Mercado imobiliário de luxo movimenta R$52,2 bilhões

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O mercado imobiliário residencial de luxo e superluxo registrou desempenho histórico em 2025 nas capitais brasileiras. Ao longo do ano, foram vendidas 10.607 unidades com valores acima de R$ 2 milhões, movimentando R$ 52,2 bilhões. O resultado representa crescimento de 35% em relação a 2024 e corresponde a 29,4% de todo o valor negociado no mercado residencial.

Do lado da oferta, as incorporadoras também aceleraram o ritmo. Foram lançadas 11.696 novas unidades de alto padrão, com potencial de vendas estimado em R$ 58 bilhões, alta de 36% em relação ao ano anterior e o maior volume já registrado.

Os dados são de um estudo da Brain Inteligência Estratégica obtido pela Forbes Brasil. O levantamento indica que o segmento de alto padrão cresceu muito acima do mercado imobiliário geral, que avançou 13% no período.

Imóveis de luxo e superluxo são considerados aqueles com valor superior a R$ 2 milhões. Dentro do total de vendas nas capitais, que somou 282.996 unidades em todas as faixas de preço, as 10.607 unidades desse segmento representam apenas 3,75% do volume.

Apesar da participação pequena em número de unidades, o impacto financeiro é expressivo. Os R$ 52,2 bilhões movimentados correspondem a 29,4% de todo o valor negociado no mercado residencial brasileiro em 2025, que alcançou R$ 177,7 bilhões.

A participação do segmento nunca foi tão elevada. Em 2024, foram vendidas 9.053 unidades de alto padrão, equivalentes a 3,6% do total de imóveis comercializados. “O momento atual do mercado de luxo é de recordes em todos os aspectos: lançamento, venda, preço, quantidade e distribuição geográfica”, analisa o economista Fábio Araújo, CEO da Brain.

Sudeste concentra maior volume de vendas

Compradores desse segmento costumam depender menos de financiamentos bancários tradicionais. Muitos utilizam capital próprio ou prazos curtos de pagamento, o que reduz o impacto das taxas de juros no mercado de alto padrão.

Esse perfil ajuda a explicar o protagonismo da região Sudeste, impulsionado principalmente pelo mercado da cidade de São Paulo, que concentra grande parte das sedes das maiores empresas do país. “É simplesmente incomparável com qualquer outro mercado”, avalia Araújo.

Nas capitais do Sudeste foram registradas 5.490 vendas de imóveis de luxo e superluxo em 2025, o equivalente a mais da metade das transações do país.

Lançamentos e vendas de imóveis de luxo e superluxo por região

Região Lançamentos Vendas
Sudeste 6.452 5.490
Nordeste 2.028 1.946
Sul 1.806 1.865
Centro-Oeste 753 999
Norte 657 307

Fonte: Brain Inteligência Estratégica

Na sequência aparece o Nordeste, com 1.946 unidades vendidas, alta de 64,5% em relação a 2024.

Florianópolis lidera preço do metro quadrado no luxo

Entre os imóveis com valores entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões, Florianópolis registra o metro quadrado mais caro do país, com média de R$ 22.918. Em seguida aparecem Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

Cidades com maior preço do metro quadrado no segmento de luxo (R$ 2 milhões a R$ 4 milhões)

Posição Cidade Valor (R$ por m²)
1 Florianópolis (SC) 22.918
2 Belo Horizonte (MG) 21.615
3 Rio de Janeiro (RJ) 20.733
4 São Paulo (SP) 20.163
5 Porto Alegre (RS) 19.462
6 Brasília (DF) 18.871
7 Curitiba (PR) 18.470
8 Vitória (ES) 17.371
9 Recife (PE) 16.643
10 João Pessoa (PB) 16.366

Fonte: Brain Inteligência Estratégica

Quando o recorte considera imóveis acima de R$ 4 milhões, a liderança passa para São Paulo, com o metro quadrado médio em R$ 37.668. Florianópolis aparece na segunda posição.

Cidades com maior preço do metro quadrado no segmento de superluxo (acima de R$ 4 milhões)

Posição Cidade Valor (R$ por m²)
1 São Paulo (SP) 37.668
2 Florianópolis (SC) 34.013
3 Vitória (ES) 30.441
4 Rio de Janeiro (RJ) 28.995
5 Belo Horizonte (MG) 27.561
6 Porto Alegre (RS) 25.500
7 Curitiba (PR) 23.929
8 Brasília (DF) 21.629
9 Fortaleza (CE) 20.877
10 Goiânia (GO) 15.534

Fonte: Brain Inteligência Estratégica

Segundo estimativas do IBGE, Florianópolis alcançou 587.486 habitantes em 2025, cerca de 11 mil a mais do que em 2024. Em comparação com 2022, quando o Censo registrou 537.211 moradores, o crescimento ultrapassa 50 mil habitantes, avanço de 9,31%.

De acordo com Araújo, os preços elevados na capital catarinense são resultado de uma combinação de fatores. Além do crescimento populacional acelerado, a cidade enfrenta escassez de terrenos disponíveis, situação intensificada pela condição geográfica de ilha e pelas restrições ambientais.

Nordeste ganha espaço no mercado de alto padrão

O avanço do mercado de luxo no Nordeste também chama atenção. Segundo Araújo, existe a percepção equivocada de que imóveis de alto padrão na região são voltados principalmente para compradores de outros estados.

“ A maior parte das vendas na região atende à demanda da própria elite local por uma primeira moradia sofisticada”, diz.

Entre os destaques regionais está Fortaleza, onde atua a incorporadora Moura Dubeux, que vem ampliando presença no segmento de alto padrão. Relatório do Bradesco BBI aponta que projetos de luxo e superluxo devem concentrar 70% dos lançamentos da companhia neste ano, estimados em cerca de R$ 3,5 bilhões.

Em João Pessoa, movimento semelhante ocorre com a construtora Setai, que vem ganhando protagonismo na verticalização de empreendimentos de alto padrão. Um exemplo é o lançamento da primeira torre residencial da marca Aston Martin na América do Sul, projeto que será desenvolvido na capital paraibana.

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Informações retiradas de Clayton Freitas a Forbes



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