Belo Horizonte registrou queda de 9,8% na venda de imóveis no primeiro trimestre de 2026. Entre janeiro e março, foram comercializadas 6.672 unidades entre apartamentos, casas, lojas, salas comerciais, lotes, galpões e vagas, contra 7.397 imóveis vendidos no mesmo período de 2025. Os dados são do Data Secovi, instituto de pesquisas da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato da Habitação de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG).
Segundo o presidente da CMI/Secovi-MG, Leirson Cunha, fatores econômicos e políticos contribuíram para um cenário de maior cautela por parte dos consumidores.
“De fato, este ano é muito desafiador devido à Copa do Mundo e às eleições e, evidentemente, cenários externos também acabam trazendo certa insegurança global”, afirma.
Apesar da retração no início do ano, o setor mantém expectativa positiva para 2026. A avaliação é que o lançamento da Faixa 4 do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), em abril, pode estimular a demanda reprimida e acelerar as vendas nos próximos meses.
“Nós entendemos que houve um represamento de consumidores interessados aguardando essa novidade para que as vendas possam decolar. Haja vista que já percebemos que, a partir de abril, os números de vendas se mostraram mais volumosos”, explica Cunha.
Outro fator acompanhado pelo mercado é a possível redução da taxa de juros até o fim do ano, o que pode ampliar o acesso ao crédito imobiliário e favorecer novos negócios.
“Hoje, acreditamos que há uma tendência de redução da taxa de juros até o fim do ano. Então, se isso ocorrer, nossos números devem melhorar”, pontua.
Para incorporadores e corretores, o cenário indica necessidade de atenção ao comportamento do consumidor e maior foco em produtos alinhados às faixas econômicas mais demandadas. Já investidores acompanham a valorização de imóveis de alto padrão e a recuperação gradual da confiança no mercado.
Segmento residencial concentra quase 90% das vendas
Os imóveis residenciais responderam por aproximadamente 90% das unidades comercializadas em Belo Horizonte no primeiro trimestre. O valor médio dos imóveis residenciais chegou a R$ 689,9 mil, alta de 4% em relação aos R$ 662,8 mil registrados em 2025.
Os apartamentos lideraram as negociações, com 4.997 unidades vendidas, o equivalente a 79,2% do total comercializado. O volume representa queda de 9,3% frente ao mesmo período do ano passado, quando foram negociados 5.508 apartamentos.
A retração ficou concentrada nos segmentos Standard, com imóveis entre R$ 500 mil e R$ 700 mil, Econômico Faixa 4, entre R$ 350 mil e R$ 500 mil, e Econômico, até R$ 350 mil. As quedas foram de 5,2%, 8% e 19,9%, respectivamente.
Na contramão, os imóveis de maior valor apresentaram crescimento nas vendas. O segmento Alto, com imóveis entre R$ 1,25 milhão e R$ 2 milhões, avançou 10,6%. Já o Luxo, entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões, cresceu 11,6%, enquanto o Super Luxo, acima de R$ 4 milhões, registrou alta de 31,8%.
O valor médio do metro quadrado dos apartamentos subiu 6,3%, passando de R$ 14,3 mil para R$ 15,2 mil. O maior avanço ocorreu no segmento Super Luxo, que alcançou R$ 19,9 mil por metro quadrado, alta de 47%. Já o segmento Econômico teve queda de 57%, chegando a R$ 5,8 mil por metro quadrado.
Perfil das vendas e regiões mais aquecidas
Os apartamentos econômicos seguem predominando nas negociações. Os imóveis das faixas 2 e 3, com valores de até R$ 350 mil, responderam por 32,6% das vendas no trimestre. A Faixa 4 representou 20,3% das unidades comercializadas. Já os imóveis de luxo e super luxo somaram 3,5% das vendas.
Regionalmente, a Centro-Sul concentrou 25,1% das negociações, seguida pelas regiões Oeste, com 18,8%, e Pampulha, com 14,9%. A região Norte teve a menor participação, com 4,2%.
Entre os bairros com maior valor por metro quadrado, Santa Lúcia, Belvedere e Santo Agostinho lideraram, todos acima de R$ 25 mil por metro quadrado. Já Pousada Santo Antônio, Califórnia e Marajó registraram os menores valores médios, abaixo de R$ 3.150 por metro quadrado.
No Valor Geral de Vendas (VGV), Buritis, Lourdes e Santo Agostinho foram os bairros com melhor desempenho no trimestre. Somente em março, Buritis comercializou 138 unidades, com VGV de R$ 109,7 milhões. Lourdes registrou 55 unidades vendidas e VGV de R$ 70,6 milhões, enquanto Santo Agostinho teve 43 unidades negociadas, somando VGV de R$ 66,4 milhões.
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Informações retiradas de Michelle Valverde ao Diário do Comércio


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