Fiocruz cria cópias de segurança de três coleções biológicas para fortalecer a guarda dos acervos institucionais

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Em um movimento inédito na Fiocruz, parte dos materiais das coleções biológicas institucionalizadas foi transferida para o Biobanco da Biodiversidade e Saúde (BBS-Fiocruz). O processo consistiu num backup (cópia de segurança) criogênico – armazenamento em temperaturas ultrabaixas dos materiais depositados nas coleções para garantir a segurança e a preservação a longo prazo. A operação envolveu três acervos de referência: a Coleção de Leishmania (Clioc), a Coleção de Culturas de Fungos Filamentosos (CCFF) e a Coleção de Bactérias de Ambiente e Saúde (CBAS).

A expectativa é expandir a iniciativa para as demais coleções microbiológicas e, depois, para outras coleções biológicas, incluindo acervos botânicos, zoológicos, histopatológicos e paleoparasitológicos (Foto: Plínio Sousa)

A proposta, tratada desde a concepção do BBS-Fiocruz, é inspirada em práticas de outras instituições internacionais de conservação ex situ – que preserva em outro local, em tanques de nitrogênio líquido, amostras duplicadas dos materiais biológicos mais importantes de suas coleções, informa a gerente-geral do BBS-Fiocruz, Manuela da Silva, uma das coordenadoras da iniciativa junto a Marcelo Pelajo e Aline Souto, ambos da Coordenação de Coleções Biológicas da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB/Fiocruz). “A ideia ganhou corpo com o apoio da Coordenação de Coleções Biológicas da Fiocruz e resultou na criação da chamada Coleção de Backup do BBS-Fiocruz”, acrescenta. Decidiu-se, então, começar pelas coleções microbiológicas.

O processo foi formalizado em maio de 2024, com a criação de grupo de trabalho para implementação do Centro de Recursos Biológicos da Fundação (GT-CRB). Em janeiro de 2025, os termos de depósito entre as partes foram assinados, abrindo caminho para a concretização da transferência.

Outro passo foi constituir um grupo assessor (GA), com base no antigo GT CRB e liderado pela Coordenação de Coleções Biológicas e o BBS-Fiocruz. O papel do GA é discutir, propor, definir fluxos e elaborar documentos, como os formalizados pela Portaria n.º 7, de 9/5/2024. O grupo também criou os modelos para a formalização do depósito.

O objetivo da movimentação é garantir que parte dos acervos permaneça segura, em ambiente controlado, fora da coleção de origem. “É uma forma de proteção caso algum dano comprometa os materiais originais”, explica o curador da Coleção de Material Biológico Humano do BBS-Fiocruz, Gustavo Stefanoff.

O serviço será exclusivo para as coleções biológicas da Fiocruz. Apenas os responsáveis pelos depósitos poderão acessar os materiais armazenados no BBS-Fiocruz. Pesquisadores que desejarem ter acesso aos materiais das coleções devem manter o procedimento já estabelecido, ou melhor, entrar em contato com os curadores responsáveis por cada coleção, esclarece Aline Souto.

A equipe envolvida é ampla e reúne especialistas de diferentes áreas, para atender requisitos técnicos pré-estabelecidos para o preparo de materiais como os criotubos e criocaixas. E os planos vão além. A expectativa é expandir a iniciativa para as demais coleções microbiológicas e, depois, para outras coleções biológicas, incluindo acervos botânicos, zoológicos, histopatológicos e paleoparasitológicos.



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