Mudança no percentual financiado pressiona compradores e investidores; quais as alternativas?
O mercado imobiliário brasileiro enfrenta mais um ajuste significativo nos financiamentos. Depois da Caixa Econômica Federal e do Itaú revisarem suas políticas de crédito, agora foi a vez do Bradesco. A instituição reduziu o percentual máximo de financiamento de imóveis de 80% para 70%, exigindo, assim, uma entrada maior dos compradores. Além disso, a alta na taxa de juros encarece ainda mais o crédito, tornando a compra da casa própria ou o investimento imobiliário um desafio maior.
Se antes era possível financiar R$ 800 mil em um imóvel de R$ 1 milhão, agora o comprador precisa arcar com R$ 300 mil de entrada, reduzindo o acesso ao crédito imobiliário. Ao mesmo tempo, as taxas de juros, que antes giravam em torno de 9,5% a 10% ao ano, já ultrapassam 12% nos principais bancos privados do país. O aumento das restrições reflete o temor dos bancos em relação à inadimplência, apesar dos índices estarem em patamares historicamente baixos.
O movimento segue uma tendência de maior seletividade no crédito. Com o custo do dinheiro elevado, os bancos estão priorizando clientes com maior capacidade financeira, o que pode reduzir o número de financiamentos aprovados no curto e médio prazo. Essa mudança impacta tanto compradores de imóveis novos quanto usados, criando desafios para quem pretende adquirir um imóvel por meio de crédito bancário.
O que esperar do mercado?
O efeito dessas restrições não será imediato, mas a tendência é que, nos próximos 15 a 18 meses, o mercado imobiliário sinta um desaquecimento na demanda por imóveis financiados. Se a Selic continuar elevada e a inflação não for controlada, pode-se observar uma “ressaca” no setor, com menos liquidez e oportunidades pontuais de compra para investidores atentos.
Enquanto isso, a locação de imóveis tende a ganhar força. Com mais dificuldades para obter crédito, muitas famílias adiarão a compra da casa própria e buscarão o aluguel como alternativa. Esse movimento já está pressionando os preços dos aluguéis, que devem continuar subindo nos próximos meses.
Quais são as alternativas?
Para quem precisa ou deseja investir no setor imobiliário, algumas estratégias podem ser interessantes neste cenário:
- Explorar outros bancos e cooperativas de crédito – Enquanto os grandes bancos endurecem as regras, instituições como Banco do Brasil, Santander e cooperativas de crédito ainda oferecem condições mais atrativas para financiamento.
- Consórcio imobiliário – Pode ser uma opção para quem não tem pressa. Embora dependa da contemplação, um consórcio bem estruturado pode ser uma alternativa viável diante dos juros altos do financiamento tradicional.
- Compra de imóveis na planta – Durante a obra, o comprador paga apenas a correção do INCC ou CUB, que variam entre 4% e 6% ao ano, uma condição bem mais vantajosa do que os 12% do financiamento bancário atual. No momento da entrega do imóvel, a expectativa é que a taxa de juros esteja mais baixa, tornando o financiamento final mais acessível.
O mercado imobiliário funciona em ciclos. No atual momento, o crédito está mais caro e restrito, mas essa fase não é definitiva. Para quem pensa em investir, 2025 ainda pode trazer desafios, mas 2026 pode ser um ano de boas oportunidades.
Fique atento às mudanças e busque alternativas inteligentes para continuar investindo no setor imobiliário. Conte comigo sempre!



