A partir deste mês, a União Europeia inicia a implementação do Entry/Exit System (EES) — um novo sistema de controle de fronteiras que substituirá o tradicional carimbo físico no passaporte por um registro eletrônico de entradas e saídas de viajantes de fora do bloco. A medida, que começa em 12 de outubro de 2025, marca o início de uma transição completa para o controle digital até abril de 2026.
O EES funcionará em 29 países que compõem o espaço Schengen, com exceção de Irlanda e Chipre. Ao cruzar a fronteira, viajantes provenientes de países terceiros — como o Brasil — terão impressões digitais e imagem facial registradas na primeira entrada. As informações permanecerão armazenadas por três anos, permitindo que visitas posteriores sejam validadas apenas por reconhecimento facial, sem necessidade de novo cadastro.
A iniciativa representa um avanço na política de segurança europeia e uma tentativa de modernizar o rastreamento de fluxos migratórios e prevenir permanências irregulares. O sistema também permitirá que as autoridades identifiquem, em tempo real, estrangeiros que ultrapassarem o limite de 90 dias de estadia dentro de um período de 180 dias, regra que se aplica a turistas e profissionais de negócios.
Especialistas estimam, porém, que a fase inicial poderá gerar atrasos nos aeroportos e fronteiras terrestres, sobretudo até que todos os pontos de controle estejam equipados e treinados para lidar com o novo processo biométrico. Alguns países planejam manter o carimbo físico durante a fase de adaptação.
Do ponto de vista diplomático, o EES se integra a uma tendência global de digitalização das fronteiras, semelhante ao sistema americano ESTA e ao canadense eTA. A União Europeia ainda prepara o ETIAS, autorização eletrônica obrigatória para cidadãos de países isentos de visto — incluindo o Brasil — que deverá entrar em vigor em 2026. Na prática, o continente caminha para um modelo de fronteira inteligente, em que cada viajante terá sua movimentação validada de forma automática e integrada.
Para brasileiros e latino-americanos que viajam com frequência ao continente europeu, a recomendação é simples: atualizar-se sobre os novos procedimentos e preparar-se para o registro biométrico já na próxima viagem.
A era dos carimbos está chegando ao fim — e o futuro da mobilidade internacional será cada vez mais digital, rastreável e interconectado.
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