O mercado imobiliário costuma mudar devagar. Mas, em 2026, ele dá sinais claros de que a lógica virou.
O dado mais recente aponta nessa direção: 49% das famílias brasileiras pretendem comprar um imóvel, o maior nível em um ano, segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica. Não é só volume. É quem está puxando esse número que importa.
A geração Z lidera a intenção de compra, com 59%. Pessoas entre 21 e 28 anos que, até pouco tempo, eram associadas ao aluguel e à mobilidade.
Esse movimento antecipa o ciclo tradicional de compra e muda a leitura do mercado. Não é mais um público que “vai chegar”. Ele já está aqui, pesquisando, comparando, visitando imóveis e, principalmente, decidindo.
Parte dessa demanda já está em estágio avançado. Hoje, 9% já pesquisam imóveis online e 5% estão em fase de visita. Além disso, 68% pretendem fechar negócio em até dois anos. Existe um estoque real de compradores em formação, ainda segundo a Brain Inteligência Estratégica.
O ponto é que não se trata apenas de mais gente querendo comprar.
É um comportamento diferente entrando no mercado. A jornada começa no digital, passa por comparação intensa, simulação e tomada de decisão mais rápida. Ao mesmo tempo, há uma combinação mais clara entre desejo de moradia e visão de investimento.
Sair do aluguel continua sendo o principal gatilho, citado por 38% dos entrevistados. Mas cresce o uso do imóvel como estratégia patrimonial, com 28% das compras voltadas para investimento, seja para alugar ou revender.
Esse movimento acontece mesmo com juros elevados. O que indica que não é um impulso pontual, mas uma demanda consistente. Existe pressão acumulada e uma geração que busca, no imóvel, algum nível de previsibilidade em um cenário historicamente instável para ela.
O problema é que o mercado ainda opera com outra lógica. Foi desenhado para um comprador mais previsível, com jornada mais longa e maior tolerância a processos complexos.
Esse descompasso começa a pesar. O interesse cresceu, mas o modelo não acompanhou na mesma velocidade.
Mais do que intenção de compra, os dados apontam uma mudança de comportamento. E, como costuma acontecer, quem ajusta a leitura primeiro captura mais valor.
* As opiniões expressas pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a visão do Papo Imobiliário.
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