A Fiocruz marcou presença no lançamento da Frente Parlamentar pela Eliminação da Malária na Amazônia (FPEMA). O evento ocorreu na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), em Brasília. A Frente atuará em cinco eixos estratégicos para eliminar a doença no Brasil até 2035. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o país tem avançado na redução dos casos: entre janeiro e abril de 2025, foram registrados cerca de 34 mil, uma queda de 25% em relação ao mesmo período de 2024, que teve 45 mil casos. No Amazonas, a redução também foi registrada: de 19.568 para 17.204 casos, uma queda de 10%.
A iniciativa se soma aos esforços do Governo Federal e instituições de pesquisa de todo o mundo, no sentido de desenvolver medicamentos e vacinas capazes de promover a eliminação da malária (Foto: Sergio Velho Junior – Fiocruz Brasília)
“O lançamento da Frente é muito importante para integrar as ações de vigilância em saúde para a eliminação da malária, que é negligenciada e atinge o território da Amazônia, uma área endêmica que sucumbe ainda dessa doença”, sublinhou a diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes. A diretora afirmou, ainda, que a união do Parlamento com pesquisadores, cientistas, acadêmicos e conhecedores da malária será fundamental para esclarecer como a doença atinge os territórios, os seus impactos na saúde pública e as ações necessárias para a sua efetiva eliminação.
“Com 204 adesões entre deputados e senadores, a iniciativa coloca a malária no centro da agenda nacional e reconhece que sua eliminação exige mais do que soluções técnicas: exige decisão política, articulação entre esferas de governo e compromisso com a justiça social na Amazônia. A Frente Parlamentar conta com um comitê consultivo composto por renomados pesquisadores na área”, ressaltou Stefanie. Para ela, a iniciativa se soma aos esforços do Governo Federal e instituições de pesquisa de todo o mundo, no sentido de desenvolver medicamentos e vacinas capazes de promover a eliminação da malária.
A diretora destacou ainda que a atuação contínua da Fiocruz para produzir conhecimento, formar profissionais e desenvolver soluções inovadoras no enfrentamento da malária. “Estamos diante de uma oportunidade histórica: alinhar a produção científica com a vontade política para transformar o cenário da malária na Amazônia. A eliminação da doença é possível — mas requer investimento sustentado, vigilância qualificada e contínua, inovação e protagonismo amazônico”, frisou.
Para o pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) Claudio Ribeiro, a Frente vem para preencher uma lacuna nas ações de combate à doença junto ao Parlamento, justamente na interface com as autoridades políticas nos estados e municípios. “Nós estamos diante de uma doença que afeta crianças, causa problemas cognitivos, que é o nosso tema de estudo. Uma vez que sabemos como tratar e que precisamos prevenir, é necessário diminuir o contato e a chance de um indivíduo, que não tem absolutamente nenhuma culpa de viver em um lugar com transmissão ativa de uma doença que sabemos como controlar”, destacou Ribeiro.
O apoio da Frente ao Ministério da Saúde está previsto em duas fases: a primeira contempla a implementação das estratégias em 16 municípios prioritários até 2026. A segunda etapa, prevista até 2030, ampliará a cobertura para 32 municípios, com oficinas de microplanejamento, capacitação nacional em entomologia e ações articuladas de diagnóstico, tratamento e controle vetorial.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, participaram do lançamento da Frente Parlamentar. Também estiveram presentes, pela Fiocruz, a diretora da unidade em Brasília, Fabiana Damásio; a pesquisadora Noely Moura, do Núcleo de Epidemiologia e Vigilância em Saúde (Fiocruz Brasília); e as assessoras parlamentares da Fundação, Mônica Geovanini e Mônica Mendes.
A malária está entre as doenças incluídas no programa Brasil Saudável, que tem como meta eliminar 11 doenças e cinco infecções de transmissão vertical como problemas de saúde pública. A iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU e à estratégia da Opas para a eliminação de enfermidades nas Américas.


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