Fiocruz e Sesai fortalecem cooperação para a saúde indígena

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A Fiocruz e a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde realizaram, nesta quinta-feira (18/12), uma reunião estratégica na Residência Oficial da Fiocruz, no campus Manguinhos, no Rio de Janeiro, com o objetivo de fortalecer a cooperação institucional voltada à saúde indígena. O encontro reuniu dirigentes das duas instituições para a apresentação da cooperação Fiocruz–Sesai, a identificação de oportunidades e desafios, e a definição de encaminhamentos estratégicos para os próximos anos, em diálogo com a construção da nova Política Nacional de Saúde Indígena e com as diretrizes institucionais aprovadas no X Congresso Interno da Fiocruz.

Encontro reuniu dirigentes das duas instituições para a apresentação da cooperação Fiocruz–Sesai (foto: Pedro Paulo Gonçalves)

Secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba enfatizou a relevância da cooperação interinstitucional para a consolidação da nova política nacional. “A construção da nova Política Nacional de Saúde Indígena passa pelo fortalecimento da cooperação interinstitucional e pela valorização dos sistemas indígenas de cuidado, articulados ao [Sistema Único de Saúde] SUS”, ressaltou Tapeba.

Durante a reunião, foi destacada a trajetória histórica da Fiocruz na defesa da saúde indígena como direito, relacionada à Reforma Sanitária e ao legado de Sérgio Arouca, que contribuíram para a consolidação do modelo de atenção diferenciada e do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), instituído pela Lei nº 9.836/1999.

“A atuação da Fiocruz na saúde indígena está diretamente ligada à Reforma Sanitária e ao legado de Sérgio Arouca, que contribuíram para a construção do modelo de atenção diferenciada e do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena”, destacou o presidente da Fiocruz, Mario Moreira.

A apresentação conduzida pela Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz) evidenciou a ampliação das ações conjuntas entre Fiocruz e Sesai desde 2018, com apoio a 57 projetos de saúde indígena, envolvimento de mais de 90 povos indígenas e atuação em todos os biomas do país. As iniciativas abrangem áreas como medicinas indígenas, saneamento, vigilância em saúde, tecnologias sustentáveis, comunicação, formação e organização dos serviços, com ênfase no protagonismo indígena.

Na avaliação do vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Valcler Rangel, a cooperação entre as instituições tem caráter estruturante para o fortalecimento do sistema de saúde indígena, ao permitir a articulação entre ciência, território, governança e políticas públicas sensíveis às especificidades socioculturais e epidemiológicas dos povos indígenas.

Outro ponto central do encontro foi a articulação entre formação, pesquisa e ação territorial, com destaque para as ações afirmativas, o ingresso e a permanência de estudantes indígenas na pós-graduação, bem como para a produção e circulação de conhecimento orientado às necessidades concretas dos territórios. 

Secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba foi recebido pelo presidente da Fiocruz, Mario Moreira (foto: Pedro Paulo Gonçalves)

Nesse contexto, a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Marly Cruz, reforçou a importância da integração entre educação, comunicação pública da ciência e políticas de formação como dimensões estratégicas para o fortalecimento da saúde indígena, especialmente no apoio à permanência estudantil, à valorização dos saberes indígenas e à produção de narrativas próprias nos territórios.

Coordenador de Ambiente da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Guilherme Franco Netto ressaltou a importância de uma abordagem integrada, que conecte ciência, formação, governança e ação territorial, reconhecendo o protagonismo indígena e a diversidade dos contextos socioculturais e ambientais do país.

A reunião também abordou desafios estruturais, como o acesso à água potável, o saneamento básico e os impactos das mudanças climáticas na saúde indígena. Foi destacada a necessidade de fortalecer a articulação interministerial e integrar a saúde indígena às agendas de resiliência climática, vigilância ambiental em saúde e justiça social.

Entre os encaminhamentos apresentados estão a consolidação de uma Agenda Institucional de Saúde Indígena na Fiocruz, a manutenção da governança da cooperação e a realização do 2º Seminário de Saúde Indígena em 2026, além do fortalecimento de projetos estruturantes voltados à saúde, ao ambiente e aos territórios indígenas.



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