E vós, mulheres: sois sábias ou tolas?

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          Desde o início e o conhecimento da existência de vida humana na terra, tornou-se perceptível de que a classe feminina não possuía a mesma posição e o tratamento familiar e social em relação a classe masculina. Esta postura e aplicação prática no tratamento em relação as mulheres, perpassou a barreira temporal e até nos dias atuais, continuamos a perceber e constatar flagrantes de preconceito e discriminação quanto a esta classe social.

           Registra-se na história da humanidade, que num passado não muito distante, exigia-se das mulheres casadas, quando fossem dirigir a palavra aos seus maridos, chamar-lhes de meu Senhor e, em algumas civilizações, de meu Amo.

            

1 Pedro 3:4-6. Mas o homem encoberto no coração, no incorruptível trajo de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus. Porquanto, na antiguidade, era desse modo, que as santas mulheres que esperavam em Deus costumavam adornar-se. Elas eram dóceis cada qual para com seu próprio marido, como Sara, que obedecia a Abraão e o chamava senhor. Dela sois filhas, se praticardes o bem sem qualquer espécie de receio.

 

           O texto acima registra de forma clara, de que Sara obedecia a Abraão, o seu marido. Diante deste registro, podemos afirmar que as mulheres não poderiam proceder de forma diferente. Se o fizessem, tornava-se em flagrante ato de “desrespeito” para com a pessoa de seu esposo, principalmente se este ato fosse praticado na presença de outras pessoas.

           Outra passagem bíblica alusiva a “Obediência” que se exigida da mulher á época, principalmente em relação ao seu marido, encontra-se registrada no livro de Ester:

 

Ester 1:3-5. No terceiro ano de seu reinado (rei Assuero), fez um convite a todos os seus príncipes e seus servos (da Pérsia e da Média…), para mostrar as riquezas da glória do seu reino e o esplendor da sua excelente grandeza, por muitos dias, a saber, cento e oitenta dias. E, acabados aqueles dias, fez o rei um convite a todo o povo que se achou na fortaleza de Susã, desde o maior até ao menor, por (mais) sete dias (de festa), no pátio do jardim do palácio real (acréscimo nosso).

 

O monarca que se menciona neste texto, trata-se da pessoa do rei Assuero, que governava e liderava inúmeros povos numa grande faixa territorial (127 províncias). Outra coisa que nos despertou a atenção, foi o período de duração desta festividade, que se deu por seis meses (180 dias). Além disso, prorrogou-a por mais uma semana. No último dia da festa, ordenou a seus serviçais que trouxessem a rainha Vasti, sua esposa, que deveria estar usando a sua coroa real, para apresentá-la aos convidados: “E, ao sétimo dia, estando já o coração do rei alegre do vinho, mandou a Meumã, Bizta, Harbona, Bigtá, Abagta, Zetar e a Carcas, os sete eunucos que serviam na presença do rei Assuero, que introduzissem na presença do rei a rainha Vasti, com a coroa real, para mostrar aos povos e aos príncipes a sua formosura, porque era formosa à vista” (cf. Ester 1:10-11).

           Para aqueles que já conhecem a narrativa, Vasti não “Obedece” e nega-se a apresentar-se perante o rei, seu marido e os seus liderados. Devido a ter tomado esta atitude, ela acaba perdendo a sua condição e posição de rainha. Não iremos conjecturar os possíveis motivos que a levaram a não atender o pedido de seu marido e rei da Pérsia. Nossa intenção nesta parte inicial do artigo, não foi a de demonstrar se Sara ou Vasti, ambas na posição de esposas, agiram com sabedoria ou tolice. Mas, para deixar bem claro aos leitores e cristãos, que as mulheres deviam ser “sujeitas” a seus maridos.

 Nos parece, que nesta época, a sujeição que era exigida das mulheres, principalmente para as casadas, era tida como sinônimo de uma “subserviência” total ao marido (e aos homens). Durante muitos anos, o mundo e toda a sua população, viveu sob um período muito rigoroso em que prevalecia a figura do “Senhorio”. Em outras palavras, toda a autoridade, o poder político e social, estavam concentrados nas mãos de um Homem (um Senhor).

 Nos países de origem europeia, por bom tempo prevaleceu a pessoa do Senhor Feudal1, devido ser possuidor de grandes latifúndios e de serviçais. Enquanto que noutra época e tempo, prevaleceu no Brasil a figura do Coronelismo2. Com todo esse poder centrado numa só pessoa, num só homem, acabou por leva-lo a cometer abusos e inúmeras arbitrariedades, principalmente contra toda e qualquer pessoa do povo que viesse a desobedecer às suas ordens. E com as mulheres não foi diferente. Aliás, desta classe social, eram exigidas total obediência e submissão aos homens (e maridos). Graças a Deus, que com o avançar dos anos, este tipo de interpretação e prática familiar, social e política, veio tomando novos contornos até chegar em nossos dias.

 Atualmente, estamos buscando viver numa sociedade em que prevaleça a cooperação, o companheirismo, a igualdade social, as tomadas de decisões coletivas (após debates e o consenso) e pela ajuda mútua. Nesta nova sociedade (a nossa), deve haver a reciprocidade e a correspondência de direitos e deveres entre às pessoas, independentemente de suas posições, funções ou classes sociais. Devemos buscar o auxílio e a compreensão em nossos relacionamentos interpessoais. Infelizmente, ainda testemunhamos muitos casos em que Homens (marido, patrão, etc.), continuam abusando das mulheres, atuando como sendo os seus verdadeiros “Senhores” e “donos”, principalmente de suas esposas e/ou companheiras.

