O efeito das mudanças climáticas na saúde já é uma realidade e, com isso, é necessário que pesquisadores e profissionais da área se preparem para enfrentar novos desafios. As arboviroses, por exemplo, são enfermidades diretamente impactadas pelas chuvas e calor, que aumentam a sua incidência. Para debater a questão, a Fiocruz sediou um Encontros do Conhecimento, no qual especialistas discutiram o tema Dengue: da epidemiologia à segurança das vacinas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 5,6 bilhões de pessoas vivem em áreas de risco para a dengue, que é considerada uma doença modelo quando se fala em aquecimento global, justamente pela sua epidemiologia. De acordo com os pesquisadores, há uma expansão acelerada da dengue no mundo, tanto em termos de extensão geográfica quanto de altitude, como no caso do Nepal, que nunca havia registrado casos e atualmente tem surtos frequentes.
O debate, no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), mostrou que no Brasil a enfermidade também mudou muito seu padrão epidemiológico. Hoje há dengue em todos os lugares do país, já que o vetor, o mosquito Aedes aegypti, se adaptou ao ambiente urbano. Nos estados do Sul há uma letalidade bastante alta e o sistema de saúde não estava preparado para enfrentar um número grande de casos.
Para este ano, com a perspectiva de um forte El Niño a partir de setembro, espera-se que a região das Américas tenha uma incidência alta de dengue. Na Ásia, onde o fenômeno climático já afeta o clima, observa-se mudança na epidemiologia da doença. Como as lacunas no enfrentamento da dengue ainda são muitas – poucas opções de vacina, falta de um tratamento direcionado, dificuldade no diagnóstico pelos sintomas inespecíficos e o desafio do controle do vetor –, os especialistas sugerem que uma vigilância inteligente seria uma saída. A ideia seria utilizar sistemas complementares de maneira integrada, o que resultaria em dados suficientes para antecipar com precisão futuros casos.
O básico que funciona: controle do vetor
Também se discutiu a dificuldade para o desenvolvimento de um imunizante para a doença. De acordo com os pesquisadores, o problema central seria produzir uma vacina tetravalente, que seja eficaz contra os quatro sorotipos do vírus, e balanceada, ou seja, que promova resposta imunológica duradoura também para os quatro sorotipos.
A lição é que o controle do vetor é fundamental para evitar surtos e epidemias de dengue, por meio da eliminação de criadouros do mosquito em áreas públicas e, em residências, com a ajuda da população. O Ministério da Saúde emitiu Nota Técnica para alertar os estados e municípios para a possibilidade de aumento de arboviroses devido ao El Niño e um dos pontos do comunicado é o reforço nas ações de mobilização da sociedade em prol da eliminação do mosquito.
Período eleitoral
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