Boas ações no home office para empresas

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O título deste artigo parece receita de bolo, mágica e pronta, basta fazer e tudo dará certo, você terá um bolo saboroso e poderá dizer a todos que se seguirem a receita corretamente, não haverá dúvidas quanto ao sucesso.

Particularmente não sou adepto destes guias, manuais ou receitas, mas existem premissas que podem ser seguidas em cada aspecto da vida, bem como na gestão de empresas, e quando falamos de home office, podemos destacar que muito se falou sobre o papel dos colaboradores em tempos de home office, mas pouco se falou sobre o papel das empresas.

É claro que muitas das organizações, em especial as grandes empresas, fizeram o deve de casa e conseguiram manter seus colaboradores ativos e produtivos durante o período de maior isolamento social da pandemia entre os meses de março e julho. Mas era um aprendizado, o Brasil ainda não estava (nem está) preparado para discutir o trabalho remoto, ou teletrabalho, muito menos as particularidades trabalhistas envolvidas, e menos ainda os pontos que poderiam ser diferenciais competitivos para as empresas, e melhorias para os colaboradores.

Todos aprendemos de uma maneira ou de outra que é possível sim trabalhar remotamente e manter a roda da economia girando, é claro que setores de serviços e comércio de rua não podem assumir essa afirmação como verdadeira, tampouco a indústria ou a construção civil, afinal são setores que precisam de gente colocando a mão na massa, ou gente para executar serviços, ou realizar vendas.

No entanto mesmo dentro destes setores existem cargos e funções que podem ser desempenhados remotamente, e assim o foram em algum momento durante parte do tempo em que as medidas mais duras de isolamento social estavam em vigor.

Agora, quais são os aspectos mais relevantes que podem ser seguidos pelas empresas para que seus colaboradores possam trabalhar tranquilamente de maneira remota?

Esse questionamento é complexo, pois existem coisas que as empresas não poderão controlar como o ambiente residencial do colaborador, sua estrutura de trabalho doméstica como internet por exemplo, ou se há crianças ao redor dos adultos dividindo a atenção destes, ou mesmo se há de fato um escritório na residência, e mesmo questões como intervenientes que possam desviar a atenção dos colaboradores, como barulho de vizinhos, obras, ou outras questões.

No entanto existem sim opções e ações que as empresas podem cogitar seguir para a melhoria das condições de trabalho de seus colaboradores em ambiente remoto, e que podem sim aumentar a produtividade destes:

1 – Propiciar estações de trabalho móveis de qualidade, trocando os computadores de mesa do escritório por notebooks viáveis para uso em rotinas de trabalho de escritório em casa, ou mais potentes de acordo com a especificidade do trabalho. Esta é a hora para que as empresas invistam em máquinas adequadas ao trabalho e a oportunidade de modernizar os equipamentos, pois inclusive muitas empresas trabalham com computadores ultrapassados, e esperar que o colaborador use seu computador pessoal e que este seja moderno, é esperar muito;

2 – Para as empresas que podem investir, qual seria o impedimento em fornecer cadeiras ou mesas de trabalho para escritórios domésticos de seus funcionários? Nesses casos, novamente surge a oportunidade para que as empresas que podem investir, que troquem mobiliário e emprestem este a seus colaboradores em regime de comodato, assim melhorariam as condições de trabalho remoto daqueles colaboradores que não possuem mínima estrutura como uma mesa e cadeira adequados;

3 – Estabelecer e permitir a jornada flexível, muito mais envolvida com as entregas do que com a carga horária fixa. Nesses casos, o colaborador trabalharia sua jornada de acordo com suas entregas, ele não deixaria de cumprir a jornada, mas poderia muito bem trabalhar 12 horas em um dia e 6 horas em outro. A grande sacada aqui é definir as metas e prazos, e combinar uma jornada mínima diária para eventuais reuniões e para situações de rotina em que o colaborador mesmo remotamente precisa estar conectado, como por exemplo para responder e-mails, atender clientes, realizar negociações com fornecedores;

4 – Agora um ponto polêmico, pois para colaboradores de áreas criativas que usam equipamentos mais potentes ou mesmo mais caros, o trabalho remoto pode ser um problema, mas também pode oportunizar soluções como por exemplo o oferecimento de linhas de crédito ou mesmo financiamento em que a empresa subsidia a aquisição de equipamentos específicos pelos colaboradores que desejam ter suas próprias estações de trabalho. Nesse cenário tenho um exemplo de um amigo que trabalha com design em uma agência de publicidade e precisava adquirir um computador da “maçã”, pois para exercer sua função remotamente a empresa não poderia emprestar o computador do escritório e a mesa digitalizadora. A solução encontrada pelas partes foi a venda parcelada e descontada em folha de pagamento, dos equipamentos usados por meu amigo no escritório a preço de seminovos e que permitiria o uso remotamente (lembro que nenhuma empresa pode forçar um colaborador a comprar um equipamento que ele não quer, não usará em âmbito pessoal, e que será usado especificamente para o trabalho. Neste caso meu amigo quis comprar o equipamento, pois poderia trabalhar também como freelancer, senão continuaria trabalhando no escritório seguindo as medidas restritivas e normas de segurança da empresa);

5 – Por fim e não menos importante, temos que mesmo após certa flexibilização das medidas de isolamento social da pandemia, muitas empresas passaram a seguir regras de trabalho remoto e oportunizaram que seus colaboradores seguissem em suas casas, ou em jornadas alternadas entre casa e escritórios. O problema é que nem todo mundo seguiu este caminho e estas empresas estão perdendo oportunidades nesse contexto, pois permitir jornadas alternadas entre casa e escritórios, dá mais liberdade aos colaboradores, motiva, abre espaço para que as empresas possam reorganizar espaços e até mesmo reduzir estruturas físicas, e por fim, reduz o estresse dos deslocamentos, pois nos dias em que o colaborador trabalha em casa, pode fazer inclusive de pijama!

Então, que tal você empresário pensar nisso? E você colaborador, já pensou em conversar com seu empregador sobre esta possibilidade? Acho que todos podem ganhar com isso!

Até a próxima!

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