 

1. Mulheres com iniciativas Sábias:

 

          Basicamente, no desenvolvimento e continuidade de nossa abordagem, iremos estar pautados numa das palavras do sábio Salomão, quando diz assim: “Toda mulher sábia edifica a sua casa (família), mas a tola derriba-a (destrói) com as suas mãos” (cf. Provérbios 14:1). Diante disso, listamos entre as narrativas Bíblicas, atitudes tomadas por certas mulheres que podem ser interpretadas com a seguinte classificação: carregadas de grande sabedoria ou dotadas como de imensa tolice. Passemos então, a conhece-las:

 

          . Puá e Sifrá: elas eram de descendência hebreia, estavam em cativeiro egípcio e atuavam como parteiras. O rei, na tentativa de diminuir o crescimento do povo hebreu que estava cativo no Egito, determinou que as parteiras matassem os filhos homens, mas se fossem meninas, deveriam preservar-lhes a vida: “E o rei do Egito falou às parteiras das hebréias (das quais o nome de uma era Sifrá e da outra, Puá), e disse: Quando ajudardes no parto as hebréias e as virdes sobre os assentos, se for filho, matai-o; mas, se for filha, então, viva” (cf. Êxodo 1:15-16).

           As duas mulheres citadas no texto, eram tementes ao Senhor e o seu Deus, não vindo a executar esta “ordem absurda”, mesmo correndo o risco da própria morte, por parte da pessoa do rei do Egito. Entretanto, usaram um argumento inteligente quando questionadas por ele: “Então, o rei do Egito chamou as parteiras e disse-lhes: Por que fizestes isto, que guardastes os meninos com vida? E as parteiras disseram a Faraó: É que as mulheres hebreias não são como as egípcias; porque são vivas e já têm dado à luz os filhos antes que a parteira venha a elas”. A atitude que tomaram, fez com que o povo hebreu continuasse a crescer no Egito. Além disso, fez com que a ordem de Faraó fosse mudada, mas ainda era “absurda”. Ele determinou que jogassem os filhos do sexo masculino (dos hebreus), nas águas do rio Nilo (Êx. 1:18-22).

 

. Abigail: o seu nome em hebraico significa “Meu pai é alegria”. A narrativa bíblica relata que ela era casada com Nabal, o carmelita. Um homem muito rico, mas bruto e maligno. Ela era de bom entendimento (inteligente), sensata e formosa (cf. 1 Samuel 25:3). Davi, numa de suas jornadas de batalha, juntamente com seus homens, estavam muito cansados e famintos. Ele lembrou-se de que era época da tosquia de ovelhas e da pessoa de Nabal. Assim, ordenou a dez de seus homens que fossem até a casa dele e pedissem mantimentos para se alimentarem.

Nabal não atendeu ao pedido de Davi, destratou os seus liderados e negou-lhes o mantimento. Eles retornaram e disseram a Davi como ele os tratara. Ouvindo o que disseram, ele ficou muito irado e, no mesmo instante, disse-lhes: “(…) Cada um cinja a sua espada. E cada um cingiu a sua espada, e cingiu também Davi a sua; e subiram após Davi uns quatrocentos homens, e duzentos ficaram com a bagagem” (1 Sm. 25:9-13).

           No mesmo instante, um dos servos de Abigail, foi até a sua Senhora, e disse-lhe o que seu marido fizera aqueles homens. Ela, sem que ele soubesse, mandou preparar boa quantidade de mantimentos e colocar sobre os jumentos. Partindo logo em seguida para encontrar-se com Davi, pois sabia que ele viria contra a sua casa (Nabal) e que mataria toda a sua família (1 Sm. 25:18-30).

 

1 Samuel 25:32-34. Então, Davi disse a Abigail: Bendito o SENHOR, Deus de Israel, que hoje te enviou ao meu encontro. E bendito o teu conselho, e bendita tu, que hoje me estorvaste (impediste) de vir com sangue e de que a minha mão me salvasse. Porque, na verdade, vive o SENHOR, Deus de Israel, que me impediu que te fizesse mal, que se tu não te apressaras e me não vieras ao encontro, não ficaria a Nabal, até à luz da manhã, nem mesmo um menino.

 

           Esta mulher, zelando pelo bem de sua casa e de toda a sua família, inclusive de seu “perverso” marido, tratou de reparar um grande erro cometido por ele. Com isso, ela aplacou a raiva de Davi e conseguiu fazer com que ele mudasse da intenção de matá-lo e de destruir toda a sua propriedade, inclusive as crianças e todos os animais. Passados aproximadamente dez dias, Nabal veio a adoecer gravemente e morreu. Davi enviou alguns de seus homens novamente a casa de Abigail, mas desta vez, para pedir que se tornasse sua esposa. Ela aceitou e levou consigo as suas servas.

 

        . Jael: embora em circunstâncias distintas, ela também tomou uma atitude de muita coragem e sabedoria. O exército de Israel, liderado por Débora e com o auxílio de Baraque, estava em guerra contra o povo de Canaã, sob o comando de seu exército estava Sísera, representando Jabim, que era o seu rei. Eles afugentaram todos os soldados de Sisera, mas ele conseguiu fugir a pé. Em sua fuga, estando muito cansado e com sede, deparou-se com Jael. Ele, sabendo que havia paz entre o seu rei e Heber, que era seu marido, pediu-lhe abrigo.

