Pesquisadores fizeram uma revisão de escopo para compilar a literatura disponível sobre os efeitos dos desastres que envolvem tanto as condições climáticas (como chuvas e ventos) quanto os recursos hídricos (como o nível de rios e umidade do solo) e geológicos na imunização de rotina e em surtos de doenças preveníveis por vacinação (DPV) entre crianças e adolescentes menores de 18 anos. Dos 26 estudos incluídos, 19 tratavam de surtos de doenças preveníveis por vacinação e 7 focavam na interrupção da imunização de rotina. A revisão indica que inundações, ciclones, secas, temperaturas extremas, tsunamis e terremotos podem resultar em surtos de doenças preveníveis por vacinação e na interrupção da imunização de rotina, além de identificar crianças pequenas e pessoas refugiadas como populações em risco. Acesse o estudo.
As bases utilizadas pelos pesquisadores da Fiocruz Bahia foram Medline, Embase, Global Health, Scopus e Web of Science, em busca de estudos originais e revisões sistemáticas sobre o tema. Foram incluídos estudos que analisaram quantitativamente o efeito de qualquer um dos 30 desastres hidrometeorológicos e geológicos reconhecidos pelo Banco de Dados de Eventos de Emergência (EM-DAT) – ou aqueles que se enquadravam nos critérios do EM-DAT – em uma lista abrangente de vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelas 23 doenças que elas previnem.
Relatou-se que as inundações estão associadas a surtos de doenças preveníveis por vacinação transmitidas pela água e por vetores, como a malária. Condições precárias de água, saneamento e higiene foram adicionalmente reconhecidas como fatores facilitadores para surtos de doenças preveníveis por vacinação após desastres.
Os estudos sobre vacinação relataram uma redução nas taxas de imunização de rotina nos meses seguintes a um desastre, apontando os danos infraestruturais às instalações de saúde e os problemas no armazenamento de vacinas como causas comuns. Por fim, constatou-se uma lacuna significativa de conhecimento sobre os efeitos de desastres específicos (por exemplo, incêndios florestais e erupções vulcânicas) e de certas doenças (por exemplo, influenza, febre amarela, malária e dengue).
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