A vida não é um acaso

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No artigo de hoje, propomos, sem contudo, esgotar o assunto, mesmo porque seria isso impossível, pois o próprio Jesus Cristo, o Filho de Deus não o fez, trataremos de temas que poucos se atreveriam a discutir, como a vida, a morte, o paraíso, o inferno,Deus, o diabo.

Nossa Constituição de 1988 assevera a liberdade religiosa, que o Brasil é laico, um país de várias denominações religiosas e crenças.

Entretanto, não nos olvidemos que a religiosidade de cada um ainda é um tema provocador de polêmicas, e como se não bastasse, o brasileiro ainda é por demais preconceituoso quanto às escolhas de cada um.

Como paradigma, valho-me dos Estados Unidos da América para consignar que 80% dos norte-americanos tem como base o espiritismo, enquanto, todavia, apenas 3% da população brasileira seguem a respectiva doutrina.

Onde a vida começa e onde ela termina? Foto: F5Notícias/Reprodução.
Onde a vida começa e onde ela termina? Foto: F5Notícias/Reprodução.

Paulo de Tarso – Também chamado de Apóstolo Paulo, Saulo de Tarso e São Paulo, foi um dos mais influentes escritores do cristianismo primitivo, e suas obras fazem parte do acervo do Novo Testamento. Exerceu forte influência no pensamento cristão, denominada paulinismo, devido ao seu papel proeminente apóstolo do Cristianismo durante a propagação inaugural do Evangelho pelo Império Romano.

Também conhecido como Saulo, Paulo de Tarso dedicava até então sua vida à perseguição de discípulos de Jesus Cristo, em Jerusalém e Damasco para levá-los à prisão de Jerusalém.

Foi numa destas peregrinações que Paulo de Tarso foi convertido ao Cristianismo, depois de ficar cego ao ter uma visão de Jesus envolto em uma grande luz, e três dias depois ter sua visão devolvida intacta por Ananias, que depois o batizou

Tarso começou a evangelizar já com 30 anos, e mesmo assim, relatos indicam que aquele apóstolo chegou a peregrinar mais de 20 mil quilômetros.

Allan Kardec – Forçoso antes de um próximo passo nesta seara, render justas homenagens a Hippolyte Léon Denizard Rivail, ao recordar alguns aspectos  da vida desse  missionário e de sua obra, exemplo para todos, estudiosos da III Revelação.

Conhecido como Allan Kardec, esse mestre é digno de respeito e muita consideração por ser ele  o responsável pela codificação do Espiritismo.

Descendente da tradicional família de advogados e magistrados, nasceu em Lion na França, em 3 de outubro de 1804. Desde cedo se sentiu atraído para as ciências e para a filosofia. Fez seus primeiros estudos em sua terra natal e os completou na Suíça, sob a orientação de Pestalozzi. Bacharel em Letras e em Ciências, conhecia e falava corretamente alemão, inglês, italiano, espanhol e holandês.

Dedicado ao trabalho, o professor Hippolyte, após os labores cotidianos, traduzia para o francês, obras do inglês e do alemão, ao mesmo tempo em que compilava livros de natureza didática que tiveram grande aceitação, sendo alguns adotados pela própria Universidade da França.

Professor emérito, manteve em sua casa, no período de 1835 a 1840, cursos gratuitos de física, química, astronomia e anatomia, que eram muito frequentados.

De 1854 a 1856, contudo, Kardec decidiu abandonar tudo para dedicar-se aos estudos, dos quais resultou a codificação dos ensinos da Doutrina Espírita.

Numa ocasião, um Espírito Protetor lhe revelou tê-lo conhecido em uma existência precedente, ao tempo dos Druidas, quando viveram juntos nas Gálias, época em que se chamava Allan Kardec. Assinando esse nome, editou em 18 de abril de 1857, ‘O Livro dos Espíritos’, resultado de seus primeiros esforços na missão que abraçara.

Kardec o codificador d'O Livro dos Espíritos. Foto: F5Notícias/Reprodução.
Kardec: o codificador d’O Livro dos Espíritos.  Foto: F5Notícias/Reprodução.

Em janeiro de 1858, fez circular o primeiro número da Revista Espírita e fundou em abril do mesmo ano, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

Kardec nos ensina cuidadosamente por meio de suas obras não ser acometido do apego, do individualismo, e isso é muito claro nesta obra marco para a Nova Doutrina, pois para ele, se trata de uma obra pertencente aos espíritos desencarnados, e não sua. 

Recentemente seu legado foi festejado ao completar 211 anos da sua passagem na Terra.

Como divisor de águas inegável, outros Benfeitores foram surgindo, como Bezerra de Menezes, conhecido como o ‘médico dos pobres.’ Mais adiante, o mineiro Francisco Cândido Xavier, cujos todos tiveram suas vidas retratadas em filme de longa metragem.

Nos dias atuais, já tendo revelado estar no fim de sua missão entre nós, o amigo de Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco nos enriquece com seus conhecimentos recebidos pela sua mentora espiritual, Joana de Ângellis, e sua obra social acolhedora de centenas de famílias brasileiras. 

O médium Chico Xavier tinha como seu guia, o Espírito Emmanuel. Foto: Acervo União Espírita Mineira.
O médium Chico Xavier tinha como guia, o Espírito Emmanuel.
Foto: Acervo União Espírita Mineira.

Para o escritor espírita e palestrante,  Carlos Alberto Braga Costa, “somos energia pura e fazemos parte de uma energia cósmica maior tendo como objetivo, a aprendizagem.”

