O desempenho da construção civil no Brasil esconde dinâmicas distintas dentro do próprio setor. Enquanto o PIB da construção avançou apenas 0,5% em 2025, segundo o IBGE, estimativas do FGV Ibre indicam que o segmento das construtoras cresceu 2,8% no período.
A diferença está na composição do indicador. O cálculo do IBGE inclui obras realizadas por pessoas físicas, como autoconstruções e reformas, que recuaram ao longo do ano e pressionaram o resultado geral.
“O mercado informal da construção está menor porque o juro está muito alto para as famílias que precisam financiar suas obras, e isso acaba mascarando o resultado das construtoras, que conseguem crédito a taxas mais atrativas,” Yorki Stefan, o presidente do Sinduscon-SP, disse ao Metro Quadrado.
Demanda pública e habitação sustentam crescimento
O bom desempenho das construtoras tem sido sustentado por dois pilares principais: a forte atuação de incorporadoras ligadas ao programa Minha Casa Minha Vida e o avanço das obras de infraestrutura.
Esses segmentos têm compensado a retração nos lançamentos de empreendimentos voltados à classe média, mais sensíveis ao crédito imobiliário.
Para incorporadores, o cenário reforça a importância de diversificação de portfólio, com maior foco em habitação popular e projetos ligados ao setor público. Já investidores encontram maior previsibilidade em segmentos com demanda subsidiada ou contratada.
Emprego cresce e reforça atividade formal
Em linha com esse movimento, o setor formal da construção gerou 87,8 mil empregos em 2025, elevando o contingente em 3%.
O dado indica que, apesar da leitura mais fraca do PIB agregado, a atividade das empresas organizadas segue aquecida, com impacto direto na geração de renda e no ritmo de obras.
Para corretores, isso tende a se traduzir em maior oferta de unidades vinculadas a programas habitacionais e projetos de infraestrutura urbana.
Primeiro semestre aquecido, segundo pode perder força
O setor segue aquecido no primeiro semestre de 2026, impulsionado principalmente pela aceleração de obras públicas por governos estaduais em ano eleitoral.
A expectativa, porém, é de desaceleração no segundo semestre, especialmente nesse nicho, à medida que esse ciclo perde intensidade.
Para empresas e investidores, o momento exige atenção ao timing de lançamentos e execução de projetos, considerando a possível mudança no ritmo da demanda.
Juros e renda ainda limitam o mercado
O início do ciclo de corte da Selic trouxe algum alívio, mas em ritmo mais lento do que o esperado, com reduções de 0,25 ponto percentual. Além disso, os efeitos no mercado imobiliário tendem a ocorrer com defasagem.
Por outro lado, o mercado informal pode ganhar tração com a nova política de isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o que pode estimular reformas e pequenas obras.
“Com isso o PIB do setor como um todo poderá crescer mais em 2026,” disse o presidente do Sinduscon-SP
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Informações retiradas de André Ítalo Rocha ao Metro Quadrado


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