 

Juízes 4:13-15. E Sísera convocou todos os seus carros, novecentos carros de ferro, e todo o povo que estava com ele, desde Harosete-Hagoim até ao ribeiro de Quisom. Então, disse Débora a Baraque: Levanta-te, porque este é o dia em que o SENHOR tem dado a Sísera na tua mão; porventura, o SENHOR não saiu diante de ti? Baraque, pois, desceu do monte Tabor, e dez mil homens após ele. E o SENHOR derrotou a Sísera, e todos os seus carros, e todo o seu exército a fio de espada, diante de Baraque; e Sísera desceu do carro e fugiu a pé.

 

Entrando em sua tenda, Sisera pediu-lhe duas coisas: um pouco d’água para matar a sua sede e que o escondesse, mas não contasse para ninguém que estava ali. Como estava muito cansado, caiu num sono profundo. Ela aproveitou-se deste momento, para cravar-lhe uma estaca em seu corpo e matá-lo. Logo em seguida, Jael deparou-se com Baraque que vinha seguindo a Sísera, levando-o até a sua tenda e mostrando-lhe o homem a quem procurava (Cf. Jz. 4:19-24).

 

           . Uma Mulher Anônima: outra narrativa bíblica que envolve a atuação direta de uma mulher, mas não é revelada a sua identidade, mas sim, a sua corajosa e sábia atitude. Abimeleque, filho de Gideão, declarou-se rei em Siquém. Ele convence o povo desta cidade de que seria mais vantajoso declará-lo rei, em vez de outros de seus irmãos. Com esta aprovação popular, dirigiu-se a cidade de Ofra, cidade de seu pai e de seus irmãos, vindo a mata-los: “E deram-lhe setenta peças de prata, da casa de Baal-Berite, e com elas alugou (contratou) uns homens ociosos e levianos, que o seguiram. E veio à casa de seu pai, a Ofra, e matou a seus irmãos, os filhos de Jerubaal, setenta homens” (cf. Juízes 9:4-5).

Ele reinou por um período de três anos sobre Israel. Mas, alguns homens da mesma cidade que o consagraram rei, se juntaram de forma aleivosa contra ele, em detrimento de ter matado os setenta filhos de Jerubaal, cobrando-lhe o sangue derramado de seus próprios irmãos. Foram feitas várias emboscadas para tentar mata-lo. Ele era esperto e habilidoso nas batalhas, vencendo algumas e destruindo algumas cidades. Por fim, sabendo o povo de suas bravuras e vitórias, refugiou-se dentro duma das cidades fortificadas (cf. Juízes 9:44-47).

            

Juízes 9:50-53. Então, Abimeleque foi-se a Tebes, e a sitiou, e a tomou. Havia, porém, no meio da cidade uma torre forte; e todos os homens e mulheres e todos os cidadãos da cidade se acolheram a ela, e fecharam após si as portas, e subiram ao telhado da torre. E Abimeleque veio até à torre, e a combateu, e chegou-se até à porta da torre, para a queimar. Porém uma mulher lançou um pedaço de uma mó sobre a cabeça de Abimeleque e quebrou-lhe o crânio.

 

           Abimeleque, embora tivesse larga experiência em batalhas, sendo astuto e perverso, acabou por descuidar-se e veio a se aproximar da torre de vigília da cidade, quando uma mulher lançou uma grande pedra, que veio a causar-lhe traumatismo craniano. Para não ser motivo de chacota e escárnio, por ter sido morto por uma mulher, pediu a seu pajem de armas, que lhe cravasse a espada, o que foi obedecido por ele (Cf. Jz. 9:54-55). A maldade que tinha feito contra os seus irmãos, veio agora contra ele: “todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerá” (cf. Mateus 26:52).

 

. Rute: a história que se encontra narrada no livro que leva o seu próprio nome, principalmente em seus primeiros capítulos, registra uma fatalidade que assola toda a população da cidade de Belém. Com isso, Elimeleque que era morador antigo, casado com Noemi e tendo dois filhos homens, cujos nomes eram Malom e Quiliom, resolveu buscar socorro na cidade de Moabe. Seus dois filhos se casaram com mulheres moabitas, uma de nome Orfã e a outra Rute. Depois de algum tempo que residiam nesta cidade, ocorreu outro acontecimento, pois Elimeleque morreu, deixando Noemi viúva. Depois de mais alguns dias, morreram Malom e Quiliom, deixando-se agora, as suas noras viúvas. Portanto, a família de Noemi ficou composta por três mulheres viúvas: Ela, Rute e Orfã.

 

Rute 1:1-3. E sucedeu que, nos dias em que os juízes julgavam, houve uma fome na terra; pelo que um homem de Belém de Judá saiu a peregrinar nos campos de Moabe, ele, e sua mulher, e seus dois filhos. E era o nome deste homem Elimeleque, e o nome de sua mulher, Noemi, e os nomes de seus dois filhos, Malom e Quiliom, efrateus, de Belém de Judá; e vieram aos campos de Moabe e ficaram ali. E morreu Elimeleque, marido de Noemi; e ficou ela com os seus dois filhos,

 

Eles residiram nesta nova cidade, por um período aproximado de dez anos. Noemi ficou sabendo que a situação havia se normalizado em sua terra natal, em Belém de Judá. Ela chamou as duas noras, orientando-as para que voltassem para a casa de seus pais. Órfã não pensou duas vezes, despediu-se das duas e partiu. Rute não. Ela se compadeceu da situação e sofrimento de sua sogra e tomou a iniciativa de ficar vivendo com ela, por onde ele andasse e o que ela viesse a fazer.

