Obesidade, suas heranças e o ambiente moderno

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Há um aumento significativo da prevalência da obesidade em diversas populações do mundo, incluindo o Brasil. A obesidade é uma doença crônica que possui causas multifatoriais, sendo complexa resulta da interação de genes, do ambiente, estilos de vida e fatores emocionais.

Com relação à genética, a obesidade tem herança poligênica, ou seja, vários genes estão envolvidos em sua gênese.   O risco de obesidade quando nenhum dos pais é obeso é de 9%, enquanto, quando um dos genitores é obeso, eleva-se a 50%, atingindo 80% quando ambos são obesos, mas nem todos os indivíduos ganham a mesma quantidade de peso quando expostos a dietas hipercalóricas. O risco de desenvolvimento de obesidade é maior na presença de história familiar de obesidade mórbida, com IMC (Índice de massa corporal)  ≥ 40 kg/m2, ou com níveis moderados de obesidade. Uma das formas de identificar fatores indicadores de influências genéticas na obesidade é o início precoce e marcante da obesidade na infância ou adolescência. Portanto, devemos estar atentos com relação à alimentação e ao peso de nossas crianças e adolescentes.

O ambiente moderno também é um potente estimulador para a obesidade. O estilo de vida atual favorece o ganho de peso por diversos fatores que interferem na ingestão alimentar; uma delas se dá ao fato da necessidade de se realizar refeições em curto espaço de tempo, atrapalhando os mecanismos de saciedade. A diminuição do número de refeições realizadas em casa, o aumento compensatório da alimentação em redes de “fast food” e o aumento do tamanho das porções levam ao aumento do conteúdo calórico de cada refeição refletindo diretamente no aumento de peso. A redução do sono e tabagismo também contribuem para potencializar a obesidade.

Estresse, ansiedade, depressão, nervosismo são comuns em pacientes com sobrepeso ou obesidade, sugerindo relação entre estresse, compulsão por comida, transtorno de compulsão alimentar e a obesidade.

Por se tratar de uma doença crônica, indivíduos obesos devem ter seguimento de longo prazo e controle crônico do peso com especialistas experientes no seu tratamento. Devem ser determinadas metas realistas, individuais, claras e significativas de perda de peso, com as estratégias de intervenção no tratamento para mudanças de estilo de vida. A avaliação dos riscos e complicações relacionados com o peso é um componente crítico do cuidado e devem fazer parte constante nas decisões clínicas e no plano terapêutico para a escolha do melhor tratamento.

*Texto baseado nas Diretrizes Brasileiras de Obesidade.
Walquíria Cattenaccihttps://f5noticias.com.br
Acadêmica de Medicina (6 º ano) e Fisioterapeuta. Pós- graduada em Fisioterapia Hospitalar e Pós- graduada em Gestão em Serviços e sistemas de Saúde. Atualmente, trabalha na Prefeitura Municipal de Marliéria (Distrito de Cava Grande).
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