Muitos associam a The Winner Takes It All (O vencedor leva tudo), a música do grupo suiço Abba, que foi um grande sucesso na era disco.
Mas na politica americana, não é bem assim. Com a corrida à Casa Branca se intensificando e as eleições presidenciais marcadas para 5/11, o sistema eleitoral dos EUA, conhecido como Colégio Eleitoral, volta a ser tema de debates e controvérsias. Muitos brasileiros, e até mesmo muitos americanos, têm dificuldade em entender como funciona esse complexo e polêmico processo, onde a frase “the winner takes it all” (o vencedor leva tudo) ganha destaque.
Ao contrário do que ocorre no Brasil, onde o presidente é eleito por voto direto e o vencedor é aquele que obtém a maioria dos votos populares, nos EUA, o presidente é eleito indiretamente. Isso significa que o voto popular serve apenas como uma etapa preliminar para determinar como os “eleitores”, que são os delegados do Colégio Eleitoral irão votar.
O Colégio Eleitoral é composto por 538 eleitores, e para ser eleito presidente, um candidato precisa obter a maioria absoluta desses votos, ou seja, pelo menos 270, o chamado número mágico. Cada estado tem um número específico de delegados, que é proporcional à sua população, daí a relevância do censo. Por exemplo, a Califórnia, o estado mais populoso, tem 55 eleitores, enquanto estados menores, como Vermont, têm apenas 3.
O aspecto mais polêmico do sistema é a regra “the winner takes it all”. Na maioria dos estados, o candidato que ganha a maioria dos votos populares no estado leva todos os votos eleitorais desse estado. Isso significa que, se um candidato vence por uma margem mínima em um estado muito populoso, ele ainda assim leva todos os votos eleitorais daquele estado, o que pode criar uma disparidade entre o voto popular e o resultado final do Colégio Eleitoral.
Esse sistema já resultou em situações em que um candidato ganhou a maioria dos votos populares em todo o país, mas perdeu no Colégio Eleitoral. Exemplos recentes incluem as eleições de 2000 e 2016, quando Al Gore e Hillary Clinton, respectivamente, venceram no voto popular, mas foram derrotados por George W. Bush e Donald Trump no Colégio Eleitoral.
Críticos argumentam que o sistema não reflete a verdadeira vontade do povo e pode enfraquecer a democracia. Já os defensores alegam que ele garante uma representação equilibrada entre os estados, impedindo que apenas os mais populosos decidam o resultado. Entendem a intenção de escancarar a fronteira deixando passar milhões de pessoas?
Com as margens entre o candidato republicano Presidente Donald Trump e a candidata democrata vice-presidente Kamala Harris com tanta discrepância nesta eleição, o Colégio Eleitoral mais uma vez será crucial, principalmente para combater a indústria do fake news, e possíveis fraudes. A complexidade e as potenciais injustiças deste sistema continuarão a ser debatidas, independentemente do resultado final.



