O mercado financeiro brasileiro opera com cautela nesta sexta-feira (28), repercutindo o anúncio do pacote fiscal do governo, que visa reduzir R$70 bilhões em despesas entre 2025 e 2026. Apesar das expectativas em torno da medida, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendas até R$5 mil mensais trouxe incertezas ao mercado, especialmente pela proposta de compensação tributária para rendas acima de R$50 mil, gerando especulações sobre impacto na arrecadação e resistência no Congresso.
Nesta manhã, o Ibovespa recuava 0,59%, enquanto o dólar atingia R$5,9519, refletindo a preocupação com as implicações fiscais do pacote e um cenário global mais desafiador devido ao feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, que reduziu a liquidez internacional.
Commodities e destaques corporativos
No exterior, o petróleo Brent subiu 0,59%, cotado a US$72,73, e o minério de ferro registrou alta de 1,87% na China, beneficiando ações de Petrobras (+1,46%) e Vale (+0,56%). Por outro lado, as ações da BRF (BRFS3) lideram as perdas do índice, com queda de 5,57%.
Entre as notícias corporativas, a CSN anunciou distribuição de R$730 milhões em dividendos, impulsionando suas ações em 5,73%. Petrobras também ganhou destaque ao firmar parceria com a European Energy para produção de e-metanol em Pernambuco..
Contexto econômico e expectativas
Os dados econômicos divulgados nesta manhã trouxeram sinais mistos. O IGP-M apresentou alta de 1,30% em novembro, enquanto o Caged revelou a criação de 132.714 vagas formais em outubro, menor saldo para o mês desde 2020. O cenário geral reflete as incertezas fiscais e monetárias, com projeções do boletim Focus indicando aumento nas expectativas de inflação e taxa Selic para 2025, possivelmente chegando a 13,50%, segundo análises do Itaú Unibanco.
Perspectivas
Com o dólar em alta e a aversão ao risco elevando pressões inflacionárias, a postura do Banco Central e o andamento do pacote fiscal no Congresso serão cruciais para determinar os rumos do mercado. Investidores aguardam a divulgação do quinto relatório bimestral de receitas e despesas do Tesouro Nacional, prevista para a próxima semana, que pode oferecer mais clareza sobre as estratégias fiscais do governo.