Embora Noemi tivesse insistido muito para que Rute tomasse a mesma atitude de Orfã, ela não quis, pois agora fazia parte de sua família. Além disso, era jovem, bonita, prendada e de boa reputação. Por ter tomado esta atitude, passou a despertar os olhares dos homens, inclusive de Boaz, um parente remidor3 de Noemi. No decorrer da narrativa deste livro, vê-se como Rute trouxe a alegria novamente para Noemi. Casou-se com Boaz, teve um filho chamado Obede e acabou por fazer parte da genealogia de Cristo (cf. Rute 2:1,19-20 e Mateus 1:5).

 

. Raabe: residia numa casa que estada edificada sobre o muro da cidade de Jericó. Seu nome significa “Insolência”. Era uma prostituta ou uma estaleira, pois recebia inúmeros homens em sua casa: “E enviou Josué, filho de Num, dois homens desde Sitim a espiar secretamente, dizendo: Andai e observai a terra e a Jericó. Foram, pois, e entraram na casa de uma mulher prostituta, cujo nome era Raabe, e dormiram ali. Então, deu-se notícia ao rei de Jericó, dizendo: Eis que esta noite vieram aqui uns homens dos filhos de Israel para espiar a terra. Pelo que enviou o rei de Jericó a Raabe, dizendo: Tira fora os homens que vieram a ti e entraram na tua casa, porque vieram espiar toda a terra” (cf. Josué 2:1-3).

Ela tinha ouvido falar sobre os hebreus, sob a liderança de Josué e de suas vitórias sobre outras cidades. Portanto, sabia perfeitamente que os homens de sua cidade viriam até a sua casa, por isso, escondeu os dois espias num local reservado da casa. Quando eles chegaram, disse-lhes que já haviam ido embora, inclusive dizendo por qual caminho eles tinham partido. Eles logo saíram em seus encalços. Ela usou desta estratégia para salvar a vida daqueles homens. Simultaneamente, fez um pacto com eles antes de partirem de volta para o seu líder. Quando viessem invadir e destruir Jericó, poupassem a sua vida, de seus pais e de toda a sua família. Eles a orientaram para estender uma fita colorida que identificasse a sua casa, pois assim, não a invadiriam e nem a destruiriam: (cf. Josué 2:7-20).

Josué 6:15-17. E sucedeu que, ao sétimo dia, madrugaram ao subir da alva e da mesma maneira rodearam a cidade sete vezes; naquele dia somente, rodearam a cidade sete vezes. E sucedeu que, tocando os sacerdotes a sétima vez as buzinas, disse Josué ao povo: Gritai, porque o SENHOR vos tem dado a cidade! Porém a cidade será anátema ao SENHOR, ela e tudo quanto houver nela; somente a prostituta Raabe viverá, ela e todos os que com ela estiverem em casa, porquanto escondeu os mensageiros que enviamos. (…). Assim, deu Josué vida à prostituta Raabe, e à família de seu pai, e a tudo quanto tinha; e habitou no meio de Israel até ao dia de hoje, porquanto escondera os mensageiros que Josué tinha enviado a espiar a Jericó.

 

Devido a atitude corajosa ao esconder os dois espias que foram enviados por Josué, em sua casa, ela salvou toda a sua família. Além disso, ela e Rute entraram para a genealogia de Cristo: “Arão gerou a Aminadabe, e Aminadabe gerou a Naassom, e Naassom gerou a Salmom, e Salmom gerou de Raabe a Boaz, e Boaz gerou de Rute a Obede, e Obede gerou a Jessé (…), e Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama o Cristo” (cf. Mateus 1:4-5,16).

 . Outra Mulher Anônima: Joabe era o comandante do exército do rei Davi. Em hebraico seu nome significa “Jeová é pai”. Um homem de nome Seba, da tribo de Benjamim, seduziu alguns homens e se rebelaram contra Davi: “Então disse Davi a Abisai: Mais mal agora nos fará Seba, o filho de Bicri, do que Absalão; por isso toma tu os servos de teu senhor, e persegue-o, para que não ache para si cidade fortes, e escape dos nossos olhos” (cf. 2 Samuel 20:6).

Joabe, juntamente com os seus homens, saíram em perseguição a Seba. Este, em sua fuga, passou por várias tribos de Israel, vindo a abrigar-se numa de suas cidades fortes, Abel de Bete-Maaca. Ele e seus homens, cercaram a cidade e intentavam derrubar suas portas, seus muros e em destruir todo o seu povo, para matar Seba. Entretanto, uma mulher e moradora desta cidade, tomou a iniciativa de negociar com Joabe, usando de muita sabedoria.

