Depois de um começo de ano marcado pela cautela dos bancos e pela forte saída de recursos da poupança, o mercado de crédito imobiliário voltou a ganhar força em abril de 2026. Os financiamentos realizados com recursos da poupança pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) somaram R$ 16,98 bilhões no mês — o maior volume já registrado para abril na série histórica da Abecip.
Os dados divulgados pela entidade mostram crescimento de 35,2% em relação a abril de 2025, apesar de uma leve retração de 8,1% na comparação com março deste ano, quando o volume financiado havia alcançado R$18,5 bilhões.
Além do avanço no valor financiado, o número de imóveis atendidos também apresentou forte expansão. Em abril, foram financiadas 55,5 mil unidades entre aquisições e construções, alta de 54,4% frente ao mesmo período do ano passado e avanço de 1,5% sobre março.
O desempenho representa o melhor resultado dos últimos 19 meses. Até então, o maior número de operações havia sido registrado em setembro de 2024, com 57,1 mil imóveis financiados.
Recuperação após início de ano mais fraco
Os números reforçam uma mudança importante no cenário observado no início de 2026. Em fevereiro, o mercado ainda enfrentava retração no crédito imobiliário e forte saída líquida de recursos da poupança, o que limitava a capacidade dos bancos de conceder novos financiamentos.
Agora, os indicadores começam a apontar uma retomada mais consistente do setor. Em janeiro, por exemplo, os financiamentos somaram R$ 12,1 bilhões. Já em março, o volume havia ficado em R$ 11,8 bilhões.
No acumulado entre janeiro e abril, os financiamentos com recursos da poupança atingiram R$ 59,4 bilhões, crescimento de 17,7% em comparação com o mesmo período de 2025. No total, 180,9 mil imóveis foram financiados no quadrimestre, avanço de 25,3% na comparação anual.
Indicadores de longo prazo ainda mostram desaceleração
Apesar da melhora recente, os números de longo prazo indicam que o mercado ainda não retomou totalmente o ritmo observado em anos anteriores.
Considerando os últimos 12 meses encerrados em abril de 2026, houve queda de 6,9% no número de imóveis financiados e retração de 9,7% no volume financeiro em relação aos 12 meses imediatamente anteriores.
Entre maio de 2024 e abril de 2025, foram financiadas 530,7 mil unidades. Já no período entre maio de 2025 e abril de 2026, esse número caiu para 494,2 mil imóveis. O volume financeiro também recuou, passando de R$ 183 bilhões para R$ 165,2 bilhões.
Poupança volta a registrar entrada líquida
Outro dado que chamou atenção no mês foi a recuperação da poupança SBPE, principal fonte de recursos utilizada pelos bancos para financiar imóveis.
Em abril, os depósitos superaram os saques em R$ 499 milhões, marcando a primeira captação líquida positiva do ano. No mesmo mês de 2025, o sistema havia registrado retirada líquida de R$ 4,3 bilhões.
Mesmo assim, o saldo acumulado de 2026 ainda permanece negativo em R$ 31,5 bilhões. Apesar disso, a perda é menor do que a registrada no mesmo período do ano passado, quando a saída líquida somava R$ 38,9 bilhões.
Segundo a Abecip, ao longo dos últimos 32 anos, apenas nove meses de abril registraram captação positiva da poupança SBPE.
O saldo total das cadernetas chegou a R$ 753,8 bilhões em abril, com crescimento de 0,7% em relação a março e leve alta de 0,18% na comparação anual.
Recursos livres também avançam
As operações de financiamento imobiliário com recursos livres — modalidade que não segue as regras do SBPE ou do FGTS — movimentaram R$ 1,52 bilhão em abril.
O valor representa queda de 24,7% frente a março, mas leve crescimento de 1,2% na comparação com abril de 2025.
No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, os financiamentos com recursos livres somaram R$ 7,18 bilhões, alta de 5,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
Em quantidade de imóveis, foram financiadas 39,6 mil unidades no quadrimestre, avanço de 2,6% na comparação anual.
Os números reforçam que, apesar dos desafios enfrentados pelo setor no início do ano, o mercado imobiliário começa a dar sinais mais claros de recuperação, impulsionado pela melhora gradual da poupança e pelo aumento da demanda por financiamento habitacional.
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Informações retiradas de Portas


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