Conta-nos que “a encarnação é um ciclo maior para uns e menor para outros”, ao explicar sobre os bebês natimortos, o desencarne da criança, do jovem. “Em nível espiritual o que conta é a qualidade”, disse.

Nesse diapasão, Carlos Costa se referia ao momento da morte de cada criatura de Deus. Como afirma André Luiz, no livro ‘Nos Domínios da Mediunidade’ (publicado em 1955) “o acaso é uma palavra inventada pelos homens para disfarçar o menor esforço.”

Cristalino está que nenhum de nós foi enviado por Deus à Terra para morrer aleatoriamente. Se se desencarnamos antes mesmo de deixarmos o ventre de nossa mãe, aquele Espírito já cumprira sua missão a que lhe foi destinada pel’O Criador.

A mesma lei se aplica aos demais casos de desencarnes. Sejam eles em tragédias de proporções gigantescas, como em acidentes aéreos, marítimos, naturais, no suicídio direto e indireto, no assassinato ou simplesmente quando se deita e não mais se levanta.

E onde ficaria o Livre Arbítrio dado ao homem por Deus? Se não notou, ele está implícito para alguns e explícito para outros em cada linha deste artigo ainda em desenvolvimento. Somos responsáveis por nossas escolhas, mas o destino já nos é entregue antes mesmo de aportarmos nessa nau chamada Planeta Terra.

Deus – Tudo que no Universo há, é obra d’O Criador. Mas isso não significa que devemos nos alienar, não nos integrar à sociedade e vivermos numa redoma, sem o mínimo de esforço. Sim, os homens enquanto encarnados, politizados, políticos, são governados, mas aceitemos que Deus é o Governador do Universo. Sempre o foi e continuará sendo.

JESUS Q LINDO

A vida – Assim como Ele, somos eternos enquanto Espíritos, Criaturas de Deus. O Espírito (alma) que em nosso corpo habita, vive nele uma experiência necessária ao seu aperfeiçoamento. Engana-se aquele que diz o contrário. Nosso corpo não passa de uma veste usada para que tal missão seja cumprida. O corpo, formado por milhões de células, órgãos e membros, não passa de um invólucro que abriga o Espírito. E como matéria, sua validade vem de fábrica.

A morte – O desencarne, em quaisquer que sejam as circunstâncias não deveria ser enxergado como o fim. Pelo contrário. Assim já se determinou. A alma que naquele corpo morava, se vê agradecida pelo período que nele foi acolhida, e caminha do pórtico da vida terrena para a vida espiritual, com sua missão concluída.

Desapego – Crucial que pratiquemos o desapego a tudo, a todos. Se um ente amado partiu, é natural experimentarmos sentimentos vários, mas sobressaem-se o da perda; da ausência; a tristeza e a saudade.

Fiz questão de grifar a palavra saudade porque essa é a chave para o princípio da aceitação do que chamam morte. As demais, devem ser descartadas do nosso íntimo. Encarnados e desencarnados, mesmo que ‘separados’ por esses dois estados, há que compreender que não estamos sós. Não fomos abandonados. Não deixamos nossas famílias para trás.

O mais grave que se pode cometer, é imputar ao desencarnado a culpa pela sua morte. Essa ignorância branca por mais que não pareça, provoca um estado aflitivo no ente que já se encontra em outro plano espiritual.

Recomenda-se que a vida segue para quem ficou e para quem foi. E alimentar a saudade, os momentos compartilhados a dois, ou no grupo familiar, é a melhor decisão que se pode tomar, principalmente porque aquele que julgamos ter nos deixado, está mais próximo do que imaginamos.

E essa presença espiritual se dá de muitas formas, recebemos proteção talvez maiores que quando quem amamos estava fisicamente presente ao nosso lado.

Aos Mensageiros de Deus, lhes são possibilitadas mediante esforço e merecimento de cada um, estar em plano terreno e espiritual; nos ouve, nos vê, nos auxiliam, nos consolam. Mas esmagadora maioria não pode ouví-los, quiçá, vê-los.

Contudo, caminhamos no sentido de rompermos em breve essa dificuldade de comunicação entre os dois mundos. A Doutrina Espírita é para todos, desde que estejam preparados para tal. Ao contrário da mediunidade, essa, ainda não; nem todos estão aptos a explorar esse magnífico prazer do reencontro.

Céu e inferno – “Permanecermos em orações é entrarmos em comunhão direta com o Além, com Deus”, ensina Carlos Costa em uma de suas experiências explanatórias.

Cuidemos de cada semente que lançamos no livro da vida. Nosso galardão depende de nossas ações, de nossas escolhas.

Para concluir, mas friso, sem a pretensão de esgotar o tema, só não há recuperação para aquelas almas que pertencem ao demônio. Seus pecados foram tão profanos que nem ao menos o desencarnado alcançou o Umbral, lugar de dor e sofrimento, onde o Espírito pode ao se arrepender, deixar as trevas e chegar aos Céus.

O que está ao alcance dos habitantes celestiais, dos habitantes do Umbral, do inferno e daquelas almas que ainda desorientadas abdicaram da mudança, e apegadas aos interesses materialistas, ainda permanecem entre nós são questões que noutra ocasião discutiremos com nossos amigos.

Paz e Luz !

Nilton Ramos
Bacharel em Direito; Pós-Graduado em Direito do Trabalho Lato Sensu; humanista e fundador-presidente da ONG CIVAS – BRASIL.
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