. Seria preocupante se tivesse queda nas vendas, mas estão estáveis, não existe problema”, diz.
No primeiro trimestre, as vendas de imóveis novos em Balneário Camboriú recuaram 0,5% na comparação anual. Em Itapema, a queda foi de 54%. Já os lançamentos caíram 8% e 54%, respectivamente.
Segundo a Brain, 35% dos compradores são de cidades catarinenses como Joinville, Blumenau e Jaraguá do Sul. Outros 30% vêm de Curitiba, 10% de São Paulo e 15% do Centro-Oeste.
O mercado da região segue majoritariamente nas mãos de incorporadoras locais, impulsionado por modelos de venda com financiamento direto e permutas.
“Tem participação grande de venda direta do incorporador para o cliente, em 60 meses, e muito incorporador aceita permuta de apartamento, casa, lote, carro”, afirma Araújo. “Como um incorporador tradicional vai competir em um mercado no qual ele não consegue vender da mesma maneira?”
Para incorporadores e investidores, o avanço para cidades vizinhas indica uma nova etapa de expansão do litoral catarinense, com maior disponibilidade de terrenos e potencial de valorização em municípios ainda menos adensados.
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Informações retiradas de Ana Luiza Tieghi para a Valor Economico


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