A queda geral da inadimplência no mercado de locação trouxe alívio ao setor, mas um novo comportamento começa a chamar atenção: os atrasos passaram a se concentrar em contratos de menor valor. O movimento representa uma inversão em relação a 2025, quando os imóveis de alto padrão registravam os maiores índices de inadimplência.
Segundo Daniel Lopes, especialista em Direito Imobiliário e sócio do Almeida Prado e Hoffmann Advogados, a mudança reflete uma pressão macroeconômica desigual entre as faixas de renda.
“Famílias de menor renda, cujo aluguel compromete mais de 30% do orçamento, são mais vulneráveis à inflação persistente, juros elevados e à informalidade do mercado de trabalho. Já a alta renda conta com reservas e fontes diversificadas de receita que funcionam como amortecedores”, explica.
Para o especialista, o fenômeno revela uma assimetria estrutural no impacto das condições econômicas sobre diferentes perfis de locatários.
“Quando o orçamento é mais apertado, qualquer oscilação transforma o aluguel em ônus difícil de sustentar”, afirma.
Revisão de contratos ganha importância
Diante desse cenário, a recomendação é revisar estratégias contratuais, especialmente em imóveis de menor valor. Entre as medidas sugeridas estão o reforço de garantias, análise mais criteriosa de solvência e inclusão de cláusulas que estabeleçam mecanismos automáticos de proteção em casos de atraso recorrente.
No campo das garantias locatícias, o seguro-fiança aparece como alternativa mais eficiente no atual contexto.
“Ele oferece cobertura imediata e reduz a morosidade típica da execução contra fiadores, que também podem sofrer perda de capacidade financeira em períodos de crise”, diz.
Para contratos acima de R$13.000,00, a orientação é adotar instrumentos mais sofisticados de análise de risco, como avaliação patrimonial mais aprofundada, cláusulas de reajuste bem estruturadas e previsão de medidas liminares em caso de inadimplemento.
Gestão de risco entra no radar das imobiliárias
Para imobiliárias e administradoras com grandes carteiras de locação, o cenário reforça a necessidade de governança preventiva. Entre as práticas recomendadas estão due diligence pré-contratual mais rigorosa, automação de cobrança, monitoramento constante dos índices de inadimplência e padronização de renegociações para evitar perda de garantias.
“A Lei do Inquilinato oferece instrumentos relevantes, como o despejo liminar e diferentes modalidades de garantia, mas ainda carece de maior modernização digital. O contrato precisa deixar de ser apenas reativo e se tornar ferramenta ativa de gestão de risco”, conclui.
Para o mercado imobiliário, a mudança de perfil da inadimplência reforça a importância de análise de crédito mais refinada e de contratos estruturados para diferentes faixas de renda, especialmente em um cenário de juros elevados e orçamento familiar pressionado.
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Informações retiradas de Pedro Gil á Veja


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