Sob os Céus parece tudo ter fugido ao controle humano. Não há se quer uma única direção que se possa mirar e afirmar: está tudo limpo, não há sinal algum de irregularidades, ilícitos, corruptos. A ordem está finalmente instalada.
Cantor Renato Russo compôs ‘Que País É Este?’ quando era o líder da Legião Urbana. E como Nostradamus, parecia prever um cataclisma moral para o Brasil, mas pode ter se equivocado quanto ao seu alcance, pois a desordem e o disparate provocados pelo homem são incalculáveis, de ordem mundial.
Restringirei-me analisar não mais que o comportamento ético e moral humanos, ao ampliar a discussão para situações outras, como a preservação ambiental, a vida na Terra, etc. e tal.
O político nos basta. Há material suficiente capaz de provocar em qualquer profissional uma overdose de adjetivos e opiniões que quando terminarmos (e disso duvido), ou perdemos nossos leitores, desistimos dos nossos ideais, abandonamos valores, paramos em uma dessas Unidades de Pronto-Atendimento (UPA’s), como se ajudasse alguma coisa; e/ou estendemos a mão e tome tarja preta para sossegar o leãozinho aqui (risos).
Para tanto, pratiquemos um pouco de reminiscências, e a intenção é compreender já naquela época de Ditadura brasileira, a necessidade dos críticos e artistas expressarem seu sentimento de indignação contra os abusos praticados pelo ‘estado leviatã’, defendido no livro de Thomas Hobbes, publicado em 1651, que fala de um contrato social e o governo detentor do poder soberano e absoluto.
O protesto inteligente na composição crítica de Renato Russo:
Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
No Amazonas, no Araguaia iá, iá
Na baixada fluminense
Mato Grosso, Minas Gerais
E no Nordeste tudo em paz
Na morte eu descanso
Mas o sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis (…)
Do lado de cá, a podridão espalha a fedidão pelo país inteiro. Das mais insignificantes receitas per capita municipal às metrópoles onde dizem circular as maiores riquezas do Brasil.
Em Brasília, capital federal, ninguém se entende. Na disputa do poder pelo poder o jogo segue sem regras. Vale Tudo!
Executivo não consegue se mover a ponto de provocar a estagnação da economia, gerando consequências em cascata, porque nem mesmo quem deveria, mostra respeito aos seus compromissos em reduzir despesas e dar exemplo à nação que está disposto a cortar na própria carne para estancar a crise.
Inaceitável admitir argumentos frágeis quando se viola normas de Responsabilidade Fiscal e eleitorais, como ainda se apura em objeto de instrução processual no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que requer a inelegibilidade da chapa PT-PMDB, de Dilma Rousseff e Michel Temer, vencedora das eleições presidenciais de 2014.
No Parlamento, assistimos estarrecidos dois campos que mais se assemelham a canis, onde cada um tenta ladrar mais alto que o outro, antevendo destinos idênticos porque as mãos estão sujas pela corrupção, como competentemente mostram as investigações da Polícia e Ministério Público Federais.
Para complicar, entramos em ano de eleições municipais. Iniciada ‘à caça’ aos eleitores em todos os rincões brasileiros. A hora se aproxima. É de tremer, mas não de medo, pelo contrário. E sim saber que reencontraremos uma enorme quantidade de figurinhas carimbadas mais uma vez enganando o povo, um verdadeiro lobo em pele de cordeiro.
Corrupção é corrupção – Como notaram, o núcleo aqui é o da corrupção. Porque discutiremos doravante os mesmos ardilosos artifícios praticados na política também para enriquecimento ilícito nos esportes, notadamente no Futebol.

Me atrevo a deixar o meu quintal, meu querido Brasil varonil, e repercutir, mesmo que de en passant o maior escândalo de corrupção já visto na história e que se operava de dentro da Fifa (Federação Internacional de Futebol Associado) para o mundo todo.
O FBI, polícia federal norte-americana, assim como a PF do Brasil com a operação Lava Jato, desbarata esquema de bilhões de dólares, envolvendo dirigentes do mundo da bola, espalhados por quase todo o Globo, inclusive o Brasil.
Dezenas de dirigentes estão presos há mais de doze meses; entre eles, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin.
Agora mesmo confirmou-se que um dos homens fortes da Fifa na organização de Copas do Mundo, o francês e ex-secretário geral da entidade, Jérôme Valcke foi banido por doze anos do mundo do esporte.
A pena imposta pelo Comitê de Ética da Fifa é maior que a aplicada contra o ex-presidente, Josepf Blatter e Michel Platini, a oito anos, com a pena executada em dezembro passado por conflito de interesses e gestão desleal.

O esquema envolve desde a venda de direito de transmissão de certames por televisão, a ingressos e até escolhas de sedes de Copas do Mundo.

Brasil – Como não poderia ser diferente, não nos espanta que dirigentes e até atletas brasileiros estão sendo investigados, sob suspeita de atos ilegais praticados durante a Copa do Mundo.
Cogita-se, inclusive suborno a dirigentes, jogadores e participação de seleções na fabricação de resultados e até na definição do país campeão do Mundial, Alemanha.