 

2 Samuel 20:15-16,19-22. E vieram, e o cercaram em Abel de Bete-Maaca, levantaram uma tranqueira contra a cidade, assim que já estava em frente do antemuro; e todo o povo que estava com Joabe batia no muro, para o derribar. Então, uma mulher sábia gritou de dentro da cidade: Ouvi, peço-vos que digais a Joabe: Chega-te cá, para que eu te fale. (…). Eu sou uma das pacíficas e das fiéis em Israel; e tu procuras matar uma cidade que é mãe em Israel; por que, pois, devorarias a herança do SENHOR? Então, respondeu Joabe e disse: Longe de mim que eu tal faça, que eu devore ou arruíne! A coisa não é assim; porém um só homem do monte de Efraim, cujo nome é Seba, filho de Bicri, levantou a mão contra o rei, contra Davi; entregai-me só este, e retirar-me-ei da cidade. Então, disse a mulher a Joabe: Eis que te será lançada a sua cabeça pelo muro. E a mulher, na sua sabedoria, entrou a todo o povo, e cortaram a cabeça de Seba, filho de Bicri, e a lançaram a Joabe; então, tocou este a buzina, e se retiraram da cidade, cada um para as suas tendas. E Joabe voltou a Jerusalém, ao rei.

 

           Com esta iniciativa dotada de inteligência, ela se comprometeu junto ao chefe do exército de Davi, de lançar a cabeça de Seba por cima do muro da cidade, o rue realmente fez. E com isso, acabou por salvar a sua própria vida, de todo o seu povo e da destruição de sua cidade.

 

           . Ester: era de origem judia e seu nome em hebraico significa “Estrela”. Mas na Pérsia, o seu nome era Hadassa, cujo significado é “Murta”. Ele tornou-se órfã e foi criada por seu primo Mardoqueu, que foi transportado de Jerusalém e passou a viver na cidade de Susã, território Persa. Era ainda jovem, de boa aparência e muito formosa: “Havia, então, um homem judeu na fortaleza de Susã, cujo nome era Mardoqueu, filho de Jair, filho de Simei, filho de Quis, homem benjamita, que fora transportado de Jerusalém com os cativos que foram levados com Jeconias, rei de Judá, ao qual transportara Nabucodonosor, rei de Babilônia. Este criara a Hadassa (que é Ester, filha do seu tio), porque não tinha pai nem mãe; e era moça bela de aparência e formosa à vista; e, morrendo seu pai e sua mãe, Mardoqueu a tomara por sua filha” (cf. Ester 2:5-7).

           Após ter sido “desrespeitado” publicamente por sua esposa, a rainha Vasti, o rei Assuero seguiu o conselho de seus príncipes, mandando buscar mulheres jovens, belas e virgens, para que ele pudesse escolher uma entre elas, que viesse a tomar o lugar de Vasti, tornando-se sua esposa e rainha da Pérsia. No decorrer do cumprimento deste Decreto Real, Ester foi uma das escolhidas entre tantas belas mulheres. Devidamente, ela foi orientada por Mardoqueu, de como deveria proceder vivendo dentro do palácio real. Depois de passar por um ano de espera e tratamento, juntamente com as demais jovens, foi a sua vez de se apresentar perante o rei. Ela foi a que mais chamou a sua atenção, passando a noite com ele e, posteriormente, veio a se tornar na rainha da Pérsia (Et. 2:8-18).

 

Ester 4:8-10. E Hamã disse ao rei Assuero: Existe espalhado e dividido entre os povos em todas as províncias do teu reino um povo cujas leis são diferentes das leis de todos os povos e que não cumpre as leis do rei; pelo que não convém ao rei deixá-lo ficar. Se bem parecer ao rei, escreva-se que os matem; e eu porei nas mãos dos que fizerem a obra dez mil talentos de prata, para que entrem nos tesouros do rei. Então, tirou o rei o anel da sua mão e o deu a Hamã, filho de Hamedata, agagita, adversário dos judeus.

 

Neste capítulo 4, do livro que leva o seu próprio nome, encontra-se registrado a atitude tomada por ela que nos chama a atenção, podendo ser interpretada como sendo de muita sabedoria. Ela soube por Mardoqueu, que todo o povo judeu corria perigo de ser destruído por Hamã. Ela apregoou um jejum de três dias, inclusive as suas moças e todo o seu povo deveria fazê-lo. O propósito deste ato, voltava-se pela iniciativa de apresentar-se perante o Rei, o seu Marido, mesmo não tendo sido chamada, pois era o costume e a tradição que deveria ser respeitada pelas esposas.

Com isso, ela colocou a própria vida em perigo: “Vai, e ajunta todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, nem de dia nem de noite, e eu e as minhas moças também assim jejuaremos; e assim irei ter com o rei, ainda que não é segundo a lei; e, perecendo, pereço” (cf. Et. 4:16). Assuero a recebeu com muito gosto e ela aproveitou para arquitetar um plano para desmascarar Hamã. Além de livrar todo o povo judeu da morte, acabou levando o rei a mandar matar o pior inimigo dos judeus. Hamã foi morto na forca que havia mandado construir para enforcar Mardoqueu. A partir deste acontecimento, os judeus passaram a ser honrados e respeitados em todas as províncias da Pérsia.

 

2. Mulheres com iniciativas Tolas:

 

Na primeira parte do artigo, procuramos dar ênfase para personagens bíblicos do sexo feminino, que tomaram atitudes um tanto quanto arriscadas, mas corajosas e dotadas de sabedoria. Nesta segunda parte, daremos sequência de outras atitudes que também foram realizadas por mulheres, mas que não estavam revestidas de sensatez e nem de sabedoria. Antes, vale esclarecer de que o termo “Tola (o)” tem muitos adjetivos e significados que são usados diariamente em nossos dias.

