Geração Z adia compra do imóvel diante de juros altos e renda pressionada

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O sonho da casa própria continua presente entre os jovens brasileiros, mas o cenário econômico tem dificultado o acesso ao mercado imobiliário. Juros elevados, alta nos preços dos imóveis e perda de poder de compra impulsionam o crescimento do aluguel e fortalecem a chamada Geração Canguru, formada por adultos que permanecem mais tempo na casa dos pais.

Pesquisa da Ipsos encomendada pelo QuintoAndar, realizada com 2.485 brasileiros entre agosto e setembro de 2025, mostra que 47% da Geração Z afirmam não ter recursos para entrada ou financiamento imobiliário. Outros 30% apontam o preço elevado dos imóveis como principal obstáculo, enquanto 21% citam os juros altos. Além disso, 37% dizem que gostariam de economizar, mas têm a renda consumida pelas despesas mensais.

O impacto já aparece nos indicadores habitacionais. Dados da IBGE mostram que a participação dos domicílios alugados subiu de 18,4% em 2016 para 23,8% em 2025. No mesmo período, os imóveis próprios quitados caíram de 66,7% para 60,2%. Em números absolutos, a população vivendo de aluguel passou de 12,2 milhões para 18,9 milhões de brasileiros, crescimento de 55%.

Para o mercado imobiliário, o avanço da locação amplia oportunidades em ativos residenciais voltados à renda, ao mesmo tempo em que pressiona incorporadoras e corretores a adaptarem produtos ao menor poder de compra da classe média.

Os preços dos imóveis seguem em alta. Segundo o Índice FipeZAP, citado pela InfoMoney, os imóveis residenciais acumulam valorização de 6,52% em 2025, segunda maior alta dos últimos 11 anos. O preço médio nacional chegou a R$ 9.611 por metro quadrado em dezembro. Em 2024, a valorização foi de 7,73%, maior variação anual desde 2013 e acima da inflação de 4,64%.

Nem o aluguel oferece alívio. O valor médio da locação saltou de R$ 30,37 por metro quadrado em março de 2020 para R$ 52,34 em março de 2025, avanço de 72% em cinco anos.

Com isso, cresce o número de jovens adultos que permanecem na casa dos pais. Segundo o IBGE, um em cada quatro brasileiros entre 25 e 34 anos ainda vive com a família, proporção superior à registrada há 12 anos. O fenômeno é mais comum entre homens e mais concentrado no Sudeste, região de maior custo de vida.

O movimento também é observado em outros países. Nos Estados Unidos, levantamento da Harris Poll com dados da Bloomberg aponta que 45% dos adultos entre 18 e 29 anos vivem com a família, maior percentual desde a década de 1940. Além disso, 74% dos entrevistados acreditam que os jovens enfrentam condições econômicas que dificultam alcançar estabilidade financeira.

Apesar das restrições econômicas, o imóvel próprio continua sendo objetivo relevante para as gerações Y e Z. Estudo publicado em 2025 por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) mostra que os jovens passaram a valorizar mais mobilidade, flexibilidade e experiências de curto prazo, diferentemente dos boomers e da geração X, que associavam imóvel à segurança patrimonial e ascensão social. Ainda assim, 95% dos entrevistados afirmam desejar adquirir um imóvel até a terceira idade.

O financiamento imobiliário se tornou outro fator de pressão. Com a Selic em 14,5% ao ano, as taxas de crédito imobiliário nos grandes bancos variam entre 11% e 12% ao ano, além da Taxa Referencial (TR). Isso aumenta o valor das parcelas, reduz o acesso ao crédito e exige renda mais elevada para aprovação.

A entrada também pesa no orçamento. Atualmente, os bancos financiam entre 65% e 70% do valor do imóvel, exigindo pagamento à vista do restante, além de custos adicionais como escritura, cartório e ITBI. Em um cenário de inflação persistente e aluguel elevado, reunir esse capital se tornou mais difícil para a classe média.

Enquanto o programa Minha Casa, Minha Vida segue aquecido e pode atingir recorde de 600 mil unidades vendidas, segundo a Abecip, o financiamento via Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), principal linha usada pela classe média, recuou mais de 20% em 2025.

Para investidores e incorporadores, o cenário reforça a demanda por imóveis compactos, locação residencial e modelos habitacionais mais flexíveis. Já para compradores, o aluguel e a permanência na casa dos pais deixaram de ser apenas escolhas de estilo de vida e passaram a representar necessidade financeira.

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Informações retiradas de Caroline Oliveira à Exame



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