Juliana Ormastroni de Carvalho Santos
Batem à porta. Vou ver quem é. Espio. É o medo. Chamo a consciência para consultar. Ela me diz: “não há o que temer. Qualquer coisa que ocorrer, estaremos juntas. Vamos enfrentar.” recebo o medo , mas ele não passa da entrada. Explico-lhe a situação. Ele vai embora.
Batem à porta. É a esperança. Abro-lhe um sorriso e dou-lhe um abraço afetuoso. Não preciso convidá-la. Ela invade minha casa como o vento e ultrapassa os limites da janela.
Batem à porta: ansiedade. Pergunto lhe o porquê da sua visita. Ela me lembra das inúmeras tarefas, compromissos, a procrastinação e já me causa angústia com tudo isso. Digo lhe que vou me organizar, estabelecer prioridades, deixar de lado o desnecessário. Frente a essa decisão, não posso fazer lhe sala. Ela segue sorrateira e promete voltar. Por minha vez, prometo que não encontrará as coisas com atraso. Porta que se fecha.
Batem à porta. É a fé a companheira gratidão. Passamos a tarde juntas e convido-as para morarem comigo. Abro para elas quarto do coração. Nova alegria elas trazem para essa casa.
Esmurram a porta. Assusto-me e já vou olhar com desconfiança. Negatividade e desesperança. Atendo-as, elas também precisam de atenção. Conto-hes que minhas novas moradoras não combinam com elas e, se quiserem, podem se transformar e juntar-se a nós. Elas são resolutas: não. Eu sou resoluta: adeus.
Batem a porta. Sou eu. Que alegria ter me aqui! Agora a festa está completa! Eu, fé, esperança, gratidão. A festa vai até tarde: conversa sem fim, risadas, lembranças, planos futuros. Amanhece. A luz branca da manhã coroa esse reencontro e eterniza-o. Abro a porta para receber o dia. Abro a mente para encarar a vida. Há muito trabalho pela frente: aprender a posicionar-se, agir, desconfiar de crenças, enfrentar o medo… abro a porta para o que for favorável a tais enfrentamentos. Porta aberta, casa limpa, mente e corpos dispostos. O dia começa. A vida recomeça com novos propósitos. E a porta estará aberta para o que / quem decidir recomeçar comigo.



