Fiocruz sedia I Seminário Internacional Ventos para Saúde

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A Fiocruz sediou, em 19 de junho, o 1º Seminário Internacional Ventos para Saúde – A necropolítica dos ventos e os processos de adoecimento de comunidades camponesas, realizado no auditório da instituição. O evento reuniu pesquisadores, estudantes, profissionais da saúde, movimentos sociais e representantes de comunidades atingidas por empreendimentos eólicos. A iniciativa foi promovida pela Fiocruz e pela Universidade de Pernambuco (UPE), por meio do grupo de pesquisa Ventos para a Saúde, em parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Escola dos Ventos, com financiamento do edital Inova Fiocruz.

Pesquisas conseguiram dar visibilidade aos impactos vivenciados por essas comunidades (Foto: Camilo Lobo/Diálogo Chino) 

O seminário teve como objetivo promover o debate sobre os impactos dos parques eólicos nos territórios rurais e seus efeitos sobre a saúde e a qualidade de vida das populações atingidas, além de fortalecer o diálogo entre ciência, movimentos sociais e comunidades. Durante a programação, a coordenadora do projeto Ventos para Saúde, a pesquisadora Wanessa Gomes, apresentou os resultados da pesquisa Impactos na saúde decorrentes das usinas eólicas.

Segundo Wanessa, a investigação surgiu a partir dos relatos das próprias comunidades. “Quando fomos para essas comunidades em 2021, participamos de uma reunião em Sobradinho e nos deparamos com 15 famílias. Elas chegaram trazendo sacolas de medicamentos e relatando o sofrimento que estavam vivenciando devido às eólicas. Naquele momento, eu ainda não conhecia os impactos na saúde humana relacionados a esses empreendimentos. Foi a partir do contato com essas famílias e do desenvolvimento da pesquisa que conseguimos identificar e comprovar diversos impactos na saúde dessas populações”, afirmou.

O coordenador do estudo e pesquisador do Departamento de Saúde Coletiva da Fiocruz Pernambuco, André Monteiro, destacou a relevância científica e social do trabalho desenvolvido. “Tivemos muitos ganhos com a pesquisa. Conseguimos dar visibilidade aos impactos vivenciados por essas comunidades e ampliar o alcance desse debate. Em um determinado momento, registramos cerca de 15 mil visualizações dos conteúdos produzidos pelo projeto, o que demonstra a potência desse processo”, explicou.

Representando as comunidades atingidas, Roselma Oliveira, moradora do Sítio Sobradinho, em Caetés (PE), e integrante da Escola dos Ventos, ressaltou a importância de espaços que permitam às populações compartilhar suas vivências e denunciar os impactos enfrentados nos territórios. “Todos os dias estamos em nosso território resistindo para existir no lugar que escolhemos permanecer. O campo é um lugar de vida, de história, de ancestralidade e de cultura. Mas também convivemos diariamente com os impactos desses empreendimentos. Muitos deles já conseguimos identificar, outros ainda estamos descobrindo. São dores e sofrimentos que seguem surgindo e que precisam ser conhecidos pela sociedade”, destacou.

Durante o evento também foi lançado o documentário Ventos para saúde, que reúne relatos de moradores e moradoras atingidos pelos empreendimentos eólicos, dando visibilidade às experiências vividas pelas comunidades afetadas.

Confira os debates aqui e também aqui.



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