O mercado imobiliário de alto padrão no sul da Miami vive um novo ciclo de valorização impulsionado pela migração de bilionários da Califórnia. O movimento ganhou força após a proposta de um imposto estadual sobre grandes fortunas, ainda em discussão e sem assinaturas suficientes para entrar na cédula eleitoral de novembro.
Corretores locais relatam aumento relevante na demanda por imóveis de alto padrão, especialmente por compradores que buscam estabelecer residência fiscal na Flórida, estado conhecido por sua estrutura tributária mais favorável.
“Eles estão aqui, e estão fazendo ofertas” afirmou Dina Goldentayer, corretora da Douglas Elliman.
Segundo ela, muitos clientes buscam propriedades entre US$ 30 milhões e US$ 150 milhões. Parte dos compradores prioriza ativos de prestígio; outros optam por imóveis que permitam mudança rápida de domicílio fiscal. Privacidade e acordos de confidencialidade são exigências frequentes.
Compras bilionárias reforçam tendência
Entre os casos públicos está Larry Page, cofundador da Alphabet. Ele adquiriu uma mansão por US$ 101,5 milhões e outra propriedade à beira-mar por US$ 71,9 milhões no bairro de Coconut Grove, em janeiro. Posteriormente, uma entidade ligada a Page comprou imóvel adjacente por US$ 15 milhões, totalizando US$ 188 milhões em aquisições imobiliárias em Miami.
O também cofundador da Alphabet, Sergey Brin, está comprando uma casa à beira-mar em Miami Beach por US$ 50 milhões. Em dezembro, Brin também comprou uma mansão no Lago Tahoe, em Nevada, para onde transferiu cinco empresas de responsabilidade limitada.
Já o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, avalia a compra de uma propriedade na ilha de Indian Creek, a nordeste de Miami.
Imposto sobre bilionários gera insegurança jurídica
A proposta na Califórnia prevê tributo único de 5% sobre patrimônios superiores a US$ 1 bilhão, considerando como base o patrimônio em 1º de janeiro de 2026. O cálculo incluiria ações com direito a voto em startups, o que impactaria fundadores de empresas de inteligência artificial. Analistas avaliam que o caráter retroativo pode ser judicializado.
Andrew Graham, gestor da Jackson Square Capital, afirmou que 8% de seus clientes já deixaram o estado e 20% consideram sair. Segundo ele, “Todo mundo tem um Plano B, inclusive eu”.
Impacto direto para o mercado imobiliário
O fluxo de capital fortalece o segmento de ultra luxo em Miami, mesmo após desaceleração do preço médio residencial. Entre 2020 e 2025, os valores das casas na região metropolitana subiram cerca de 60%.
Em março de 2025, o incorporador Vlad Doronin vendeu uma mansão por US$ 120 milhões no condado de Miami-Dade, estabelecendo recorde local. Em 2024, foram registradas 19 vendas acima de US$ 30 milhões, ante nove em 2021 e nenhuma em 2019.
Para incorporadores, o cenário sinaliza demanda sustentada por ativos exclusivos e potencial para novos lançamentos de altíssimo padrão. Corretores operam com tickets elevados e transações altamente confidenciais. Investidores encontram ambiente de valorização em nichos específicos, enquanto compradores enfrentam maior competição por ativos escassos.
Movimento se espalha pelos EUA
O debate tributário avança também no Washington. Uma proposta de alíquota de 9,9% sobre rendas acima de US$ 1 milhão pode ser aprovada ainda nesta sessão legislativa. O estado é sede de empresas como Microsoft, Starbucks, Costco e Amazon e é um dos nove estados americanos sem imposto de renda.
Para o mercado imobiliário, o cenário indica possível redesenho dos fluxos de capital nos Estados Unidos, com estados de menor carga tributária capturando patrimônio relevante e fortalecendo o segmento premium.
Quer continuar atualizado sobre o mercado imobiliário? Então se inscreva na nossa Newsletter. Todas as terças e sextas, às 7:15, nós enviamos no seu e-mail as principais notícias do mercado Imobiliário. Vejo você lá!
Informações retiradas de Anna J Kaiser a Bloomberg


Ad