Por isso, gostaríamos de apresentar alguns deles: a) o termo pode ser usado para identificar alguém que não apresenta nexo naquilo que fala e com o que faz. Algo que é ridículo, infundado e que não tem razão de ser; b) O tolo pode ser interpretado como uma pessoa que age com ingenuidade ou com o comportamento revestido de tolice (ou imbecilidade); c) Pode ser também aquele indivíduo que expressa vaidade exagerada, que é presunçoso e muito orgulhoso.

Gostaríamos de chamar a atenção dos leitores, de que no Brasil é muito comum usar esta expressão, como sendo uma linguagem popular através de gírias regionais. Dito de outra forma, são usadas palavras sinônimas em que, muitas vezes, são traduzidas numa forma depreciativa; tais como: abestado, babaca, bocó, panaca, cabeça de bagre, mané, leso, abobado, palerma, paspalhão, entre outros. Agora sim, vamos conhecer algumas mulheres que tomaram certas atitudes, que podem ser interpretadas como sendo de pura “tolice”.

. Eva: ela foi, depois da criação do homem Adão, a primeira mulher a ser formada por Deus, inclusive sendo usada uma parte da composição corporal dele: “E disse o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele. (…). Então, o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e cerrou a carne em seu lugar. E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem formou uma mulher; e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada” (cf. Gn. 2:18,21-22).

Infelizmente, a companheira e ajudadora criada por Deus para Adão, acabou por se deixar seduzir pela “lábia” astuta da serpente (simbolismo de nosso adversário, o diabo) e, com isso, tomou uma atitude insensata que trouxe consequências graves para si mesma. O pior não foi só isso, ela acabou induzindo seu marido e companheiro, a cometer um erro gravíssimo: vir a desobedecer à ordem emanada do próprio Senhor e Deus.

 

Gênesis 2:8-9,15-17. E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs ali o homem que tinha formado. E o SENHOR Deus fez brotar da terra toda árvore agradável à vista e boa para comida, e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal. (…). E tomou o SENHOR Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar. E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

 

Adão, juntamente com a sua mulher, comeram do fruto “proibido”, sofrendo na “pele” pelo cometimento do pecado da desobediência. Entretanto, isto não foi o pior, pois através desta atitude revestida de completa insensatez, fez com que entrasse o pecado e a morte no mundo. Em outras palavras, a longevidade do ser humano na terra não seria mais eterna, ou seja, agora ela teria uma limitação contada por um período em anos (cf. Salmos 90:9-10).

 

. A Esposa de Ló: queremos acreditar que a maioria dos leitores conheçam bem esta história. Ló, sobrinho do patriarca Abraão, havia se separado dele, vindo a morar na cidade de Sodoma e próximo de Gomorra. Nestas duas cidades, havia muita licenciosidade, prostituições, idolatria e outros tantos comportamentos que desagradavam muito a Jeová. A perversão era tamanha que cheirava mal diante dos olhos do Senhor. Com isso, Ele enviou os seus anjos para destruí-las totalmente, mas antes, deu-lhes a missão de avisar a Ló sobre a Sua ação e tirá-lo de lá com a sua família.

 

Gênesis 19:1,12-13. E vieram os dois anjos a Sodoma à tarde, e estava Ló assentado à porta de Sodoma; e, vendo-os Ló, levantou-se ao seu encontro e inclinou-se com o rosto à terra. (…). Então, disseram aqueles varões a Ló: Tens alguém mais aqui? Teu genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens nesta cidade, tira-os fora deste lugar; pois nós vamos destruir este lugar, porque o seu clamor tem engrossado diante da face do SENHOR, e o SENHOR nos enviou a destruí-lo.

 

Esses enviados de Jeová, deixaram bem claro para eles, de que na saída da cidade, não poderiam olhar para trás. Infelizmente, a esposa de Ló acabou por “desobedecer” esta advertência e, com isso, foi transformada numa estátua de sal: “Ele, porém, demorava-se, e aqueles varões lhe pegaram pela mão, e pela mão de sua mulher, e pela mão de suas duas filhas, sendo-lhe o Senhor misericordioso, e tiraram-no, e puseram-no fora da cidade. E aconteceu que, tirando-os fora, disse: Escapa-te por tua vida; não olhes para trás de ti e não pares em toda esta campina; escapa lá para o monte, para que não pereças. (…). E a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida numa estátua de sal” (cf. Gn. 19:16-17,26).

. As Duas Filhas de Ló: elas, juntamente com o seu pai, escaparam de uma morte terrível e foram morar primeiramente na cidade de Zoar. Percebendo que esta cidade não lhe traria segurança e proteção familiar, Ló foi abrigar-se num monte com suas filhas. Na verdade, resolveram ficar dentro de uma caverna: “E subiu Ló de Zoar e habitou no monte, e as suas duas filhas com ele, porque temia habitar em Zoar; e habitou numa caverna, ele e as suas duas filhas” (verso 30). A sua filha primogênita convenceu a mais nova, para que mantivessem relações sexuais com o seu pai. Com esta atitude, elas dariam sequência a sua linhagem. Para que este plano fosse realizado, a ideia era de embriagarem seu pai, sendo combinando entre elas, de que a mais velha se deitaria com ele primeiro. No outro dia, executaram o mesmo plano, mas desta vez, quem se deitou com o seu pai, foi a filha mais nova.

