LIBERDADE

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Ola, sou Juliana. Quando entrei em contato com o idealizador desse espaço, combinamos que eu escreveria sobre viagens. Sim, amo viajar, e provavelmente tenho uma vida como a sua: trabalho, planejo, equilibro contas entre necessidades e lazer. Qualquer viagem me deixa feliz: aquela para cidadezinhas do interior ou as que levam horas de avião para chegar. Conhecer culturas, paisagens, cheiros e cores é uma paixão. No entanto, na penúltima viagem que fiz, a emoção não foi a mesma e, na última, senti que não queria mais viajar sozinha. Isso me sinalizou que algo estava errado, descobri que eu precisava de outra viagem: a para dentro de mim mesma. Reencontrar-me, redescobrir-me. Diante de tudo isso que contei, apresento essa minha nova paixão: escrever. Na verdade, essa paixão sempre existiu. Quando eu era criança dizia que seria escritora. Mas ela se perdeu em algum momento. Como nomeei essa fase da minha vida de “Reencontro”, retomo a paixão da escrita para falar dessas duas viagens: a para dentro de si e aquela que fazemos com avião, ônibus, carro, etc. Vamos viajar comigo?

LIBERTÉ

 

Eu me liberto de mim. Sinto-me presa, algemas de medo e de conforto, correntes pesadas nos pés e nas mãos, nas ideias e na confiança. Só eu posso me libertar, as chaves estão comigo.

Se um dia me acorrentei ao medo e ao conforto porque os  achava seguro, hoje vejo que tudo foi aparente. Medo e zona de conforto tornaram-se meus guardiões, os atores da minha própria vida. Agiram como quiseram:  impediram-me, envolveram-me, lá fiquei quietinha, “protegida”, segura.

Quando acordei, eu já não existia mais na minha própria vida. Já não me reconhecia. Onde ficou a minha face, um dia tão guerreira, tão curiosa, questionadora? Eu trazia o ombro caído, os olhos no chão e o coração confuso, quase inerte.

Precisei reagir. Tentei gritar, correr, mas paralisada estava. Ninguém me ouvia. Percebi que só tinha a mim mesma a recorrer. Olhei para dentro. Não havia depressão, não havia tristeza, mas também não cor, não  havia sonhos, nem força para sonhá-los. Eu era uma casa decorada para venda: convencional, sóbria, igual. Era nessa casa em que eu precisava enfrentar o medo e desestabilizar a zona de conforto. Por ali andei sem reconhecer móveis, enfeites, cômodos.

É nesse caminho em que me encontro. Busco a coragem no enfrentamento do medo em direção ao novo e à transformação. Procurei ajuda profissional, uma, duas vezes. Corajosa fui! Sonho com o dia em que o medo será só meu aliado para me ajudar nas situações em que eu precise de cautela. Sonho com o dia em que a segurança de poder enfrentar toda e qualquer situação invada o meu ser.

Minha procura mudou. Antes era pela paz. Hoje procuro a coragem de ser eu: eu na minha vida, eu nas minhas decisões. E como um desejo que vem do meu coração, sei que serei vitoriosa nesse propósito.

Juliana Ormastroni de Carvalho Santos
Juliana Ormastroni de Carvalho Santos possui graduação em Letras e Pedagogia, é mestra em Educação e doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem. Atua na área de revisão editorial, docência, formação de professores e educação.

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