Belém se tornou a capital com maior participação de imóveis de alto padrão nos lançamentos residenciais. Em 2025, 23% das unidades lançadas tinham valor acima de R$ 2 milhões, segundo a consultoria Brain, percentual bem superior ao de cidades como Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis, todas abaixo de 10%.
Apesar da leitura inicial de um mercado aquecido no topo, o dado reflete, na prática, a baixa oferta nas demais faixas. A escassez de imóveis acessíveis reduz o volume total de lançamentos e pressiona o mercado como um todo, inclusive elevando os preços de aluguel.
No ano passado, foram lançadas apenas 1,7 mil unidades na cidade, sendo cerca de 400 acima de R$ 2 milhões.
Legislação limita novos projetos
O principal fator por trás desse cenário está nas regras urbanísticas locais. O Plano Diretor e o zoneamento dificultam a viabilidade econômica de empreendimentos voltados à baixa renda e à classe média, especialmente abaixo de R$ 750 mil.
“A legislação dificulta demais a viabilidade econômica do lançamento de projetos abaixo desse patamar,” Fábio Araújo, o CEO da Brain, disse ao Metro Quadrado.
“Belém está dificultando a compra de imóveis pelas classes média e baixa. Isso expulsa as pessoas da cidade para a região metropolitana e aumenta custos no transporte, na saúde e na educação.”
Para incorporadores, isso direciona os lançamentos para o alto padrão, onde as margens permitem viabilizar os projetos. Já para compradores, especialmente da classe média, o efeito é a redução de opções dentro da cidade.
Ausência de compactos agrava concentração
Outro ponto relevante é a falta de um mercado estruturado de imóveis compactos voltados para investimento, segmento que, em outras capitais, ajuda a equilibrar a oferta.
Em cidades como Florianópolis, esse tipo de produto tem forte presença e amplia o mix de lançamentos. Em Belém, a ausência desse nicho contribui para a concentração nas faixas mais altas, onde os projetos são mais viáveis.
Para investidores, isso limita oportunidades em produtos de maior liquidez. Para corretores, reduz a diversidade de portfólio disponível.
Alto padrão não é, de fato, dominante
Apesar da alta participação proporcional, Belém não lidera em volume relativo de imóveis de alto padrão. Quando analisado o número de unidades lançadas para cada mil domicílios de alta renda, a capital aparece apenas na 12ª posição entre as capitais.
Nesse recorte, cidades como Florianópolis, Campo Grande e Curitiba apresentam produção proporcionalmente maior.
O dado reforça que o protagonismo do alto padrão em Belém está mais ligado à ausência de oferta nos demais segmentos do que a uma demanda excepcionalmente aquecida no topo do mercado.
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Informações retiradas de Thaís Soares ao Metro Quadrado


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