Dimensão dada às facções é desmedida, diz Andrei Rodrigues

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Bola no chão

A dimensão dada às facções criminosas pela imprensa brasileira é exagerada, na opinião do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A maioria dos crimes imputados a essas organizações, segundo ele, não está vinculada a uma grande ação orquestrada.

Andrei Rodrigues considera exagerada a importância dada às facções

“É claro que há preocupação. Nós não vamos jamais baixar a guarda, mas, às vezes, esse estado de pânico que tentam criar não se adequa à realidade brasileira para investigação”, disse ele. De acordo com Rodrigues, pessoas que querem se projetar na mídia tentam supervalorizar a ação das facções, quando nem sempre elas têm algo a ver com o crime. E isso atrapalha a ação da polícia.

“Isso só vem de encontro ao que nós precisamos, que é cada vez mais a integração, o fortalecimento das instituições, com competência legal para atuar, é a cooperação interna e internacional, a preparação dos policiais e dos servidores. É preciso botar a bola no chão e tratar as coisas como elas são.”

O diretor-geral da PF fez essas ponderações em entrevista que faz parte da série Fibe Conversa, promovida pelo Fórum de Integração Brasil Europa (Fibe). O bate-papo ocorreu na última semana, em Lisboa, durante o II Fórum Futuro da Tributação.

Acordos contra o crime

Apesar dessa visão crítica da atuação da imprensa sobre o tema, Andrei Rodrigues não nega que a expansão das facções criminosas é uma realidade. Para combater esse problema, a PF tem atuado em conjunto com as polícias estaduais e fortalecido seu trabalho nas regiões de fronteiras, onde os agentes federais aumentaram a fiscalização. No exterior, o órgão mantém alianças com todos os países da América Latina e com nações de outros continentes.

“Isso cria uma rede importante de interlocução, como, por exemplo, aqui em Portugal. Fizemos, há pouco, um trabalho junto com a polícia portuguesa, em que foi apreendido um submarino com seis toneladas de drogas.”

Rodrigues salientou que os acordos internacionais possibilitam o uso de ferramentas importantes pela PF. Um exemplo é o Sistema Rapina, fornecido pela polícia portuguesa para investigar abuso sexual de crianças e adolescentes e lavagem de dinheiro.

Fraudes bancárias

De acordo com Andrei Rodrigues, a inteligência artificial tem sido usada pela Polícia Federal para aprimorar as investigações de fraudes bancárias. A IA, utilizada por profissionais preparados, permite aglutinar vários inquéritos policiais que levam a um único criminoso (que, por vezes, está por trás de ataques contra muitas pessoas).

Com a Diretoria de Crimes Cibernéticos, segundo ele, foi possível estabelecer um olhar mais específico sobre delitos como fraudes financeiras e abusos contra crianças e adolescentes.

“Não adianta ter só tecnologia e não ter a cooperação, não ter equipamentos, não ter o pessoal capacitado. Eu preciso ter um conjunto de vetores, associado à permanente atualização legislativa, que nos leve a melhorar o nosso enfrentamento.”

Clique aqui para assistir à entrevista ou veja abaixo:

 





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