 

Gênesis 19:31-34. Então, a primogênita disse à menor: Nosso pai é já velho, e não há varão na terra que entre a nós, segundo o costume de toda a terra. Vem, demos a beber vinho a nosso pai e deitemo-nos com ele, para que em vida conservemos semente de nosso pai. E deram a beber vinho a seu pai naquela noite; e veio a primogênita e deitou-se com seu pai, e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou. E sucedeu, no outro dia, que a primogênita disse à menor: Vês aqui, eu já ontem à noite me deitei com meu pai; demos-lhe a beber vinho também esta noite, e então entra tu, deita-te com ele, para que em vida conservemos semente de nosso pai.

 

Não vamos aqui polemizar a atitude dessas duas mulheres, pois sabemos que era vergonhoso para uma mulher naquela época, não vir a gerar filhos. Outra a coisa a observar, é que elas podem ter se atentado para dar seguimento a linhagem familiar de seu pai, que estava avançado em idade e não havia outros homens na terra. Lembrando que os possíveis genros de Ló haviam morridos. Outro fato a considerar, pauta-se no tocante ao costume e a ordem do Senhor, de não buscar o envolvimento sexual com povos estranhos.

Portanto, no início da história do povo judeu (ou hebreu), a sua linhagem teve procedência dos relacionamentos entre o seu parentesco. Dito em outras palavras, as relações sexuais entre familiares eram tidas com propósitos funcionais, visando a propagação da descendência dos hebreus (ou Israelitas). Com o avançar dos tempos e as mudanças sociais, a humanidade passou a proibir e a condenar o incesto: “Nenhum homem se chegará a qualquer parenta da sua carne, para descobrir a sua nudez. Eu sou o Senhor” (cf. Levítico 18:6 e ss.).

Deste duplo incesto, foi gerado dois filhos homens: da mais velha, nasceu Moabe; e pela filha mais nova, foi gerado Ben-Ami. De Moabe foi formada uma nação poderosa chamada por Moabitas. E de Ben-Ami, foi gerado a nação conhecida como Amonitas. Estas duas nações, sempre foram adversárias e viviam em guerra contra o povo de Israel.

 

. Jezabel: ela era filha de Etbaal, cujo significado em hebraico é “Com Baal”. Seu pai era o rei dos Sidônios, os habitantes da cidade de Sidom que oprimiam o povo de Israel. O nome dela significa “Casta” e era casada com Acabe, o rei de Israel: “Dá ordem, pois, agora, que do Líbano me cortem cedros, e os meus servos estarão com os teus servos, e eu te darei o salário dos teus servos, conforme tudo o que disseres; porque bem sabes tu que entre nós ninguém há que saiba cortar a madeira como os sinônimos” (cf. 1 Reis 5:6).

1 Reis 16:28-34. E Onri dormiu com seus pais e foi sepultado em Samaria; e Acabe, seu filho, reinou em seu lugar. E Acabe, filho de Onri, começou a reinar sobre Israel no ano trigésimo-oitavo de Asa, rei de Judá; e reinou acabe, filho de Onri, sobre Israel em Samaria, vinte e dois anos. E fez Acabe, filho de Onri, o que era mal aos olhos do SENHOR, mais do que todos os que foram antes dele. E sucedeu que (como se fora coisa leve andar nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate), ainda tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi, e serviu a Baal, e se encurvou diante dele. E levantou um altar a Baal, na casa de Baal que edificara em Samaria.

 

Ela e Acabe eram idólatras. Jezabel tinha sempre à volta de sua mesa 450 profetas de Baal e 400 sacerdotes de Astarote. Duas das principais divindades cultuadas por eles. Ela era terrível e depois dum confronto entre o profeta Elias e todos os profetas que a serviam, planejou mata-lo (1 Rs. 19:12). Entretanto, ela tomou uma atitude com requintes de crueldade, mas contra outra pessoa. Ela, para satisfazer a vaidade de seu marido, planejou e matou uma pessoa totalmente inocente, Nabote.

 

1 Reis 21:1-2. E sucedeu, depois destas coisas, tendo Nabote, o jezreelita, uma vinha que em Jezreel estava junto ao palácio de Acabe, rei de Samaria, que Acabe falou a Nabote, dizendo: Dá-me a tua vinha, para que me sirva de horta, pois está vizinha, ao pé da minha casa; e te darei por ela outra vinha melhor do que ela; ou, se parece bem aos teus olhos, dar-te-ei a sua valia em dinheiro.

 

Nabote tinha recebido esta vinha por herança, mas para o seu azar, ela fazia divisa com a propriedade do rei Acabe. Um belo dia, o rei quis ter a propriedade de Nabote para si, para lhe servir como uma horta. Ele explicou para o rei o motivo de não se desfazer daquela propriedade, pois era herança de família. Diante de sua negativa, ele ficou muito triste e cabisbaixo. Sua mulher ao vê-lo daquele jeito, quis saber o motivo. Ele a explicou, mas logo em seguida, ela disse que aquela vinha seria dele: “Então, Jezabel, sua mulher, lhe disse: Governas tu, agora, no reino de Israel? Levanta-te, come pão, e alegre-se o teu coração; eu te darei a vinha de Nabote, o jezreelita” (cf. 1 Rs. 21:7).

