Suprema Corte de Israel decide a favor de mulheres poderem ler a Torah no Kotel

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É uma batalha acontecendo há décadas. Se o leitor esteve em Jerusalém até 1990, encontrou no Kotel (Muro Ocidental, das Lamentações) uma divisão simples entre o lado dos homens e das mulheres. Ao longo do tempo a administração da praça e do muro, feita por rabino específico foi endurecendo sua visão e modificando tal divisão, para cerca mais alta, depois para cerca dupla, depois para afastar um lado do outro da cerca a ponto de não permitir o toque sequer dos dedos entre homens e mulheres. De alguns anos para cá, as mulheres estavam sendo até mesmo revistadas por outras mulheres participantes da administração do local na busca por ‘objetos religiosos de culto’. A reação ao endurecimento foi o grupo “Mulheres do Muro” partir para ações judiciais que chegaram a uma possível decisão final neste momento.

Só não é tão simples quanto parece. A Suprema Corte deu 30 dias ao governo de Israel para ele encontrar e alegar uma “boa causa” explicando porque as mulheres não podem ler a Torah no Kotel. Caso o governo não consiga convencer o tribunal, a leitura estará permitida no lado feminino e as mulheres terão acesso às centenas de rolos de Torah à disposição para leitura localizados do lado esquerdo, sob a construção ao lado do muro. Por vezes as pessoas pensam: de onde os religiosos tiram tantos rolos de Torah? Será que trazem das sinagogas? Não. Ficam guardados por ali mesmo e são, digamos, públicos.

Uma das questões fundamentais relacionadas à desigualdade de sexos no Kotel é muito simples. Do lado masculino, qualquer homem judeu e não judeu tem liberdade total. Em princípio, qualquer grupo de homens judeus pode requisitar uma Torah. Mas do lado feminino isto não ocorre e às judias dos movimentos reformistas (que possuem rabinas desde o século 19), conservador e outros que leem a Torah são impedidas. Do lado feminino a regra do impedimento é para todas, não apenas para as religiosas ou ortodoxas que não desejam ler a Torah.

As pesquisas são claras: 62% da população israelense apoiam as mulheres que desejam rezar e ler a Torah no Kotel enquanto 81% dos ortodoxos e 95% dos ultra-ortodoxos não aceitam, o que chega a ser surpreendente pois já não há unanimidade na oposição.

O rabino Shmuel Rabinovicth, o rabino do Kotel e Bibi Netanyahu acendendo as velas de Chanucá

O caso judicial da OWOW (Original Women of the Wall) é bem montado. Afirma que a decisão do atual rabino do Kotel, Shmuel Rabinovitch, impedindo a Torah no lado feminino, mesmo as trazidas pelas próprias mulheres, tomada há 14 meses apenas, viola a lei israelense contra a discriminação de acesso ou uso de propriedades públicas e reafirma que o Kotel “não é uma sinagoga, mas um espaço sagrado público.” A advogada da OWOW também afirma que não cessará a luta para contestar qualquer tentativa de autoridades rabínicas em legislar além das atribuições delas passando sobre leis do Estado.

A regulamentação publicada pela Suprema Corte possui três itens.

1) A solução criada pelo governo em janeiro de 2016 de implementar uma área livre para mulheres e sem separação entre homens e mulheres na Arca de Robinson, apesar de ser divulgada até mesmo com desenhos arquitetônicos de como iria ficar, não foi implementada. Esta solução resolveria a questão, mas a opção do próprio governo foi a de não criar no terreno o que decidiu no gabinete.

2) Os empregados do Kotel devem interromper imediatamente as revistas pessoais nas mulheres visitando o local, exceto pelas checagens de segurança necessárias.

3) As regulamentações do que as mulheres podem fazer em sua área do Kotel estão conflitantes. O rabino Rabinovitch aceita o uso de talitot (xales  rituais) e tefilim (filatérios), mas proíbe os rolos de Torah. Se o governo não conseguir convencer a corte em 30 dias sobre a manutenção da proibição, a leitura da Torah do lado feminino estará automaticamente liberada.

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