Em Wuhan, comerciantes protestam contra preços dos aluguéis após fim do bloqueio

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PEQUIM — Dezenas de pequenos comerciantes protestaram do lado de fora de um dos maiores shoppings de Wuhan, na sexta-feira, para exigir o fim do pagamento do aluguel, um dos primeiros sinais de inquietação desde que as autoridades suspenderam o bloqueio no epicentro do surto do coronavírus, na última quarta-feira. A manifestação, mesmo que pequena, revela os desafios que o presidente Xi Jinping enfrenta para levar de volta ao trabalho milhões de pessoas, ao mesmo tempo em que tenta evitar uma segunda onda de infecções.

A cerca de um metro de distância da entrada do centro comercial Grand Ocean, os manifestantes, pequenos proprietários, protestavam usando máscaras e segurando cartazes, enquanto a polícia observava de longe. Um dia antes, eles publicaram dezenas de vídeos com pedidos como “isentar aluguel por um ano ou reembolsar o aluguel” na rede social chinesa Sina Weibo, que foram rapidamente censurados. A maioria não tinha negócios antes do surto da doença, que já matou mais de cem mil pessoas no mundo, e apareceu pela primeira vez na cidade chinesa.

“Não posso sobreviver”, dizia a placa de uma mulher que alugou um estande no centro comerical, pedindo ao proprietário que devolvesse o aluguel e o depósito de segurança pagos durante o período do bloqueio.

Outro manifestante disse que a polícia havia agredido manifestantes durante um protesto na quarta-feira. Apesar do fim do bloqueio, a maioria dos bairros da cidade ainda enfrenta restrições severas ao movimento de pessoas e há pouca movimentação comercial.

Uma carta publicada on-line na semana passada por mais de 160 empresas também pedia ao governo descontos no aluguel e assistência como empréstimos e apoio salarial, argumentando que o vírus e seus efeitos posteriores representam “uma ameaça de extinção” para mais de 80 mil negócios. Além disso, há o estigma social enfrentado por pacientes recuperados.

— Embora a epidemia possa estar terminando, para alguns grupos de pessoas o trauma pode estar apenas começando — afirmou Du Mingjun, que montou uma linha direta de saúde mental 24 horas quando o bloqueio começou.

A reabertura de Wuhan ocorreu após apenas três novos casos de coronavírus terem sido registrado na cidade nas últimas três semanas e um dia após a China não ter relatado novas mortes pela primeira vez desde janeiro. No início da crise, Xi alertou que o vírus representava uma ameaça à “estabilidade social” na China e, desde então, vê tensões surgirem tanto internamente quanto com os Estados Unidos, seu principal mercado de exportação.

No dia 23 de janeiro, as autoridades chinesas isolaram o centro industrial de 11 milhões de pessoas, numa tentativa de limitar a propagação do surto. À época, muitos de fora viam a medida como um passo extremo, que só poderia ser tomado em um sistema autoritário como o da China. Mas, com o agravamento da epidemia, governos de todo o mundo promulgaram uma variedade de restrições rigorosas aos movimentos de seus cidadãos.

A primeira morte provocada pela doença foi notificada no dia 11 de janeiro. Desde então, o governo chinês afirma que 3.331 pessoas morreram em decorrência da nova pneumonia viral, um balanço que alguns países acreditam ser subestimado. De acordo com os números oficiais, cerca de 82 mil pessoas foram infectadas no país, mais de 60% em Wuhan.

Fonte: O Globo

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