Ibovespa recua em semana de turbulência econômica e resultados mistos no mercado global

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Semanalmente, o índice registra queda de 0,1% em reais e 1,4% em dólares, atingindo 127.492 pontos

Na semana passada, o Ibovespa registrou uma queda de 0,1% em reais e 1,4% em dólares, encerrando o período com 127.492 pontos. O cenário global foi marcado por dados econômicos dos EUA melhores do que o esperado. O PCE de junho superou expectativas, e tanto o PIB do segundo trimestre quanto a prévia do PMI vieram acima das previsões, fortalecendo a economia americana.

No mercado de ações, houve uma rotação significativa do setor de tecnologia para papéis cíclicos, especialmente após balanços decepcionantes que derrubaram o Nasdaq em 2,6% e o S&P 500 em 0,8%. Em contrapartida, o Russell 2000, índice das small-caps americanas, subiu 1,8%, refletindo um movimento positivo no segmento de empresas menores.

No Brasil, o foco esteve no relatório bimestral de receitas e despesas, que confirmou um congelamento de R$ 15 bilhões em gastos. Adicionalmente, o IPCA-15 superou as expectativas, pressionando ainda mais a economia doméstica. A privatização da Sabesp (SBSP3) foi concluída com sucesso, gerando R$ 14,8 bilhões pela venda da participação acionária de 32% do governo de São Paulo, resultando em uma alta de 15,8% das ações em julho.

Entre os destaques da semana, a Hapvida (HAPV3) subiu 7,5% devido a uma recuperação técnica, enquanto a Usiminas (USIM5) despencou 25,6% após apresentar resultados decepcionantes no segundo trimestre de 2024.

Renda fixa e mercados globais

Taxas de juros futuras apresentam forte abertura, refletindo tensões no mercado

No comparativo semanal, os juros futuros encerraram com uma forte abertura ao longo de toda a curva, destacando-se os vértices intermediários. O diferencial entre os contratos com vencimento em janeiro de 2026 e 2034 caiu de 64,90 pontos-base para 39,50 pontos-base, resultando em uma perda de inclinação da curva. As taxas de juros reais também aumentaram, com os rendimentos dos NTN-Bs consolidando-se em níveis próximos a 6,30% ao ano.

Nos mercados globais, os futuros dos EUA abriram em alta nesta segunda-feira, com o S&P 500 subindo 0,4% e o Nasdaq 100, 0,6%, antecipando uma semana intensa de divulgação de resultados trimestrais, incluindo grandes empresas de tecnologia como Microsoft, Apple, Amazon e Meta. Na Europa, as bolsas operaram em alta, impulsionadas pela expectativa de bons resultados corporativos. Na China, as bolsas fecharam mistas, com o índice CSI 300 caindo 0,5% e o HSI de Hong Kong subindo 1,3%, liderado pelo setor de óleo e gás.

Economia dos EUA e Brasil em foco

Dados de inflação e déficit fiscal dominam as atenções

Nos Estados Unidos, o índice de despesas de consumo pessoal (PCE) mostrou uma inflação em queda, especialmente nos preços de serviços, o que aumentou as expectativas de uma possível redução nas taxas de juros em setembro. No Brasil, o Tesouro Nacional divulgou um déficit de R$ 38,8 bilhões em junho, resultando em um déficit de R$ 68,7 bilhões no primeiro semestre de 2024, o pior desde 2020. Isso coloca pressão adicional sobre o governo após o anúncio de um congelamento de gastos de até R$ 15 bilhões.

Perspectivas e declarações presidenciais

Lula reafirma compromisso com responsabilidade fiscal em meio a controvérsias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um pronunciamento em rede nacional destacando o balanço de seu governo e reafirmando o compromisso com a responsabilidade fiscal. Ele enfatizou a importância de não gastar mais do que se ganha, citando a aprovação da reforma tributária como um passo para descomplicar a economia e reduzir os preços dos alimentos.

As falas de Lula ocorrem após declarações controversas sobre a meta fiscal, que geraram inquietação no mercado financeiro. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, precisou intervir para acalmar os ânimos, anunciando um bloqueio de R$ 11,2 bilhões e um contingenciamento de R$ 3,8 bilhões no orçamento de 2024, totalizando R$ 15 bilhões.

Wederson Marinhohttps://linktr.ee/marinhobusiness
Jornalista, empreendedor e Private Broker, especialista em transações estruturadas no Brasil e no exterior. Autor dos livros Investindo no Mercado Imobiliário e O Futuro em Código, atua também como pesquisador nas áreas de finanças públicas, inteligência econômica e urbanização.
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