“Toda vez que supero um medo, toda vez que faço algo diferente eu penso: será que minha mãe estaria orgulhosa de mim? Será que ela falaria de mim com os olhos brilhando? Será que me admiraria pela mulher que me tornei”?
Pois é… Eu. Sheìla. Fiona. Sheilinha. Sheiloka, 34 anos afirmo e reafirmo que das maiores dores podemos ressignificar e viver as maiores alegrias.
Tinha uma rotina louca até os 30 anos, trabalhava, terminara uma faculdade de manhã e estava no final da outra à noite. Pensava em juntar dinheiro pra garantir uma boa velhice pra minha mãe e pra “garantir a boa saúde da família” que um dia espero construir… Sim, não me dava folga, nem espaço. Parei de sair – me arriscava na musculação ou corria no Ibirapuera de vez em nunca; só viajava para o Sul visitar minha família e trabalhava, trabalhava e trabalhava contando com um futuro que nunca chegaria. Minha mãe fez a sua passagem quando eu estava com 30 anos e ela com 50, foi quando parei meu mundo. 7 dias me chamaram à vida, enquanto minha mãe era chamada ao regresso do lar, aos céus. Por alguns meses resolvi questões ligadas ao inventário e depois fui passar um tempo na Europa; seguindo os conselhos da minha mãe – “para de trabalhar um pouco e vai viver, vai viajar… você pensa de mais”! Fui passar lá meu aniversário de 31, assim como o de 32 e vi minha vida tomando um novo formato. De uma trip à outra, sempre com o coração em reconstrução e a alma renovando-se do amor que o mundo me ofertou quando eu mais precisei, mudei.
Londres, Paris, Peru, Paraguai, EUA, Brasil, México, foram alguns dos países que me acolheram… Que ficaram com algo meu e me deixaram muito de si; sou grata!
Peguei as sementes de dor que estavam em mim e reguei-as com amor e com a ajuda deste mundão que é danado de mais de bonito, de acolhedor floresceram histórias, contos, causos, aprendizados e ensinamentos. Surgiram amigos, novos endereços e outras possibilidades.

Degustei e me apaixonei pelo Crossfit, por mergulho esportivo, trekking, trilhas, escaladas e rapeis. Cachoeiras, montanhas, árvores, pirambas, atoleiros, mar, serrado, rafiting, entre outros…
Que jornada… É só o início, com certeza!
Ressignifiquei minha perda, a maior perda que tive – minha truita, que me gerou e me deu a vida que tanto amo; minha mãe. Se muitas vezes ainda sinto esse aperto no peito, é Pq tivemos a oportunidade de nos tornarmos amigas antes dela partir. Se sorrio todos os dias é Pq tenho muitas histórias engraçadíssimas dela, dela/comigo e da nossa família pra passar adiante num futuro próximo.
Sou grata Pq tive uma mãe; muito grata. Mesmo sendo muito pouco o tempo que passamos juntos; ele foi suficiente para torná-la inesquecível! Aprendi a agradecer pelo pouco que tive e que tenho, agradecer pelas pequenas coisas e momentos afinal Pq ter muito se o “pouco” não é valorizado? Terei muito mais de tudo, com certeza.
E meu coração sempre levará a imagem da minha mãe… Espero ser a filha que ela merece ter; uma filha que ela se orgulhe de onde quer que ela esteja!
Namaste
??♥️
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