Como fazer para que uma estrutura complexa como o Sistema Único de Saúde (SUS), desenhada para atender a milhões de pessoas em todo o Brasil, não entre em colapso em um cenário de aumento repentino e agudo de casos de síndromes respiratórias geradas por eventos climáticos intensos? Um projeto desenvolvido na Fiocruz busca compreender como o SUS reagiria a uma situação como esta.
O projeto Estrutura de avaliação da resiliência sistêmica – O SUS sob a pressão das mudanças climáticas e o aumento das síndromes respiratórias propõe o desenvolvimento de um modelo multidimensional de avaliação da resiliência do SUS, fundamentado em Análise de Decisão Multicritério (MCDA), para apoiar a tomada de decisão na gestão pública. O trabalho é o tema de tese de doutorado de Paloma Palmieri Alves no Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz).
A motivação central da pesquisa consiste na compreensão de como o SUS apresenta capacidade de resiliência e responde ao aumento súbito e crônico de demanda gerado por eventos climáticos extremos, como queimadas e aumento da poluição. Ela advém da necessidade de entender não apenas como o SUS sobrevive a essas situações mas também a sua capacidade de adaptação, aprendizado e de fortalecimento.
A expectativa é que o estudo produza um índice de resiliência aplicável ao SUS; evidências sobre vulnerabilidades regionais; ferramentas para antecipação de crises sanitárias; e subsídios para formulação de políticas públicas. Gerenciado de modo descentralizado e compartilhado pela União, estados e municípios, o arcabouço do SUS precisa funcionar de forma integrada e harmônica para não comprometer o atendimento aos usuários.
O projeto se propõe a avaliar todos os estados e o Distrito Federal e utiliza uma base integrada de indicadores provenientes de múltiplos sistemas nacionais e de dados relacionados a meio ambiente. Inclui sistemas como o de Informações Hospitalares (SIH), o de Informação sobre Mortalidade (SIM), o de Informações Sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS) e o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), entre outros. Além de bases ambientais e climáticas fornecidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Os indicadores reúnem também dados socioeconômicos produzidos pelo IBGE e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os números contemplam aproximadamente uma década de informações e cobrem dimensões essenciais da resiliência. O objetivo do projeto não é apenas produzir um diagnóstico acadêmico, mas transformar dados dispersos e heterogêneos em indicadores capazes de apoiar a gestão pública
O estudo inova ao fazer uma integração inédita entre dados de saúde e dados climáticos, métodos estatísticos e ciência de dados, e modelagem multicritério aplicada à gestão do SUS. O diferencial da pesquisa é a integração de grandes volumes de dados para criar indicadores que permitam aos gestores identificar vulnerabilidades antes que uma crise se agrave.
O processamento estruturado e massivo de fontes tão complexas e heterogêneas pela Plataforma de Ciência de Dados aplicada à Saúde (PCDaS) s Fiocruz viabiliza não apenas o cálculo do “índice de resiliência” atual, mas também a possibilidade de rodar simulações preditivas. Isso mostra que a Ciência de Dados é uma ferramenta prática de gestão, que propicia a antecipação de eventos adversos e o fortalecimento da capacidade adaptativa do SUS diante de uma crise climática. Ao transformar dados complexos em informação estratégica para gestão, o projeto pretende contribuir para a melhoria dos serviços de saúde.
Período eleitoral
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