Sem que seu marido soubesse, ela escreveu cartas e selou com o anel do rei, em que apregoava um jejum que deveria ser cumprido por todos. Ela contratou alguns homens para testemunharem falsamente contra Nabote. Eles deveriam confirmar que ele blasfemou contra Deus e contra o rei Acabe. Diante desta acusação e tendo as testemunhas para confirmar, os anciãos e demais pessoas da cidade o apedrejaram até a morte. Jeová que é o justo juiz e defensor dos pobres e inocentes, ordenou que o profeta Elias fosse até onde estava acabe e entregasse-lhe uma mensagem muito dura. Nela, estava dito que tanto ele como Jezabel, sua mulher, morreriam. Ainda foi acrescentado pelo profeta, de que no mesmo lugar que os cães lamberam o sangue de Nabote, eles também lamberiam o sangue de Acabe. Tudo isso aconteceu conforme foi transmitido pelo profeta Elias (cf. 1 Reis 21:8-23).

 

. Cinco Mulheres Virgens: a narrativa bíblica se encontra no livro do Evangelho de Mateus, em seu capítulo 25, tendo como subtítulo: A Parábola das Dez Virgens. Em primeiro lugar, precisamos saber o que vem a ser uma parábola. Geralmente, ela é uma narrativa curta em que se utiliza fatos ou acontecimentos do cotidiano, para se passar uma verdade moral e/ou espiritual. Jesus Cristo usava muito desta estratégia linguística, para ensinar os seus discípulos. Neste capitulo 25 de Mateus, é feita a analogia entre a atitude tomada por dez mulheres virgens, onde se descreve que todas elas estavam a espera de um noivo. A comparação faz alusão de como ocorrerá no Reino dos céus, nos fins dos tempos, principalmente sobre a vigilância de cada um de nós e de nossa tomada de decisão.

 

Mateus 25:1-3. Então, o Reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. E cinco delas eram prudentes, e cinco, loucas. As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo.

 

Cinco delas são tidas como loucas (néscias, insensatas), pelo motivo de não terem levado reserva de azeite para as suas lâmpadas: “As loucas, (…), não levaram azeite consigo” (verso 3). As outras cinco virgens levaram, agindo com sabedoria e prudência: “Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas” (verso 4). Qual o motivo de elas terem sido chamadas de loucas? Pelo simples fato de não se saber a hora em que o esposo iria vir: “Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia e nem a hora em que o Filho do Homem há de vir” (Mateus 25:13).

Esta parábola traz uma mensagem de advertência e de muita importância para nós, os seguidores de Cristo da atualidade: Precisamos tomar cuidado para não agirmos com a mesma insensatez das cinco virgens tolas. Igualmente as dez virgens, não sabemos o dia e nem a hora em que o Senhor virá buscar a sua Noiva, a Igreja (cf. Mateus 24:36-44). Por isso, temos que estar vigilantes iguais as outras cinco, e cuidar para ter reserva de azeite para as nossas lâmpadas.

Traduzindo em outras palavras, se faz necessário examinarmos a cada dia a nossa vida em Cristo, isto é, como anda a nossa espiritualidade. Como está nítido nesta parábola, nem todos os Cristãos estarão preparados para a chegada do Noivo, que é Cristo: “E as loucas disseram as prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. Mas as prudentes responderam: Não seja caso que nos falte a nós e a vós; ide, antes e comprai-o para vós. E, indo elas (as loucas) compra-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta” (Mateus 25:8-10).

Pode ser que você tenha uma interpretação distinta da que procuramos apresentar neste artigo. Isto não terá problema algum, desde que você esteja fundamentado na Palavra de Deus. Nosso propósito ao escrevê-lo, foi de trazer uma reflexão para todo e qualquer leitor, mas, duma maneira muito especial, para o sexo feminino. Por qual motivo? Elas foram criadas para estarem lado a lado com o homem, ajudando e auxiliando-o em todo o tempo. E como reza o provérbio: se agirem com sabedoria, em tudo que “puserem” as suas mãos, prosperará (casamento, família, estudo, trabalho etc.). Mas, se agirem com “tolice” (por vingança, ressentimentos e raiva), tudo ruirá! (cf. Provérbios 14:1).

 

 


1  Feudalismo. A sociedade feudal era essencialmente rural baseada na posse de terras (feudos) e inserida num sistema social e político, onde imperava a centralização do poder (tipo monarquia).

2  Coronelismo. No período regencial brasileiro, a incidência de revoltas contra a nova ordem política que foi instituída, concedeu ampliação de poderes nas mãos dos proprietários de terra, sendo chamados de Coronéis. Nesta nova sociedade, principalmente nas áreas rurais, era o palco de importantes decisões políticas e o controle sobre as forças policiais, fazia da pessoa do coronel uma autoridade quase inquestionável.

3  Remidor. Era o costume da época, quando morria o marido e não tendo herdeiros para as terras, exigia-se que um parente próximo (irmão, primo, tio etc.) se casasse com a viúva para continuar a nome da família.

Eduardo Veronese
Bacharel em Direito – FABAVI/ES; . Pós-graduado em Direito Militar - UCB/RJ; . Capitão Reserva Remunerada da PMES (Ingresso RR 2013); . Professor e Palestrante dos Temas: Violência e Uso Abusivo de Drogas (lícitas ou Ilícitas).
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