O Centro do Rio de Janeiro começa a mostrar sinais concretos de recuperação no mercado imobiliário. Incentivos públicos e novos projetos de retrofit têm impulsionado tanto a valorização do metro quadrado quanto o volume de transações na região.
Segundo a Bel Radar, plataforma que monitora registros imobiliários, o metro quadrado do bairro subiu 13,3% em 2025, alcançando R$3,6 mil. Com esse desempenho, o Centro foi o sexto bairro que mais se valorizou na cidade no período.
Os dados utilizam média ponderada pelo volume de transações. Isso significa que bairros com maior número de negócios têm peso maior no cálculo, refletindo onde o mercado realmente concentra capital.
O aumento da liquidez também chama atenção. O número de transações no Centro chegou a 5,8 mil em 2025, quase o triplo do registrado cinco anos antes.
“O Centro é algo sem precedentes na história da cidade. A região está passando por um processo de ressignificação do território,” Maria Eduarda Herriot, uma das fundadoras da Bel, disse ao Metro Quadrado.
Historicamente voltado ao mercado corporativo, o Centro perdeu dinamismo após a recessão de 2015 e 2016. Naquele período, a Operação Lava Jato impactou o setor de óleo e gás e reduziu investimentos no Rio de Janeiro.
A pandemia agravou esse cenário. A região passou a conviver com alta vacância e praticamente uma década sem novos projetos corporativos relevantes, reduzindo o interesse de incorporadores.
Esse quadro começou a mudar em 2021, com a criação do programa Reviver Centro. A iniciativa trouxe incentivos para a conversão de prédios comerciais em residenciais e estimulou uma nova onda de retrofits na região.
Em relatório recente, a Bel aponta o Centro como um exemplo de mudança estrutural no mercado imobiliário carioca. Mesmo com a valorização recente, o preço médio ainda está abaixo da média da cidade, atualmente em R$6,3 mil por metro quadrado.
“Essa combinação — preço baixo + liquidez crescente + mudança de uso — é rara no mercado imobiliário, e sinaliza uma virada de ciclo em andamento, com potencial significativo nos próximos anos,” diz a empresa.
Para investidores e incorporadores, o cenário indica oportunidades ligadas à requalificação de imóveis antigos e ao desenvolvimento residencial em áreas centrais. Para corretores e compradores, a região passa a combinar preço ainda competitivo com maior liquidez.
Outras regiões também avançam
O movimento de valorização não se limita ao Centro. Em 2025, os bairros que mais subiram de preço na cidade ficaram na Zona Oeste.
Guaratiba liderou o ranking, com alta de 49,5%, levando o preço médio para R$2,9 mil por metro quadrado. Em seguida aparece Vargem Pequena, com valorização de 36,4%, chegando a R$3,6 mil.
Essas regiões têm atraído compradores em busca de preços mais acessíveis fora dos bairros tradicionais da cidade.
A Barra da Tijuca também registrou valorização relevante. O metro quadrado subiu 15,2% em 2025, atingindo média de R$9,5 mil.
Mesmo assim, os bairros mais caros continuam concentrados na Zona Sul. Ipanema lidera com média de R$18,2 mil por metro quadrado, seguido pelo Leblon, na faixa de R$17 mil.
Os rankings foram calculados com base em média ponderada pelo volume de transações. O levantamento considerou apenas bairros com pelo menos 10 negócios registrados em 2025 e excluiu hotéis, motéis e outliers para evitar distorções.
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Informações retiradas de Metro Quadrado


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