A volatilidade internacional e as tensões locais influenciam os indicadores econômicos no Brasil.
O dólar, que começou 2024 na casa dos R$ 4,94, disparou para cerca de R$ 5,80 em novembro, refletindo tanto as incertezas globais quanto a desconfiança em relação à política fiscal doméstica. A alta de quase R$ 1 ao longo do ano reforça a pressão inflacionária e o aumento de custos para empresas e consumidores brasileiros. Produtos importados, como fertilizantes e itens de consumo, se tornam mais caros, reduzindo ainda mais o poder de compra da população.
As tensões internacionais, como o ataque da Rússia à Ucrânia, adicionaram combustível à busca por segurança no mercado cambial, fortalecendo ainda mais o dólar. Paralelamente, os resultados corporativos de gigantes como Nvidia decepcionaram investidores globais, contribuindo para quedas nas bolsas.
No Brasil, o Ibovespa fechou em leve alta de 0,3%, atingindo 128.197 pontos, impulsionado por notícias específicas, como a maior participação de gestoras na Vamos (VAMO3, +4,7%). Por outro lado, papéis como Embraer (EMBR3, -2,2%) recuaram após rebaixamento de recomendação.
Reforma Fiscal e ajustes na Previdência
Enquanto o mercado monitora o cenário externo, o foco interno está no aguardado pacote fiscal do governo Lula. Após negociações intensas com o Ministério da Defesa, a equipe econômica propõe medidas para a previdência dos militares, incluindo:
- Idade mínima de 55 anos para a reserva remunerada, com transição;
- Fim da transferência de pensão para dependentes;
- Contribuição fixa de 3,5% para o Fundo de Saúde.
O pacote, que pode gerar uma economia de até R$ 70 bilhões em dois anos, é visto como crucial para conter o crescimento das despesas e recuperar a credibilidade fiscal.
Mercado de Renda Fixa
Na renda fixa, o mercado local reagiu à queda dos prêmios de risco, influenciado pela escalada de tensões geopolíticas. As taxas futuras de juros fecharam em queda, com o DI jan/26 recuando para 13,18% (-14,4bps). Nos Estados Unidos, as Treasuries de 10 anos encerraram o dia em 4,39% (-3bps), refletindo a procura por ativos mais seguros.
Expectativas
Com a desaceleração na temporada de resultados corporativos e a persistência das incertezas globais, o mercado brasileiro segue em compasso de espera. A reunião entre o presidente Lula e o ministro Fernando Haddad é aguardada para definir detalhes sobre os cortes de gastos e os ajustes no arcabouço fiscal.
A combinação de desafios internos e externos evidencia a necessidade de maior clareza e agilidade na condução da política econômica para reduzir volatilidades e impulsionar a confiança do mercado.



