O setor de incorporação imobiliária atravessa um momento de transformação estratégica em seus canteiros de obras. Diante de uma escassez estrutural de trabalhadores e do aumento nos custos de contratação, grandes empresas estão simplificando projetos e adotando métodos construtivos mais ágeis para garantir a produtividade e o cumprimento de prazos.
A pressão sobre o setor é evidenciada pela inflação da mão de obra, que subiu 8,91% nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026, superando a inflação geral do setor (INCC) de 5,83%. Além disso, o debate sobre a redução da jornada de trabalho gera preocupação: uma mudança de 44 para 40 horas semanais poderia elevar os custos com pessoal em 6,5% e impactar o tempo de execução em 7,7%.
Impactos práticos e mudanças nas empresas
- Atrasos em entregas: A falta de profissionais já provoca impactos diretos no cronograma. A Lavvi, por exemplo, alertou para um possível atraso de seis meses em seu primeiro projeto popular. “Tem falta de mão de obra”, afirmou o CEO Ralph Horn.
- Simplificação de projetos: A MRV reduziu drasticamente suas tipologias para ganhar escala. No programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), a meta é passar de 266 modelos para apenas 50, visando a padronização.
- Novas tecnologias e métodos:
- A Cury passará a utilizar paredes de concreto (formas de alumínio preenchidas no canteiro), método que exige menos trabalhadores e é mais veloz que a alvenaria tradicional.
- A Moura Dubeux também foca em paredes de concreto e no uso de drywall, que já chega pronto de fábrica.
- Testes com impressoras 3D de concreto e materiais inovadores para acabamento estão em curso por hubs de inovação e empresas como a Direcional.
- Contratação de imigrantes e treinamento: Como solução imediata, a MRV dobrou a contratação de estrangeiros em um ano. Já a Moura Dubeux investe em centros próprios de treinamento, tendo formado mais de 700 pessoas recentemente.
Consequências para o mercado
Para incorporadores, o foco migra da construção artesanal para a montagem industrializada, visando mitigar o risco de custos variáveis. Investidores devem observar a capacidade de execução das empresas como métrica central, enquanto compradores podem enfrentar prazos de entrega mais próximos do limite da carência contratual.
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Informações retiradas de Valor Econômico


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