Em um dia emblemático de discussões em torno da Saúde na agenda climática, a Fiocruz se uniu, nesta quinta-feira (13/11), à agenda do Ministério da Saúde e pautou a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), com temas como Atenção Primária à Saúde, territórios tradicionais, equidade, sistemas de saúde resilientes e cobertura universal em saúde no enfrentamento à crise climática. Representantes da Fundação que estão na capital paraense também integraram a Cúpula dos Povos e eventos paralelos, presentes em atividades e mobilizações pela importância da saúde nas tomadas de decisões pelo clima. Confira na AFN o Especial Fiocruz na COP30.
Representantes da Fiocruz participam de atividades na COP30 (foto: Divulgação)
O dia começou com uma reunião ministerial na plenária no Pavilhão da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCC) com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o secretário executivo da UNFCC, Simon Stiell, e o embaixador e presidente da COP30, André Aranha Corrêa do Lago, entre outras autoridades da Saúde.
Na ocasião, o Ministério da Saúde (MS) lançou o Plano de Ação em Saúde de Belém: o primeiro plano internacional de adaptação climática dedicado exclusivamente ao setor. O documento apresenta ações concretas para que os países possam preparar os seus sistemas de saúde e responder aos efeitos das mudanças climáticas na saúde das populações do mundo todo, especialmente as mais vulneráveis.
Ministro da Saúde, Alexandre Padilha lança Plano de Ação em Saúde de Belém na COP30 (foto: Rafa Neddermeyer/COP30 Brasil Amazônia/PR)
“O Plano de Belém simboliza o compromisso do Brasil e da comunidade internacional com a vida e a justiça climática. Estamos convocando um mutirão mundial para proteger a saúde das pessoas mais vulneráveis, reforçando a preparação dos sistemas de saúde para enfrentar calor extremo, enchentes, secas e outras emergências”, afirmou o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha. “Belém se torna símbolo de um novo paradigma: cuidar da saúde é também cuidar do planeta. É a ciência, a solidariedade e a ação coletiva que nos permitirão construir um futuro mais justo e saudável para todos”, acrescentou.
“A saúde é a razão mais convincente para agirmos em relação ao clima, mas, por muito tempo, ela foi relegada a um segundo plano nas negociações climáticas”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom. “O Plano de Belém muda isso ao apresentar ações concretas que os países podem colocar em prática para construir comunidades mais saudáveis e resilientes em um mundo em aquecimento”.
O ministro Padilha participou ainda de debates no Pavilhão Brasil: um sobre atenção à saúde, equidade, territórios tradicionais e justiça climática e outro sobre como promover sistemas de saúde resilientes. Presidente da Fiocruz, Mario Moreira acompanhou os debates.
Fiocruz articula debates sobre territórios tradicionais
Como parte das atividades da Fundação nesta quinta-feira, a Fiocruz Brasília participou do Seminário Nacional da Central de Movimentos Populares (CMP) – Por Cidades e Transição Climática Justas, no Ginásio do Centro de Ensino Superior do Estado do Pará. O encontro reuniu lideranças de todo país para debater o papel das periferias e dos movimentos sociais na construção de cidades mais justas e sustentáveis diante da crise climática. O CoLaboratório de Ciência, Tecnologia, Inovacão e Sociedade (CTIS) da Fiocruz Brasília reforçou, no debate, a importância de “Uma só saúde” no enfrentamento da crise climática
Vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Valcler Rangel aportou na Cúpula dos Povos para marcar mais um dia de articulações da Fiocruz no espaço. “A presença da Fiocruz na Cúpula dos Povos reforça nosso compromisso com os territórios e com as populações que constroem, no dia a dia, alternativas de vida sustentáveis”, reforçou Rangel.
Na ocasião foi apresentada a experiência do ArticulaFito, realizado em com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, destacando a cartografia social desenvolvida com as quebradeiras de coco do Pará. “Esse trabalho revelou desafios concretos enfrentados no extrativismo do babaçu, como a pulverização aérea de agrotóxicos, cercas elétricas e outras barreiras que comprometem a atividade tradicional”, disse o vice-presidente. “Ver mais de 100 representantes do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu mobilizadas na Cúpula dos Povos mostra a força da participação social e nos lembra que fortalecer esses modos de vida é fortalecer a saúde, a sociobiodiversidade e o futuro que queremos construir.
Vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Valcler Rangel aportou na Cúpula dos Povos para marcar mais um dia de articulações da Fiocruz no espaço (foto: Divulgação)
Já a Fiocruz Pernambuco também integrou as atividades da Fundação na COP30 nesta quinta-feira, com participação da pesquisadora Aline Gurgel na oficina Impactos do Agrohidromineronegócio nas Mudanças Climáticas e Repercussões nos Territórios dos Povos do Campo, da Floresta e das Águas. A atividade integra a programação do evento Oceano de Encontros, Mar de Soluções: Justiça Climática, Patrimônio Biocultural e Diálogo de Saberes para Governança Costeira e Marinha através da Ciência Cidadã, que reúne experiências e iniciativas voltadas à sustentabilidade e à justiça socioambiental.
Durante a oficina, foram apresentadas ações desenvolvidas pela Fiocruz Pernambuco e pela Rede Mangaratu, destacando experiências de pesquisa em territórios ameaçados por grandes empreendimentos no Brasil e em países da América do Sul, como Bolívia e Peru.
Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/ Fiocruz) também dialogaram com o público na exposição ‘Enfrentando as mudanças climáticas e a degradação ambiental em territórios fronteiriços baseado em dados e conhecimento comunitário’, que apresentou, entre os dias 12 e 13, o projeto internacional de pesquisa Mosaic, no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA).
O Mosaic reúne 15 instituições científicas de sete países e tem como objetivo criar um ecossistema de informações que apoie comunidades locais na prevenção e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde humana, animal e ambiental.
Pavilhão OMS
O Dia da Saúde teve um encerramento no Pavilhão OMS com debate sobre multilateralismo e cobertura universal em saúde no enfrentamento à crise climática. O painel foi mediado por Tedros Adhanom e teve como participantes o ministro Alexandre Padilha, e a ministra da Saúde do Reino Unido, Ashley Dalton.


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