Duas pesquisadoras da Fiocruz foram reconhecidas com o Prêmio Denis Borges Barbosa de Propriedade Intelectual e Interesse Público no XVI Seminário Internacional Patentes, Inovação e Desenvolvimento (SIPID), realizado no Rio de Janeiro. As biomédicas Ana Paula Ano Bom e Patricia Neves receberam a homenagem pela implementação da primeira plataforma de RNA mensageiro (mRNA) da América Latina, marco que coloca o Brasil em posição de protagonismo no campo da biotecnologia e da saúde pública.
O prêmio, concedido anualmente pela Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abifina), chega à sua décima edição reconhecendo iniciativas de empresas, instituições e personalidades que contribuem para a defesa do interesse público no campo da propriedade intelectual.
“Vivemos um cenário global em que avanços tecnológicos muitas vezes se traduzem em desigualdades no acesso à saúde. Ter essa capacidade instalada no país garante soberania e a possibilidade de compartilhar conhecimento com países de baixa e média renda da América Latina e da África, promovendo uma distribuição mais equitativa de produtos biotecnológicos”, destacou Patricia Neves, líder de Desenvolvimento de Produtos de RNA do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz).
A pesquisadora Ana Paula Ano Bom, gerente do Laboratório de Tecnologia Imunológica, ressaltou o caráter coletivo da conquista: “Este prêmio é resultado do esforço conjunto da Fiocruz e de nossos parceiros institucionais. É uma homenagem às mãos e mentes que acreditam na ciência como instrumento de soberania e de justiça social”.
O assessor científico de Bio-Manguinhos e vice-presidente de Biotecnologia da Abifina, Akira Homma, foi o responsável pela entrega da premiação. Em seu discurso, destacou a relevância de fortalecer a pesquisa nacional e reduzir a dependência de insumos estratégicos em saúde. “O protagonismo de pesquisadoras como Ana Paula e Patricia simboliza não apenas a excelência científica, mas também a liderança das mulheres na inovação em saúde pública”, afirmou.
A plataforma de mRNA de Bio-Manguinhos já tem patente depositada, garantindo liberdade para o desenvolvimento e compartilhamento da tecnologia com outros países. Além disso, a unidade conta com a primeira área produtiva dedicada a produtos de RNA da América Latina, onde já foram iniciados processos para o desenvolvimento de vacinas preventivas e terapêuticas.
A premiação foi marcada por emoção e reconhecimento à trajetória das pesquisadoras, que dedicaram o prêmio a toda a equipe de Bio-Manguinhos e aos profissionais da ciência no Brasil. “Inovação pode parecer um sonho distante, mas é possível quando se unem três elementos fundamentais: compromisso social, políticas públicas e ciência”, concluiu Ana Paula.


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